Uma nova etapa do programa Desenrola começa a funcionar nesta segunda-feira (10). O Desenrola Adimplentes oferece crédito com juros menores para trabalhadores informais que mantêm suas dívidas em dia e estabelece condições especiais para estudantes e empresas que estão adimplentes com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Segundo o governo federal, a expectativa é que até 500 mil trabalhadores informais e 100 mil beneficiários do Fies procurem o programa. A nova modalidade integra o Desenrola 2.0, lançado em junho.
As regras foram aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na última sexta-feira (7), após a publicação da Medida Provisória nº 1.382, em 1º de agosto.
Como funciona o Desenrola Adimplentes
As operações serão financiadas com recursos próprios das instituições financeiras e dinheiro da União. 30% do valor será bancado pelos bancos e 70% virão de recursos públicos.
Inicialmente, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil disponibilizarão as linhas de crédito. Outras instituições financeiras poderão aderir posteriormente.
A mudança nas regras busca ampliar a participação dos bancos e permitir que os recursos transferidos pela União sejam combinados com capital próprio das instituições participantes.
Podem participar trabalhadores sem carteira assinada que não sejam servidores públicos, aposentados ou pensionistas do INSS.
É necessário ter um crédito pessoal não consignado com saldo devedor, ter pago pelo menos quatro parcelas e estar com a dívida em dia ou com atraso de até 90 dias. A condição deve ser atendida tanto em 29 de junho de 2026 quanto no momento da contratação.
O saldo devedor deve ser de até R$ 15 mil por instituição financeira.
A dívida antiga será substituída por um novo crédito, com juros de até 1,99% ao mês. A nova prestação não poderá superar 90% da parcela anterior.
Também poderá ser liberado crédito adicional de até 50% do saldo devedor original, desde que a nova parcela permaneça dentro do limite estabelecido.
As operações terão garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que protege as instituições financeiras contra eventuais perdas.
Como contratar o Desenrola Adimplentes
No início do programa, trabalhadores informais devem procurar a Caixa ou o Banco do Brasil e solicitar uma análise de crédito. Mesmo quem possui dívida em outro banco poderá procurar as duas instituições públicas, que farão uma nova avaliação.
No Banco do Brasil, beneficiários do Fies podem solicitar a renegociação pelo aplicativo, no caminho Soluções de Dívidas > Central de Renegociações > FIES, ou procurar uma agência.
Na Caixa, a operação pode ser feita pelo SIFESWEB ou presencialmente nas agências.
Bloqueio de apostas
Uma das condições para participar do Desenrola Adimplentes é aceitar o bloqueio do CPF em plataformas de apostas online por seis meses.
A medida busca impedir que o crédito oferecido pelo programa, com juros mais baixos, seja utilizado em apostas. Durante o período, o beneficiário não poderá criar ou acessar contas vinculadas ao CPF.
O governo recomenda que os interessados utilizem exclusivamente os canais oficiais dos bancos para realizar a contratação e evitar golpes.
Desenrola Fies
O programa também oferece condições especiais para estudantes com contratos do Fies celebrados até 2017, que estavam em fase de amortização em 4 de maio de 2026 e tinham menos de 90 dias de atraso naquela data.
Nesses casos, será possível obter 12% de desconto sobre o valor consolidado da dívida para pagamento à vista, incluindo o principal. O prazo para aderir à renegociação vai até 31 de dezembro de 2026.
Além disso, estudantes e empresas adimplentes com o Fies poderão acessar novas linhas de crédito para atividades empreendedoras.
Para pessoas físicas, o limite será de R$ 80 mil. Para empresas, de R$ 180 mil. Os juros poderão chegar a 11% ao ano, ou 0,87% ao mês.
O prazo máximo será de 60 meses para pessoas físicas e 96 meses para empresas. Para obter o crédito, o graduado precisa estar adimplente com o Fies há pelo menos 36 meses e não ter feito renegociação da dívida.