No Não Inviabilize, Lula defende diálogo com Trump

Em papo com As Cunhãs e Não Inviabilize, Lula trata de EUA, violência contra a mulher, igualdade de gênero, Minha Casa, Minha Vida, e eleição no Ceará
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Lula em entrevista aos canais Não Inviabilize e As Cunhãs. Imagem: Reprodução

Em entrevista aos podcasts As Cunhãs e Não Inviabilize, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou nesta sexta (14) temas centrais de sua gestão, desde a postura do Brasil no cenário global até os desafios da segurança pública e o combate à violência de gênero. Saiba mais na TVT News.

Confira os principais trechos da entrevista do presidente Lula

Com jabuticabas do Palácio do Planalto, Lula foi de tarifaço ao Minha Casa, Minha Vida na entrevista aos canais Não Inviabilize e As Cunhãs. Durante a conversa, Lula relembrou os 580 dias de sua prisão em Curitiba, falando sobre sua convicção na inocência e no reconhecimento do povo foi o que o sustentou até a vitória eleitoral.

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista.

Lula diz que Ciro Gomes é ‘personalista’ e afirma sobre eleição no Ceará: ‘Elmano vai ganhar’

O presidente também tratou da eleição no Ceará, Minha Casa Minha Vida, os prejuízos do vício em bets, e as mudanças que seu governo fez no Brasil. Em entrevista aos podcasts As Cunhãs e Não Inviabilize, Lula falou sobre Trump, Rubio, segurança pública, combate à violência contra a mulher, igualdade de gênero nas escolas, Minha Casa, Minha Vida, educação, bets e proteção animal.

Ao defender políticas voltadas à população mais pobre, Lula criticou a elite brasileira por, segundo ele, ter historicamente restringido oportunidades e afirmou que esse grupo deveria ter feito antes o que hoje seu governo busca ampliar.

“Eu tenho orgulho porque estou fazendo tudo que a elite brasileira deveria ter feito e não fez aqui. A elite brasileira queria que o Brasil fosse governado para 35% da população. Quando você pensa colocar todo mundo no bolo, aí é mais difícil”, afirmou o presidente.

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Lula defende diálogo com Trump, mas rejeita tarifas dos EUA

Lula afirmou às entrevistadas que pretende manter o diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar das divergências provocadas pelas tarifas impostas a produtos brasileiros. O presidente classificou como falsas as justificativas utilizadas pelo governo norte-americano para sobretaxar o Brasil e disse que pretende responder às acusações com dados.

Sobre a relação com Trump, Lula disse que Brasil e Estados Unidos têm interesse em manter uma relação estável, apesar das divergências. Lula também afirmou que não pretende transformar o conflito comercial em uma disputa entre os povos. Para ele, o Brasil deve continuar buscando boas relações com diferentes países, mas sem abrir mão de sua autonomia.

O presidente citou dados sobre a redução do desmatamento e disse que pretende apresentar a Trump informações que, segundo ele, contradizem as acusações feitas contra o Brasil.

Ao abordar as tensões diplomáticas, Lula citou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. O presidente afirmou que há movimentações que considera relacionadas a uma tentativa de interferência nos assuntos internos brasileiros, especialmente no processo eleitoral.

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Lula durante entrevista aos podcasts As Cunhãs e Não Inviabilize, em que falou sobre a relação com os Estados Unidos, segurança pública e combate à violência contra a mulher. Foto: Não Inviabilize/YouTube/Reprodução

Lula mencionou a decisão brasileira de adotar a chamada lei da reciprocidade e criticou a indicação de um novo embaixador norte-americano para o Brasil próximo às eleições. Segundo ele, o país deve tratar seus parceiros internacionais com respeito, mas exigir o mesmo tratamento.

“Eu só quero isso: não se meta nos negócios do Brasil. Quem vier dar palpite na eleição aqui desse país vai perder, porque esse país não abre mão. Apesar dos negacionistas, apesar dos traidores da pátria, apesar do meu adversário, tem um irmão lá falando mal do Brasil, falando inverdades contra o Brasil, pode vir para cá quem quiser, nós vamos derrotá-los e vamos fazer esse país ter muito orgulho da soberania.”

Lula destaca expansão do Minha Casa, Minha Vida e novas faixas de renda

Ao falar sobre o Minha Casa, Minha Vida, Lula defendeu que os projetos habitacionais considerem as necessidades reais das famílias, incluindo espaço para animais e áreas de convivência.

Durante a conversa, a entrevistadora Deia Freitas se emocionou, e contou que, assim como a mãe de Lula, sua mãe também morreu sem ter casa própria.

Lula fez coro às críticas de Deia Freitas a moradias muito pequenas, e contou que passou a defender a inclusão de varandas nos projetos após visitar unidades do programa – o que ele batizou de “varanda do pum”.

“Sabe qual foi a grande ideia minha depois de fazer a casa? Foi criar a varanda do pum. Eu fui nas casas e notei que nenhuma tinha uma varandinha. Eu falei: ‘Gente, vocês já perceberam que se põe quatro ou cinco pessoas numa sala pequena e alguém pode não estar bem? E alguém precisa soltar o pum, vai soltar onde? Na varanda. Tem que ter uma varandinha, cara.’ Então eu tenho orgulho de dizer, não tenho vergonha: eu sou o criador da varanda do pum no projeto Minha Casa, Minha Vida, porque respeita o ser humano”, disse o presidente.

Lula também defendeu que os projetos do Minha Casa, Minha Vida incluam bibliotecas, espaços de lazer e áreas de convivência, para que os conjuntos habitacionais não sejam pensados apenas como unidades de moradia. A proposta é criar ambientes que favoreçam o acesso à cultura, ao esporte e à convivência entre moradores, especialmente crianças e jovens.

Sobre Segurança Pública, Lula cita PEC que prevê mais participação da União

Na área da segurança pública, Lula explicou que a Constituição de 1988 estabeleceu os estados como responsáveis pelas polícias Civil e Militar. Na avaliação do presidente, a estrutura atual dificulta o enfrentamento de organizações criminosas que atuam em diferentes estados e possuem ramificações nacionais.

O governo apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que está em análise no Senado e pretende definir as responsabilidades da União, estados e municípios no combate ao crime organizado.

Lula afirmou que a aprovação da PEC abrirá caminho para a criação do Ministério da Segurança Pública. A nova estrutura deverá ser acompanhada de recursos para ampliar a capacidade da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional.

“Nós fizemos então uma PEC da segurança pública. Esta PEC está no Senado para ser votada, definindo qual é o papel da União, qual é o papel do Estado, qual é o papel da prefeitura, porque a prefeitura não tem que entrar também. Nós vamos ter que criar uma verba especial para que a gente possa preparar mais a Polícia Federal, mais a Polícia Rodoviária Federal, mais a Força Nacional, que nós temos que criar e saber como é que a gente vai agir, em que parte o governo federal vai agir.”

O presidente também anunciou a intenção de financiar a transformação de 138 delegacias estaduais em unidades prisionais de segurança máxima. A medida, segundo Lula, faz parte da estratégia de ampliar a capacidade de enfrentamento das organizações criminosas.

Ele defendeu ainda que as operações policiais e de inteligência tenham como alvo os responsáveis pelo comando e pelo financiamento das estruturas criminosas.

Para o presidente, violência contra a mulher exige mudança cultural

A violência contra a mulher também foi tema da entrevista. Lula defendeu o endurecimento das ações contra agressores, mas afirmou que a resposta ao problema não pode se limitar à punição depois que o crime acontece.

O presidente destacou a necessidade de prevenir a violência e promover mudanças culturais que reduzam comportamentos machistas e relações baseadas em desigualdade.

Ao comentar o tema, Lula fez uma afirmação direcionada aos homens que praticam violência contra mulheres e defendeu que o assunto seja tratado também no processo de formação das crianças e adolescentes.

“Homem que bate em mulher não precisa votar em mim. Eu acho que nós temos que fazer uma coisa muito mais forte. A gente pode ter lei, pode ter uma lei muito dura, mas a lei não vai resolver se a gente não mudar a cabeça das pessoas. É preciso começar a ensinar desde criança o respeito, a convivência e a igualdade entre homens e mulheres.”

A defesa da educação como ferramenta de prevenção amplia o debate para além da responsabilização dos agressores. A proposta é que a discussão sobre igualdade de gênero e respeito seja incorporada à formação das novas gerações, contribuindo para combater a naturalização da violência doméstica e de comportamentos machistas.

Para Lula, o enfrentamento da violência contra a mulher depende da atuação conjunta do poder público e da sociedade, combinando políticas de proteção, punição aos agressores e ações preventivas capazes de mudar comportamentos antes que a violência aconteça.

Lula critica impacto das bets sobre famílias

Outro tema abordado nas entrevistas foi o avanço das apostas online. Lula relatou preocupação com pessoas que comprometem recursos destinados a despesas básicas para apostar e comparou a situação com os antigos bingos.

O presidente afirmou que o governo estuda novas medidas para restringir os impactos das bets e citou a atuação dos ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Justiça no tema. Ele também mencionou mecanismos relacionados ao Desenrola, que impediram participantes do programa de continuar apostando durante determinado período.

Lula disse que pretende ampliar as dificuldades impostas às plataformas caso não sejam encontradas justificativas que demonstrem benefícios sociais para a atividade, e falou sobre o bloqueio para participantes do Desenrola, programa de quitação de dívidas do governo federal, que não podem apostar em sites com essa finalidade no período de um ano.

“Não é possível você saber que um homem ou uma mulher está normalmente gastando o dinheiro do leite do filho, sabe? Uma aposta. Está gastando o dinheiro da manteiga, o dinheiro do feijão. Não tem sentido isso.”

O presidente ainda contou que o governo sofreu muita resistência quando o bingo foi proibido no país. Ele comentou que foi visitado pela humorista Dercy Gonçalves, que reclamou que o bingo era sua única diversão.

Investigações e defesa de apuração sobre o próprio filho

Durante a conversa, Lula também foi questionado sobre investigações que envolvem aliados e integrantes de sua família. O presidente afirmou que não pretende interferir em investigações judiciais e disse que não fará juízo sobre decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Ao falar especificamente sobre seu filho, Lula afirmou acreditar na declaração de inocência dele, mas disse que não pretende pedir o encerramento ou impedir qualquer investigação. Segundo o presidente, eventuais acusações devem ser esclarecidas pelos instrumentos legais.

“Eu quero que ele seja investigado, não tem problema nenhum. Eu só quero que ele faça como eu fiz. […] Se não fez, então brigue. Não se acovarde, brigue.”

Lula afirmou ainda que, caso algum integrante de sua família seja responsabilizado por irregularidades, deverá responder pelos próprios atos.

Política, cuidados pessoais e proteção animal

A entrevista também passou por assuntos mais leves, em meio aos temas políticos. Lula comentou a influência da estética coreana em sua rotina e brincou ao ser questionado pelas apresentadoras sobre cuidados pessoais e a possibilidade de ter feito procedimentos estéticos. O presidente contou que passou a usar hidratantes por influência da primeira-dama, Janja, e negou ter feito botox, explicando que havia passado por uma cirurgia na cabeça.

O assunto surgiu após a visita de uma autoridade coreana, que, segundo Lula, levou produtos de cuidados pessoais. Em tom descontraído, o presidente contou que nunca havia tido o hábito de usar cremes, mas acabou incorporando a prática à rotina.

A conversa também chegou à proteção dos animais. Uma das apresentadoras questionou Lula sobre políticas públicas de castração, tema que, segundo ela, enfrenta dificuldades em diversos estados. O presidente afirmou que o governo já desenvolve ações voltadas à causa animal, mas reconheceu a necessidade de ampliar os investimentos.

“Tudo que nós fizemos de animal, para Patinhas, eu amo. Não tem nada aqui. Então, nós precisamos investir mais, presidente, em castração de animais. Fazer.”

O trecho acabou quebrando o tom mais sério da entrevista, que havia passado por temas como segurança pública, violência contra a mulher, desigualdade, educação e as eleições de 2026.

Lula ao vivo no Não Inviabilize

O “Não Inviabilize” recebeu o presidente Lula em seu canal no YouTube. O programa, criado em 2020 por Déia Freitas, é atualmente o maior podcast da sua categoria no Brasil, com mais de 500 milhões de reproduções e mais de 1 mil histórias disponibilizadas gratuitamente. Déia Freitas é considerada a mais importante e premiada contadora de histórias da podosfera brasileira.

Veja Lula ao vivo no As Cunhãs

O podcast “As Cunhãs” também transmite ao vivo a entrevista do Lula em seu canal no YouTube. O programa é comandado pelas jornalistas Inês Aparecida, Hébely Rebouças e Kamila Fernandes e tem como foco a política local, nacional e internacional, com atenção especial à política cearense.

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