O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou nesta segunda-feira (13/7) da apresentação, no Campus do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos (SP), da primeira turbina para geração de energia elétrica movida a etanol desenvolvida no país. A unidade é capaz de gerar 1 megawatt (MW) de potência, suficiente para abastecer aproximadamente 3.600 residências.
O projeto teve origem na adaptação da TR5000, principal plataforma de turbinas a gás desenvolvida pela AERO CONCEPTS para aplicações nos setores de energia e de defesa. A tecnologia foi reconfigurada para operar com etanol e destinada à geração de energia elétrica em solo.
O resultado é a UGEE1000BR, um protótipo funcional integrado a um contêiner transportável. A próxima etapa prevê a conexão da unidade a uma usina sucroenergética.
O projeto foi desenvolvido pela AERO CONCEPTS, em parceria com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), a FW Soluções Industriais e a GA Automation. “O Brasil passa a ser o sexto país do mundo a produzir uma turbina. E não é uma turbina qualquer, mas uma movida a etanol, em um país que é referência em combustíveis renováveis e do qual o mundo tanto precisa”, afirmou o presidente Lula.
Durante a apresentação, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, recordou a história do etanol no país. “O Brasil, que foi campeão da biolargada há 50 anos com o etanol. O etanol não só no biocombustível, mas também gerando energia elétrica, abrindo uma nova matriz energética.”
Luiz Fernandes, ministro substituto de Ciência, Tecnologia e Inovação, disse que a apresentação da turbina “representa um avanço relevante para a engenharia brasileira e amplia as possibilidades de aplicação de tecnologias estratégicas em diferentes áreas.”

O comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro do ar Marcelo Damasceno, comentou sobre a mobilidade e a confiabilidade da turbina. “Compacta, móvel e integrada em um contêiner de 20 pés, ela foi concebida para proporcionar rápido transporte, instalação e operação em localidades remotas, em cenários de calamidade ou sempre que se fizer necessária uma fonte confiável de energia.”
COMO FUNCIONA A TURBINA – À primeira vista, o funcionamento da UGEE1000BR lembra o de um motor de avião. A diferença é que, em vez de produzir empuxo para impulsionar uma aeronave, a tecnologia foi adaptada para gerar gases quentes por meio da queima de etanol, que acionam uma turbina de potência acoplada a um redutor e a um gerador elétrico, ambos de fabricação nacional.
O conjunto converte a energia térmica em eletricidade para aplicação em solo. O ciclo de operação tem início com a captação do ar ambiente, que é filtrado e comprimido antes de seguir para a câmara de combustão. Nesse estágio, o ar é misturado ao etanol, cuja queima produz gases em alta temperatura e pressão. Esses gases movimentam, inicialmente, a turbina geradora de gases e, na sequência, são direcionados para a turbina de potência, onde a energia é utilizada para o acionamento do sistema de geração elétrica.
Como a turbina de potência opera em rotações muito superiores às exigidas por um gerador elétrico convencional, o sistema utiliza uma caixa redutora para adequar a velocidade de rotação. Esse componente faz a interface entre a turbina e o gerador de forma compatível com a operação do equipamento. O resultado é uma unidade capaz de produzir 1 MW de potência.

Todo o sistema foi integrado em dois contêineres, sendo um contendo os componentes mecânicos (turbina, redutor gerador, tanques, trocadores, tubulações etc.) e outro contendo todos os sistemas elétricos (painéis de controle, supervisões, CCM, sincronismo, distribuição etc.), facilitando o transporte, a instalação e a operação em diferentes localidades.
Visita a turbina a etanol marca início de fase operacional do Programa Nacional de Testes de Biodiesel
O presidente também participou nesta segunda de agenda no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul (SP), que marcou o início da fase operacional do Programa Nacional de Testes de Biodiesel. Os estudos vão avaliar a viabilidade técnica de elevar a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel dos atuais 15% (B15) para percentuais entre 16% e 25% (B16-B25), conforme previsto na Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro.
O Instituto Mauá de Tecnologia atua como ponto focal da rede nacional de ensaios mecânicos dos programas de testes do biodiesel e do etanol, coordenando tecnicamente os laboratórios participantes e executando parte dos ensaios previstos.
“O Instituto Mauá é um exemplo de muita representatividade para o nosso país. Aqui é um centro de excelência, em que os jovens, meninas e meninos, podem colocar para fora o seu conhecimento em forma de inteligência”, disse o presidente Lula. “Nós precisamos de muitos engenheiros e engenheiras nesse país, porque a engenharia faz a gente transformar o nosso conhecimento em riqueza”, afirmou.

Durante sua fala, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, lembrou a longevidade do Instituto Mauá como formador de profissionais. “Estamos numa instituição que tem 65 anos, que é da sociedade civil organizada, instituição de excelência”, afirmou.
Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, disse que “o Instituto tem a responsabilidade de acelerar o processo dos testes, que foram exigidos na Lei do Combustível do Futuro”. “Não podemos avançar sem que os testes sejam feitos de forma segura”, acrescentou Silveira.
INFORMAÇÕES TÉCNICAS – Os estudos produzirão informações técnicas que poderão subsidiar futuras deliberações do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre eventual ampliação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel.
Os testes estão previstos para começar em agosto de 2026 e deverão ser concluídos em fevereiro de 2027. Os ensaios serão realizados em onze laboratórios mecânicos e cinco laboratórios físico-químicos. A Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá dispõe de 14 bancos de prova para motores de até 700 kW, utilizados em ensaios de desempenho, consumo, emissões e durabilidade.

Foto: Ricardo Stuckert
Os novos testes têm como objetivo produzir evidências científicas que permitam avaliar o desempenho, consumo, emissões, durabilidade, dirigibilidade e funcionamento dos motores com percentuais mais elevados de biodiesel, além de verificar estabilidade, armazenamento, transporte e qualidade das misturas ao longo da cadeia logística brasileira. O setor automotivo participa de todas as etapas do programa.
A eventual elevação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel dependerá da conclusão dos ensaios, da análise técnica dos resultados e da futura deliberação do CNPE. Além dos estudos sobre biodiesel, o Instituto Mauá participa das avaliações relacionadas à ampliação da mistura de etanol anidro na gasolina.
Com Agência Gov
