Entenda a pesquisa Quaest para presidente, a primeira depois do horário eleitoral

Quaest mostra Cury em alta entre independentes e disputa apertada no 2º turno
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Como estão Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury nas intenções de voto para presidente - Fotos: Flickr e Instagram campanhas

A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2), mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da disputa presidencial de 2026, com 37% das intenções de voto no primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL) aparece em segundo, com 30%, enquanto Augusto Cury (Avante) chega a 10% e passa a ocupar isoladamente a terceira posição.

O levantamento é o primeiro realizado pelo instituto depois das sabatinas dos candidatos na TV Globo e do início do horário eleitoral gratuito. A pesquisa anterior, divulgada em 14 de agosto, mostrava Lula com 38%, Flávio com 31% e Cury com apenas 2%. O principal movimento da nova rodada, portanto, é o crescimento de oito pontos percentuais de Cury.

A análise dos dados feita pelo CEO da Quaest, Felipe Nunes, aponta que a eleição entra em uma fase marcada por dois movimentos simultâneos: de um lado, a liderança de Lula no primeiro turno; de outro, o acirramento da disputa com Flávio em um eventual segundo turno e o crescimento de Cury entre eleitores que não se identificam com os dois principais campos políticos.

O que diz a primeira pesquisa Quaest depois das sabatinas e do horário eleitoral

  • Lula lidera com 37% das intenções de voto no primeiro turno, mantendo estabilidade em relação às pesquisas anteriores.
  • Flávio Bolsonaro tem 30% e permanece como principal adversário do petista, consolidando a polarização.
  • Augusto Cury registra 10% e é o grande crescimento da rodada, saindo de 2% para dois dígitos.
  • Empate técnico no segundo turno entre Lula e Flávio, com diferença dentro da margem de erro.
  • Rejeição elevada tanto de Lula quanto de Flávio, com percentuais acima de 40% entre os entrevistados.
  • Avaliação do governo permanece estável, sem grandes oscilações após o caso envolvendo o filho do presidente.
  • Eleitores independentes são o principal fator de crescimento de Augusto Cury, que se posiciona como alternativa fora da polarização.

O que a pesquisa Quaest mostra sobre a corrida eleitoral

A fotografia da Quaest sugere que a campanha entrou em uma etapa diferente. Lula continua à frente no primeiro turno, mas a vantagem sobre Flávio não se reproduz no segundo turno. Ao mesmo tempo, o crescimento de Augusto Cury introduz uma variável importante na disputa, principalmente entre eleitores independentes.

Para Felipe Nunes, o avanço de Cury é um dos elementos centrais para compreender o novo cenário. O candidato do Avante reduziu fortemente seu nível de desconhecimento e ampliou seu potencial de voto depois do aumento da exposição nacional.

Onde estão esses 10% com intenção de votar em Cury?

O crescimento de Augusto Cury para 10% não é uniforme em todo o país. O voto no escritor concentra-se principalmente entre eleitores que se declaram independentes, sem identificação partidária forte, e que rejeitam tanto o PT quanto o PL. Há também penetração relevante entre eleitores de maior escolaridade e moradores de grandes centros urbanos, onde o discurso de renovação e de pacificação encontra mais ressonância.

Nesse grupo, o candidato do Avante chega a 24%, ficando numericamente à frente de Lula.

O crescimento também aparece regionalmente. Cury registra 12% no Nordeste, 10% no Sudeste e 9% no Sul. No Nordeste, Lula continua muito à frente, com 55%, enquanto Flávio tem 19%. No Sudeste, Lula e Flávio aparecem próximos, com 29% e 31%, respectivamente. Já no Sul, Flávio chega a 38%.

Intenção de voto por região

O mapa regional mantém uma característica conhecida da política brasileira: Lula preserva forte vantagem no Nordeste, enquanto Flávio apresenta melhor desempenho no Sul.

A novidade é a capacidade de Cury ocupar espaços nos diferentes territórios. Os 12% no Nordeste, 10% no Sudeste e 9% no Sul mostram que seu crescimento não depende de um único segmento geográfico.

Esse dado é importante porque ajuda a diferenciar o movimento de Cury de uma oscilação localizada. Ele aparece em diferentes regiões e, principalmente, entre eleitores que ainda não consolidaram sua escolha.

Intenção de voto por faixa etária

A idade também ajuda a explicar onde Cury encontra espaço. O candidato chega a 14% entre os eleitores mais jovens, justamente em uma faixa na qual Lula apresenta seu pior desempenho, com 30%.

Na outra ponta, entre eleitores com 60 anos ou mais, Cury tem apenas 4%, enquanto Lula alcança 45%.

O contraste mostra que o eleitorado jovem é hoje um dos principais espaços de crescimento do candidato do Avante. Ao mesmo tempo, Lula mantém uma posição mais forte entre os mais velhos.

O que a pesquisa Quaest mostra sobre a rejeição

A disputa entre Lula e Flávio aparece ainda mais equilibrada quando a pergunta muda da intenção de voto para a rejeição.

Flávio Bolsonaro tem 55% de rejeição, enquanto Lula registra 53%. Ou seja, os dois aparecem praticamente empatados no indicador de eleitores que conhecem o candidato, mas afirmam que não votariam nele.

O dado ajuda a entender por que a vantagem de Lula no primeiro turno não se transforma em uma diferença semelhante no segundo. A rejeição elevada dos dois candidatos reduz o espaço disponível para crescimento e aumenta a importância dos eleitores que ainda circulam fora dos dois polos.

Cury, por sua vez, também aumentou sua rejeição. Segundo Felipe Nunes, o índice passou de 16% para 25%. O movimento, porém, veio acompanhado de uma forte redução no desconhecimento do candidato: de 74% para 54%. Seu potencial de voto também dobrou, de 10% para 21%.

Intenção de voto no 2º turno na pesquisa Quaest

No segundo turno, Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados. O presidente registra 42%, contra 41% de Flávio Bolsonaro. Com margem de erro de dois pontos percentuais, a diferença está dentro do intervalo estatístico.

Na pesquisa anterior, Lula tinha 43% contra 40% de Flávio. A vantagem, portanto, diminuiu de três para um ponto percentual.

Lula também aparece à frente nas simulações contra os demais candidatos testados: marca 42% contra 37% de Caiado; 43% contra 36% de Renan Santos; e 44% contra 33% de Romeu Zema. Pela primeira vez, a Quaest também testou um segundo turno entre Lula e Cury, com 40% para Lula e 34% para Cury.

De quem o eleitor tem mais medo?

Outro indicador reforça a proximidade entre os dois principais polos.

Segundo a análise de Felipe Nunes, 43% dos entrevistados dizem ter mais medo da volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto outros 43% afirmam ter mais medo da continuidade do governo Lula.

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O empate nesse indicador mostra que a disputa não se resume às intenções positivas de voto. Lula e Flávio também mobilizam parcelas semelhantes do eleitorado a partir da rejeição e do receio em relação ao adversário.

Voto consolidado

Apesar da disputa apertada, os eleitores de Lula e Flávio apresentam elevado grau de convicção.

Entre os que afirmam votar em Lula, 80% dizem que a decisão é definitiva. Entre os eleitores de Flávio, 75% afirmam que não pretendem mudar de voto.

A situação é diferente entre os candidatos que tentam ocupar espaço fora da polarização. O crescimento de Cury ocorre em um eleitorado no qual ainda existe maior possibilidade de mudança.

O próprio desempenho de Cury mostra isso: embora tenha 10% no primeiro turno, seu eleitorado ainda está menos consolidado. O candidato tem 52% de eleitores que consideram a escolha definitiva, enquanto 48% admitem que podem mudar de voto.

Dark Horse e Lulinha: os casos afetam as campanhas?

A pesquisa Quaest também mediu a percepção dos eleitores sobre dois casos que passaram a ocupar espaço no debate político: as investigações envolvendo Fábio Luís, filho do presidente Lula, e o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, conhecido como Dark Horse.

Segundo Felipe Nunes, os dois episódios alcançaram níveis semelhantes de conhecimento público: quase sete em cada dez brasileiros afirmam ter tomado conhecimento das investigações em cada um dos casos.

Entre os que acompanharam o caso envolvendo Lulinha, 22% consideram convincentes as explicações dadas por Lula. A avaliação positiva está concentrada principalmente entre eleitores lulistas e de esquerda.

No caso do financiamento do filme, 24% dos que tomaram conhecimento consideram convincentes as explicações de Flávio Bolsonaro. Nesse caso, a avaliação positiva é mais forte entre bolsonaristas e eleitores de direita.

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Reprodução da matéria do The Intercept Brasil que traz planilha e comprovante bancário mostram como Vorcaro enviou dinheiro aos EUA para financiar Dark Horse

O impacto eleitoral potencial também é parecido, embora os percentuais sejam ligeiramente diferentes.

Para 40% dos entrevistados, o caso envolvendo Lulinha pode prejudicar muito a campanha de Lula. Outros 31% avaliam que a investigação não vai prejudicar a campanha.

Em relação ao caso Dark Horse, 42% acreditam que a investigação pode prejudicar muito a campanha de Flávio Bolsonaro, enquanto 29% dizem que não haverá prejuízo.

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A simetria dos resultados é relevante: os dois campos políticos reconhecem os próprios argumentos e rejeitam as acusações contra seus candidatos, enquanto uma parcela significativa do eleitorado vê potencial de desgaste nos dois episódios.

Avaliação do governo e do presidente Lula

A avaliação do governo é um dos pontos de maior atenção para a campanha de Lula.

A Quaest registra 45% de aprovação e 48% de desaprovação ao governo federal. Outros 7% não souberam ou não responderam. Na pesquisa anterior, realizada em agosto, os números eram 46% de aprovação e 48% de desaprovação. A mudança, portanto, ocorre dentro da margem de erro.

Na avaliação qualitativa da gestão, 37% consideram o governo negativo, enquanto 35% o avaliam positivamente. Outros 25% classificam a administração como regular.

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O ponto de atenção identificado por Felipe Nunes está nos eleitores independentes. Segundo o CEO da Quaest, em julho havia empate entre aprovação e desaprovação nesse segmento. Agora, a desaprovação aparece 17 pontos acima da aprovação.

Esse movimento é relevante porque os independentes também são justamente o grupo no qual Cury apresenta seu melhor desempenho eleitoral. A mesma parcela do eleitorado que pode decidir a disputa entre Lula e Flávio é aquela em que o candidato do Avante encontrou maior espaço.

Economia continua como desafio para o governo

A avaliação econômica ajuda a explicar parte desse comportamento.

Felipe Nunes destaca o chamado problema de affordability, que mede a relação entre renda e custo de vida. Segundo os dados da pesquisa, apenas 10% dos brasileiros afirmam que sua renda aumentou mais do que o custo de vida.

Para os demais, o aumento de renda não foi suficiente para produzir melhora no padrão de vida, a renda permaneceu estável ou diminuiu. Na avaliação do CEO da Quaest, medidas como o Desenrola e a isenção do Imposto de Renda ainda não conseguiram alterar de forma significativa essa percepção.

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