O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado, em substituição a Jaques Wagner (PT-BA).
O senador entregou o cargo nesta quarta-feira (24), em meio a investigação conduzida pela Polícia Federal relacionada ao escândalo do Banco Master.
Em nova fase da Operação Compliance Zero deflagrada na semana passada, Wagner foi alvo de mandado de busca e apreensão em endereços ligados a ele. Nos locais foram localizados 55 mil dólares e 33 mil euros – que totalizam cerca de 470 mil reais na cotação atual.
Também foram alvos Augusto Lima e o sobrinho de Jaques Wagner, Eduardo Sodré Martins, secretário no governo Jerônimo Rodrigues (PT-BA).
Em suas redes sociais, o senador afirmou que a prioridade absoluta agora é provar sua inocência e se dedicar a reeleger Lula e o governador Jerônimo Rodrigues, além de sua reeleição ao lado de Rui Costa para o Senado.
Senador comenta nova fase da Compliance Zero em entrevista
O senador também se manifestou na quinta-feira (18) em entrevista exclusiva à BandNews TV. O líder do Governo no Senado e alvo da nona fase da Operação Compliance Zero afirmou não estar envolvido nas supostas irregularidades investigadas pela Polícia Federal.
A entrevista ocorreu nos estúdios da Band Bahia, conduzida pelos jornalistas Victor Pinto e Paula Valdez.
Na entrevista, o senador afirmou que os 55 mil dólares e 33 mil euros apreendidos pela PF em endereços ligados a ele são referentes a diárias pagas pelo Senado. Parte dos valores teriam sido adquiridos por Wagner durante viagens ao exterior.
Em entrevista à Band News no mesmo dia, Wagner negou irregularidades e afirmou estar “absolutamente tranquilo” em relação à investigação.
A Polícia Federal acusa Jaques Wagner de ter recebido vantagens do banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.
Relembre o caso do Banco Master
No final de 2025, a Polícia Federal deflagrou a primeira etapa da Operação Compliance Zero, que culminou na prisão do ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro. A partir daí, veio à tona uma série de irregularidades cometidas pela instituição. Outras seis pessoas, além do banqueiro, também foram alvos de mandados de prisão, além do cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão.
Vorcaro teve sua prisão revogada pouco tempo depois, mas voltou a ser preso em 4 de março. O caso teve desdobramentos no Supremo Tribunal Federal, quando o então relator, Dias Toffoli, declarou sua suspeição em 11 de março, após a divulgação de que era sócio de uma empresa que vendeu, a fundos ligados a Vorcaro, parte de um resort no interior do Paraná. O ministro André Mendonça assumiu a relatoria do processo.
Além de Vorcaro, outras figuras surgiram nas investigações como parte de um esquema que inflava o valor de ativos financeiros para atrair mais clientes ao banco por meio de CDBs (Certificados de Depósito Bancário), um tipo de investimento popular, com rentabilidade pré-definida e garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), sendo, em geral, considerado seguro.
Desde que adquiriu o Banco Master (antigo Máxima), em 2019, Vorcaro elevou os ativos do conglomerado de R$ 3,7 bilhões para R$ 82 bilhões em 2024.
Para isso, segundo as investigações, o banco teria maquiado números para manter sua base de clientes — cerca de 1,6 milhão — enquanto comprometia sua liquidez real, ou seja, os recursos disponíveis para ressarcir investidores.
Toda essa movimentação mascarava a origem dos recursos provenientes do banco de Vorcaro que, após diversas transações, retornavam ao sistema e eram reinvestidos em CDBs no próprio Banco Master.
Seis fundos da Reag foram considerados suspeitos pelo Banco Central, com patrimônio total de R$ 102,4 bilhões, o que também culminou em sua liquidação em janeiro deste ano.

