O assessor do presidente russo Vladimir Putin, Nikolai Patrushev, esteve em Brasília nesta terça-feira (4) para uma série de reuniões sobre cooperação entre Brasil e Rússia. O representante russo se encontrou com o ministro da Defesa, José Múcio, e com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim. Saiba mais na TVT News.
Patrushev também conversou com Maria Laura da Rocha, secretária-geral do Itamaraty, e com o comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen. A agenda incluiu ainda reuniões nos ministérios de Portos e Aeroportos e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
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Rússia propõe cooperação nuclear ao Brasil
Na reunião com José Múcio, Patrushev discutiu cooperação em segurança e defesa. Segundo o assessor de Putin, a experiência russa na área nuclear pode contribuir para o desenvolvimento do Labgene, projeto brasileiro ligado à construção do primeiro submarino nuclear do país, o Álvaro Alberto (SN-BR).
Patrushev também afirmou que Moscou pode compartilhar projetos de pequenas usinas nucleares e baterias nucleares capazes de fornecer eletricidade para regiões remotas do Brasil. Não foram divulgados detalhes sobre possíveis acordos ou cronogramas.
No encontro com Celso Amorim, foram discutidos temas relacionados à segurança internacional e projetos conjuntos nas áreas marítima, científica e tecnológica. Patrushev também ocupa a presidência do Conselho Marítimo da Rússia.
Lula e Putin discutem relações bilaterais
Ainda na terça-feira (4), Lula e Putin conversaram por telefone por iniciativa do governo brasileiro. Segundo o Kremlin, os presidentes trataram do fortalecimento das relações entre os dois países e avaliaram resultados da reunião da Comissão Rússia-Brasil de Alto Nível, realizada em Brasília no início de 2026.
Putin agradeceu a Lula pelos “esforços para contribuir com uma solução política e diplomática para o conflito” na Ucrânia. Os dois também discutiram o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo o governo brasileiro, Lula “expressou sua decepção com a incapacidade” do Conselho de Segurança de encaminhar soluções para os conflitos internacionais. A nota do Planalto não cita diretamente a guerra na Ucrânia.
Alckmin defendeu parceria estratégica com a Rússia
Em 5 de fevereiro de 2026, o vice-presidente Geraldo Alckmin já havia defendido o aprofundamento das relações entre Brasil e Rússia durante reunião com o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, em Brasília.
“Parcerias sólidas não dependem apenas da conjuntura, mas de interesses estruturais bem compreendidos”, afirmou Alckmin. Segundo ele, os dois países possuem “ampla base produtiva, recursos naturais estratégicos, capacidade tecnológica e mercados internos relevantes”.
Na ocasião, o vice-presidente também avaliou que o comércio bilateral estava abaixo do potencial. Em 2025, as trocas comerciais entre Brasil e Rússia somaram US$ 10,9 bilhões.
Alckmin citou energia, ciência, tecnologia, infraestrutura, logística e desenvolvimento sustentável entre as áreas com potencial para ampliar a cooperação. Também defendeu investimentos russos no Brasil nos setores de química, fertilizantes, energia, equipamentos industriais e infraestrutura.