O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), devem voltar a se reunir após o jantar realizado na terça-feira (4), em Brasília. O encontro marcou a primeira conversa entre os dois desde o agravamento da crise política provocada pela rejeição, no Senado, da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Saiba mais na TVT News.
A reunião teve como objetivo principal reconstruir a relação entre os dois, que passaram meses afastados. A reaproximação ocorre em um momento importante para o governo, que depende da articulação com o Senado para avançar em projetos considerados prioritários antes das eleições de outubro.
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Lula e Alcolumbre: saiba mais sobre a primeira reunião
O primeiro encontro entre Lula e Alcolumbre, no dia 4 de agosto, foi articulado pelos ministros do STF Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin e ocorreu na residência de Moraes, em Brasília.
O jantar incluiu os dois magistrados e durou mais de três horas. Segundo relatos sobre a conversa, os presidentes do Executivo e do Senado expuseram as mágoas acumuladas durante o período de afastamento.
Apesar das divergências, os dois teriam terminado a reunião com a avaliação de que as diferenças estavam superadas e de que seria possível retomar o diálogo. A conversa foi descrita como uma espécie de “jogo zerado”, abrindo espaço para uma nova etapa na relação entre o Planalto e o comando do Senado.
A participação de Moraes e Zanin foi decisiva para que o encontro acontecesse. Moraes tem proximidade política com Alcolumbre, enquanto Zanin mantém uma relação próxima com Lula desde o período em que atuou como advogado do atual presidente. A capacidade de articulação dos dois ministros contribuiu para colocar os dois políticos novamente na mesma mesa.
Antes da atuação dos ministros do Supremo, outros integrantes da classe política já tentavam promover a aproximação. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e os ministros José Guimarães, das Relações Institucionais, e José Múcio, da Defesa, também participaram das articulações para reduzir o desgaste entre Lula e Alcolumbre.
Um dos cuidados durante o jantar foi evitar uma discussão sobre uma eventual nova indicação de Lula ao STF. O tema poderia reabrir a principal ferida entre os dois. Segundo relatos, o presidente tem admitido a possibilidade de fazer uma nova indicação à Corte somente depois do resultado das eleições de 2026.
Afastamento ocorreu após indicação de Lula ao STF
A crise entre Lula e Alcolumbre começou a se aprofundar em novembro de 2025, quando o presidente anunciou Jorge Messias para ocupar a vaga aberta no STF com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A indicação enfrentou resistência no Senado e acabou sendo rejeitada pelos parlamentares.
A derrota foi considerada significativa para o governo federal e aumentou o desgaste entre Lula e o comando do Senado. Alcolumbre teve papel central na tramitação da indicação e, após a rejeição, a relação com o presidente ficou praticamente interrompida.
O episódio também expôs as dificuldades do Planalto para administrar sua relação com o Senado. Embora o governo mantenha uma base de apoio no Congresso, a rejeição de Messias mostrou que o Executivo não tinha controle sobre todos os votos necessários para aprovar uma indicação de tamanha importância.
Com o primeiro encontro após a crise, Lula e Alcolumbre tentam estabelecer uma relação mais pragmática. A intenção é evitar que o conflito em torno do STF continue contaminando as negociações sobre outras pautas de interesse do governo.
Lula e Alcolumbre devem discutir agenda do Congresso
O segundo encontro entre Lula e Alcolumbre deverá avançar para questões concretas da agenda legislativa. O governo tem interesse em destravar propostas consideradas prioritárias antes do período eleitoral, enquanto o presidente do Senado terá papel decisivo na definição do calendário de votações.
Entre os temas está o fim da escala de trabalho 6×1, uma das principais bandeiras do governo Lula para a campanha de reeleição. A redução da jornada de trabalho ganhou espaço no debate político e pode ser utilizada pelo governo como uma das pautas de maior apelo social antes das eleições.
Outro assunto considerado prioritário é a PEC da Segurança Pública. A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, mas está parada no Senado desde 28 de maio. O avanço da matéria dependerá da articulação entre governo, líderes partidários e a presidência da Casa.
O calendário é considerado apertado. O Congresso retoma os trabalhos após o recesso em 10 de agosto, e o primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. Governistas ainda avaliam que há tempo para aprovar parte das propostas antes que a campanha eleitoral domine a agenda do Legislativo.
A reaproximação, portanto, pode ter efeitos diretos sobre a capacidade do governo de negociar votações no Senado. Depois de meses de tensão, o desafio será transformar o entendimento construído no jantar em uma relação política capaz de destravar pautas de interesse do Executivo, sem que a disputa em torno da indicação ao STF volte a provocar um novo rompimento.