Centrais sindicais celebram vitória histórica do fim da escala 6×1

Lideranças afirmam que pressão popular garantiu vitória histórica na Câmara e intensificam mobilização sobre o Senado
"Trabalhadores precisam continuar organizados", disse Nobre. Foto: Reprodução

A aprovação da PEC que acaba com a escala 6×1 na Câmara dos Deputados foi recebida como uma vitória histórica da classe trabalhadora por lideranças sindicais, movimentos sociais e representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em Brasília, dirigentes da CUT, CTB, Força Sindical e do Fórum das Centrais Sindicais afirmaram ao Jornal TVT News Primeira Edição que a mobilização popular foi decisiva para garantir a ampla aprovação da proposta e defenderam intensificação imediata da pressão sobre o Senado para assegurar a aprovação definitiva do texto. Saiba mais na TVT News.

A PEC foi aprovada em dois turnos pela Câmara na noite de quarta-feira (27), com 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno, além de 461 votos a favor e 19 contra na segunda votação. A proposta reduz gradualmente a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado por semana e proíbe redução salarial.

Lula: fim da escala 6×1 é “conquista civilizatória”

Logo após a votação, o presidente Lula comemorou o resultado e classificou a aprovação como uma “conquista histórica e civilizatória”. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que a medida devolve aos trabalhadores “o direito ao convívio com a família, ao descanso e à vida além do trabalho”.

“As duas folgas semanais significam mais tempo para estudar, se divertir, cuidar da saúde e ver os filhos crescerem”, escreveu Lula. O presidente também destacou o impacto positivo da medida sobre as mulheres trabalhadoras, que “historicamente e injustamente enfrentam jornada superior e desigual”.

Pressão no Senado

O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, afirmou que as entidades já iniciaram mobilizações em todos os estados para pressionar os 81 senadores.

“Nós estamos convocando toda a nossa militância para visitar os senadores e dialogar diretamente com eles”, disse. “As redes sociais também tiveram papel fundamental e continuarão sendo decisivas.”

Sérgio Nobre alertou que o empresariado deve ampliar a pressão sobre o Senado nas próximas semanas.

“Ontem a Câmara estava cheia de empresários tentando convencer deputados a votar contra. Eles vão fazer a mesma coisa no Senado. Por isso, os trabalhadores precisam continuar organizados.”

Durante a cobertura especial do TVT News em Brasília, o repórter Ricardo Weber destacou que a votação foi marcada por forte disputa política no plenário, pressão das centrais sindicais e intensa articulação do governo federal.

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Segundo o jornalista, parlamentares governistas e lideranças progressistas atuaram até os momentos finais para consolidar a maioria favorável. Weber citou articulações envolvendo a deputada Erika Hilton (Psol-SP), a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), o ministro Luiz Marinho e o deputado Guilherme Boulos (Psol-SP).

A vice-presidenta da CUT e presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, classificou a votação como um marco histórico comparável às mudanças da Constituição de 1988.

“A última vez que tivemos redução da jornada foi na Constituinte de 1988. De lá para cá muita coisa mudou. Houve avanços tecnológicos, inteligência artificial e aumento de produtividade. Mas os trabalhadores não se apropriaram desses ganhos”, afirmou.

Para Juvandia, a aprovação da PEC representa “um ganho social e um avanço civilizatório”, permitindo que trabalhadores tenham mais tempo para a família, o lazer, o descanso e os cuidados com a saúde.

Ela também destacou o protagonismo do governo Lula e das centrais sindicais na construção da pauta. “Essa pauta só ganhou força porque o presidente Lula defendeu publicamente a redução da jornada e porque houve uma grande mobilização social”, disse.

A dirigente lembrou ainda que manifestações ocorreram em diferentes regiões do país nos últimos meses, com forte mobilização nas ruas e nas redes sociais.

“O povo estava nas redes vigiando o que o Congresso estava debatendo”, afirmou. “A extrema direita tentou impor dez anos de transição e manobras para esvaziar a proposta, mas recuou quando percebeu o impacto eleitoral de votar contra uma pauta tão popular.”

Outro dirigente ouvido pela TVT foi Clemente Ganz Lúcio, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais. Ele ressaltou que a batalha agora se transfere para o Senado, onde empresários e setores conservadores já se articulam para alterar o texto aprovado pela Câmara.

“Foi um processo muito duro, com forte pressão empresarial dentro do Congresso”, afirmou. “Agora a tarefa se repete no Senado. Precisaremos manter mobilização nas bases, diálogo com parlamentares e pressão popular.”

Segundo Clemente, o objetivo das centrais é acelerar a tramitação da proposta e impedir atrasos regimentais.

“O Senado precisa reconhecer que houve amplo debate na Câmara e que a sociedade já demonstrou apoio claro à redução da jornada”, declarou.

O secretário nacional jurídico da CUT, Valeir Ertle, alertou para o risco de retrocessos após a apresentação de uma PEC alternativa articulada pela oposição no Senado.

“Essa madrugada foi protocolada uma proposta alternativa encabeçada por Rogério Marinho”, afirmou. “Ela altera profundamente o conteúdo aprovado na Câmara e tenta flexibilizar a jornada através de negociação individual.”

Valeir afirmou que a mobilização popular será novamente decisiva. “Foi a luta dos trabalhadores que garantiu essa vitória. Agora teremos que fazer ainda mais pressão sobre os senadores.”

O vice-presidente nacional da Força Sindical, Sérgio Leite, destacou que a aprovação representa uma luta histórica do movimento sindical brasileiro.

“Reduzir a jornada significa melhorar a qualidade de vida, humanizar o trabalho e garantir mais tempo para educação, cultura, família, lazer e saúde”, afirmou.

Já Ronaldo Leite, secretário-geral da CTB, classificou a aprovação como “uma vitória extraordinária da classe trabalhadora” construída pela unidade das centrais sindicais e movimentos sociais.

“Aprovamos uma etapa histórica na Câmara, mas sabemos que o desafio continua no Senado”, declarou.

Ao final da entrevista coletiva em Brasília, as lideranças sindicais reforçaram que a aprovação da PEC na Câmara representa apenas a primeira grande vitória da mobilização popular. A expectativa agora é transformar a pressão social em força política suficiente para garantir rápida aprovação da proposta no Senado e consolidar o fim da escala 6×1 como uma das principais conquistas trabalhistas do governo Lula.

Governo promete apoio a pequenos negócios

O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, afirmou que o governo Lula já trabalha na regulamentação da transição para o fim da escala 6×1, com atenção especial às micro e pequenas empresas. Durante o programa “Bom Dia, Ministro”, ele classificou a aprovação da PEC como “um dia histórico” e destacou que a votação expressiva na Câmara demonstra compromisso com a melhoria da vida dos trabalhadores.

Segundo o ministro, o governo estuda mecanismos para facilitar a adaptação de pequenos negócios à nova jornada de 40 horas semanais, sem comprometer a saúde fiscal do país. Entre as possibilidades analisadas estão flexibilizações para contratação de funcionários adicionais por microempreendedores individuais (MEIs) e medidas específicas para setores mais afetados.

Paulo Pereira também afirmou que a redução da jornada deve estimular a economia e ampliar a qualidade de vida dos trabalhadores. “As pessoas terão mais tempo para lazer, família, saúde e qualificação”, declarou. Para ele, a mudança representa um avanço social comparável a outras conquistas históricas dos direitos trabalhistas no Brasil.

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