O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (16) a abertura do diálogo direto entre líderes de Israel e do Líbano, que não ocorre há cerca de 34 anos. A sinalização foi acompanhada por um tom de otimismo cauteloso em relação às negociações com o Irã, mesmo em meio à escalada militar da guerra e ao agravamento da crise humanitária no Oriente Médio. Saiba os detalhes na TVT News.
Donald Trump afirmou que os dois países devem iniciar conversas ainda hoje, destacando a tentativa de “criar espaço para respirar” em meio ao conflito regional. A iniciativa, no entanto, é cercada de incertezas. Enquanto autoridades israelenses confirmaram o contato entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Joseph Aoun, uma fonte da AFP em Beirute negou conhecimento de qualquer negociação formal em andamento.
Mediação internacional e impasses com o Irã
Paralelamente, os Estados Unidos apostam na mediação do Paquistão para avançar nas negociações com o Irã. O chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, se encontra em Teerã para tentar viabilizar uma nova rodada de negociações de paz, após a primeira reunião de 21 horas terminar sem acordo.
Apesar de relatos de progresso em temas sensíveis, o principal entrave segue sendo o programa nuclear iraniano. Washington exige a suspensão prolongada das atividades nucleares e a retirada de material enriquecido, enquanto Teerã insiste em manter um programa civil com restrições mais curtas e o fim imediato das sanções.
Pressão militar e bloqueio naval
Enquanto aposta na diplomacia, os EUA ampliaram significativamente a pressão sobre o Irã. Um bloqueio naval imposto aos portos iranianos já impede a circulação de navios e afeta diretamente o comércio de petróleo e materiais estratégicos. Segundo o general estadunidense Dan Caine, ao menos 13 embarcações foram barradas desde o início da operação.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, reforçou o tom de ameaça ao afirmar que as forças americanas estão “carregadas e prontas” para atingir infraestrutura crítica iraniana caso não haja avanço nas negociações.
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Escalada no Líbano agrava crise humanitária
No Líbano, os combates continuam a provocar destruição e deslocamento em massa. Ataques recentes destruíram a ponte de Qasmiyeh, considerada a última ligação terrestre vital entre o sul e o norte do país, dificultando o envio de auxílio de emergência.
Mais de um milhão de pessoas estão deslocadas internamente, e o número de mortos já ultrapassa 2.100 desde o início da escalada em março. No Irã, as vítimas somam mais de 3.300 desde o fim de fevereiro.
Impacto global e pressão internacional
O conflito também desencadeou uma crise econômica global, com forte impacto no mercado de energia. A interrupção no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do abastecimento mundial, levou a um dos piores choques de preços da história.
Na Europa, há alerta para escassez de combustível de aviação nas próximas semanas, enquanto países africanos já enfrentam desabastecimento e aumento no custo de vida.
Diante do cenário, lideranças internacionais teceram críticas ao conflito. Papa Leão XIV condenou os gastos bilionários com a guerra, acusando líderes globais de negligenciar áreas essenciais como saúde e educação. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, criticou a diplomacia de Washington, sugerindo que os Estados Unidos deveriam priorizar o diálogo em vez de abandonar acordos estabelecidos sempre que “não gostam” de um governo específico. Já o ministro chinês Wang Yi, ressaltou que a soberania do Irã deveria ser respeitada e a segurança das navegações internacionais também devem ser garantidas.
Caminho incerto para a paz
Apesar do cessar-fogo temporário entre EUA e Irã, que se aproxima do fim, obstáculos significativos permanecem. Além do impasse nuclear, Israel condiciona qualquer acordo duradouro no Líbano ao desarmamento do Hezbollah, exigência rejeitada por aliados do grupo.
A liberdade de navegação no Estreito de Ormuz também segue como outro ponto inegociável para Washington.

