A discussão sobre o fim da escala 6×1 está caminhando com mais rapidez. A agenda da comissão especial na Câmara dos Deputados para analisar propostas de redução da jornada de trabalho aumenta a mobilização de sindicatos, movimentos populares, especialistas em saúde do trabalhador e entidades ligadas ao mundo do trabalho. Confira os passos para a votação do fim da escala 6×1 com a TVT News.
PEC do fim da escala 6×1 avança na Câmara
A pauta ganhou força principalmente após o crescimento das denúncias sobre adoecimento físico e mental provocado por jornadas extensas, baixos salários e dificuldade de convivência familiar.
A chamada escala 6×1, modelo em que a pessoa trabalha seis dias consecutivos e descansa apenas um, é bastante comum em setores como comércio, telemarketing, supermercados, logística, segurança privada, limpeza urbana e serviços terceirizados. Trabalhadores desses segmentos frequentemente relatam exaustão, dificuldade para estudar, falta de tempo para cuidados pessoais e redução do convívio social.
A comissão especial criada na Câmara vai analisar propostas que alteram a Constituição e a legislação trabalhista para permitir uma redução da jornada semanal sem redução salarial. O debate também dialoga com experiências internacionais de semana de quatro dias de trabalho e reorganização do tempo produtivo.
Os próximos dias serão decisivos para o avanço das propostas. O calendário da comissão prevê audiências públicas, seminários em diferentes estados e votação do parecer ainda em maio.
O que são PEC 221/2019 e o PL 1838/26
Entenda as diferenças entre a PEC e o PL do fim da escala 6×1.
A PEC 221/2019 é uma Proposta de Emenda à Constituição apresentada pelo deputado federal Reginaldo Lopes. O texto propõe mudanças constitucionais para reduzir a jornada máxima semanal de trabalho no país.
A medida dialoga com debates históricos sobre distribuição do tempo de trabalho, geração de empregos e melhoria das condições de vida da população trabalhadora.
Já a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton, também trata da redução da jornada e do enfrentamento da escala 6×1.

A proposta ganhou grande repercussão nas redes sociais e em mobilizações organizadas pelo movimento VAT — Vida Além do Trabalho, que reúne trabalhadores em defesa de melhores condições laborais e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
O PL 1838/26, por sua vez, busca regulamentar mecanismos de reorganização das jornadas e estabelecer parâmetros para adaptação das empresas. O projeto integra o conjunto de iniciativas que tratam do fim da escala 6×1 e da construção de modelos com maior proteção social.
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As propostas têm como argumento central a necessidade de atualizar a legislação trabalhista diante das mudanças tecnológicas e produtivas ocorridas nas últimas décadas. Defensores das medidas afirmam que a produtividade cresceu, mas isso não se refletiu em melhoria proporcional da qualidade de vida da classe trabalhadora.
Outro ponto frequentemente mencionado é o impacto da jornada extensa na saúde mental. Estudos citados durante os debates apontam crescimento de casos de ansiedade, depressão e síndrome de burnout entre trabalhadores submetidos a longos períodos de atividade e poucos momentos de descanso.
Além disso, especialistas defendem que a redução da jornada pode contribuir para geração de empregos. A lógica é que a divisão das horas de trabalho entre mais pessoas pode estimular novas contratações, especialmente em setores intensivos em mão de obra.
O tema também ganhou destaque internacionalmente após experiências de semana reduzida em países europeus. Em alguns casos, empresas relataram aumento de produtividade, redução do absenteísmo e melhora nos índices de satisfação dos trabalhadores.
Qual o calendário da comissão da PEC do fim da escala 6×1
A comissão especial da Câmara definiu um calendário de debates, audiências públicas e seminários regionais para discutir a PEC do fim da escala 6×1. O cronograma começou no final de abril e prevê votação do parecer em 26 de maio.
O prazo para apresentação de emendas começou em 30 de abril e deve seguir até 15 de maio, considerando sessões diárias na Câmara dos Deputados. O período permite que parlamentares proponham alterações ao texto analisado pela comissão.

No dia 5 de maio ocorreu a apresentação do plano de trabalho da comissão, além da deliberação de requerimentos. Já em 6 de maio foi realizada a primeira audiência pública com foco nos diagnósticos sobre o uso do tempo para o trabalho. Participaram representantes do Ministério do Trabalho, Organização Internacional do Trabalho (OIT), Ministério Público do Trabalho e magistratura trabalhista.
A programação também inclui seminários estaduais. A Paraíba recebeu atividades em 7 de maio, enquanto São Paulo sediará seminário em 14 de maio, no Palácio do Trabalhador, ligado à Força Sindical. Rio Grande do Sul, Maranhão, Belo Horizonte e Manaus também terão debates regionais.
Entre os principais eventos previstos está a audiência pública de 12 de maio sobre os aspectos econômicos da redução da jornada de trabalho. O encontro deve reunir representantes do Ministério da Fazenda, Ipea, Unicamp e OCDE.
No dia 13 de maio serão realizadas duas audiências. A primeira discutirá negociações espontâneas e experiências concretas de redução de jornada em empresas. A segunda tratará dos impactos sociais da medida e da importância do diálogo social.
Outra audiência importante ocorrerá em 19 de maio, abordando os impactos sobre a vida das mulheres e a saúde da população trabalhadora. O debate contará com representantes do Ministério das Mulheres, Ministério da Saúde, Fenatrad e Fundacentro.
Ainda em 19 de maio haverá audiência dedicada à perspectiva da classe trabalhadora, com participação de centrais sindicais e confederações setoriais.
O parecer da comissão está previsto para ser apresentado em 20 de maio. Após pedido de vista e sessões regimentais, a votação final deverá ocorrer em 26 de maio.
Debate sobre o uso do tempo para o trabalho
O primeiro eixo debatido pela comissão envolve o uso do tempo e os impactos das jornadas longas na vida cotidiana da população trabalhadora. Representantes da OIT, do Ministério Público do Trabalho e da magistratura trabalhista apresentaram análises sobre os efeitos da sobrecarga laboral.
A discussão considera que trabalhadores submetidos à escala 6×1 enfrentam maiores dificuldades para acessar lazer, cultura, educação continuada e cuidados de saúde. Mulheres trabalhadoras são apontadas como um dos grupos mais afetados, principalmente devido à dupla jornada envolvendo trabalho remunerado e tarefas domésticas.
O debate também inclui a necessidade de políticas públicas para garantir equilíbrio entre produtividade econômica e qualidade de vida.
Aspectos econômicos da redução da jornada
Outro tema presente no plano de trabalho da comissão são os impactos econômicos da redução da jornada semanal. Especialistas devem discutir efeitos sobre produtividade, emprego, renda e organização empresarial.
Setores empresariais argumentam que mudanças abruptas podem elevar custos operacionais. Já defensores da PEC afirmam que experiências internacionais mostram potencial de aumento da eficiência produtiva quando trabalhadores têm mais tempo de descanso.
Economistas ligados ao mundo do trabalho também destacam que jornadas menores podem reduzir afastamentos por adoecimento e diminuir a rotatividade de funcionários.
Experiências concretas de redução da jornada
A comissão também reservou espaço para apresentação de experiências já implementadas em empresas e organizações. Casos ligados ao modelo “4 day week” serão apresentados durante audiência pública.
Empresas que adotaram jornadas reduzidas relatam, em alguns casos, melhora no ambiente interno e aumento do engajamento das equipes. Os debates devem avaliar quais modelos podem ser adaptados à realidade brasileira.
Impactos sociais e diálogo social
O plano de trabalho destaca a importância do diálogo social na construção de mudanças trabalhistas. Representantes sindicais, movimentos sociais e órgãos governamentais participam das audiências para discutir formas de implementação das propostas.
A presença do movimento VAT — Vida Além do Trabalho — demonstra o crescimento da mobilização popular em torno do fim da escala 6×1. Nas redes sociais, trabalhadores compartilham relatos sobre exaustão física e dificuldades financeiras mesmo após jornadas extensas.
O debate também envolve a necessidade de fortalecimento da negociação coletiva e da participação sindical.
Perspectiva dos empregadores
A comissão reservou uma audiência específica para ouvir representantes patronais e confederações empresariais. O encontro deve ocorrer em 18 de maio e abordará os limites e possibilidades da redução da jornada sob a ótica dos empregadores.
Empresários de setores intensivos em mão de obra argumentam que a adaptação pode exigir reorganização de turnos e contratação adicional. Já entidades sindicais defendem que a medida pode estimular geração de empregos e circulação de renda.
Mulheres trabalhadoras e saúde
Um dos pontos centrais da comissão será o debate sobre o impacto da escala 6×1 na vida das mulheres. O encontro de 19 de maio deve abordar desigualdades de gênero no mundo do trabalho e os efeitos da sobrecarga sobre a saúde física e mental.
Entidades ligadas às trabalhadoras domésticas e pesquisadores da saúde do trabalhador apontam que jornadas extensas dificultam acesso ao descanso, à convivência familiar e ao acompanhamento médico regular.

Também devem ser discutidas políticas de proteção à maternidade e divisão mais equilibrada das responsabilidades domésticas.
Trabalho rural também entra no debate
A programação da comissão inclui uma audiência pública sobre os impactos da redução da jornada no trabalho rural. O encontro ocorrerá em 25 de maio.
O objetivo é discutir as particularidades do setor agrícola e ouvir representantes patronais e trabalhadores rurais. A discussão considera diferenças regionais e características sazonais do trabalho no campo.
Votação do parecer está prevista para 26 de maio
A votação do parecer final da comissão especial está prevista para 26 de maio, às 10h. Após essa etapa, a PEC ainda precisará tramitar em outras fases na Câmara e no Senado antes de eventual promulgação.
O avanço do debate sobre o fim da escala 6×1 demonstra o fortalecimento da discussão sobre qualidade de vida, saúde laboral e reorganização do tempo de trabalho no Brasil. A expectativa de sindicatos e movimentos sociais é que o tema permaneça em destaque nos próximos meses.
Agenda da votação do fim da escala 6×1 na Câmara
Comissão especial da Câmara realiza audiências públicas, seminários regionais e prepara votação da PEC do fim da escala 6×1, confira:
PEC 221 e PEC 8/2025 discutem redução da jornada de trabalho
Comissão especial da Câmara realiza audiências públicas, seminários e debates sobre o fim da escala 6×1 e possíveis mudanças na jornada de trabalho no Brasil.
📌 O que está em debate?
As propostas tratam da redução da jornada de trabalho no Brasil e discutem impactos sociais, econômicos e trabalhistas da escala 6×1.
🏛️ PECs analisadas
- PEC 221/2019 — Deputado Reginaldo Lopes
- PEC 8/2025 — Deputada Erika Hilton
📅 Prazo para emendas
O prazo começou em 30 de abril e pode terminar em 15 de maio, caso haja sessões todos os dias.
Linha do tempo da comissão
Apresentação do plano de trabalho
Deliberação de requerimentos da comissão especial.
1ª Audiência Pública
Tema: Diagnósticos sobre o uso do tempo para o trabalho.
Luiz Marinho (Ministro do Trabalho), OIT, Ministério Público do Trabalho e representantes da magistratura trabalhista.
2ª Audiência Pública
Tema: Aspectos econômicos sobre a redução da jornada.
Ministério da Fazenda, IPEA, CESIT/UNICAMP e OCDE.
Negociações espontâneas e casos concretos
Debate sobre experiências de redução de jornada e semana de quatro dias.
Aspectos sociais e diálogo social
Secretaria-Geral da Presidência, SINAIT, DIEESE e Movimento Vida Além do Trabalho.
Seminário em São Paulo
Evento no Palácio do Trabalhador com participação de entidades sindicais.
Perspectiva dos empregadores
Audiência pública com confederações patronais.
Impactos sobre mulheres e saúde
Ministério das Mulheres, Ministério da Saúde, Fenatrad e Fundacentro.
Perspectiva da classe trabalhadora
Debate com centrais sindicais e confederações setoriais.
Apresentação do parecer
Relatório da comissão será apresentado com possibilidade de pedido de vista.
Votação do parecer
Comissão deve votar o texto final das propostas.

