O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça passou a receber mais críticas do que manifestações de apoio nas redes sociais pela primeira vez desde o início da crise que envolve integrantes da Corte. Leia em TVT News.
O dado aparece em levantamento da Ativaweb DataLab realizado na terça-feira (8), que identificou uma mudança no debate digital à medida que novos personagens e instituições passaram a ocupar o centro das discussões.
Segundo o monitoramento, Mendonça concentrou 52,8% de menções críticas nas publicações que o citaram em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok. As manifestações de apoio representaram 33,5% das interações, enquanto 13,7% foram classificadas como neutras.
A mudança ocorre depois de um período em que o ministro aparecia de forma diferente no ambiente digital. Para a Ativaweb DataLab, o crescimento das críticas representa o dado mais significativo do levantamento do dia, por indicar uma alteração na percepção manifestada pelos usuários das redes sobre Mendonça.
A ampliação das reações negativas ganhou força após a decisão do ministro de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, do cargo. Mendonça afirma ter sido alvo de arapongagem por parte do chefe da PF.
O episódio ampliou o alcance da crise e levou as redes sociais a questionarem não apenas os fatos que deram origem à controvérsia, mas também decisões, competências e disputas envolvendo autoridades de diferentes instituições da República.
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Crise passa a atingir mais personagens
Apesar do aumento da rejeição a Mendonça, o levantamento mostra que Alexandre de Moraes continua sendo o ministro mais atacado nas redes sociais. De acordo com a Ativaweb DataLab, 88,4% das publicações que mencionaram Moraes tiveram conteúdo crítico.
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Para a empresa responsável pelo monitoramento, porém, a mudança mais relevante está no alargamento dos alvos do debate. A discussão deixou de ficar concentrada em um número restrito de personagens e passou a atingir diferentes autoridades e instituições.
Nas primeiras fases da crise, boa parte das conversas nas redes girava em torno das mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Com o desenvolvimento dos acontecimentos, as decisões tomadas por Mendonça também passaram a ser submetidas a maior escrutínio público.
O resultado é uma discussão mais ampla, que envolve integrantes do STF, Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República, Advocacia-Geral da União e o Poder Executivo.
Ao todo, o monitoramento da terça-feira identificou 3,6 milhões de novos registros relacionados ao tema. No acumulado desde a intensificação da crise, já são mais de 66 milhões de menções envolvendo o Supremo, Banco Master, Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes, André Mendonça, Polícia Federal, PGR e representantes do governo federal.
Debate deixa de girar apenas em torno de personagens
O cientista de dados Alek Maracajá, responsável pela análise das postagens, avalia que o dia 8 de setembro marcou uma mudança importante na dinâmica da discussão digital.
Segundo ele, o vocabulário utilizado nas redes passou a incorporar, de maneira crescente, termos ligados ao funcionamento das instituições e às disputas de poder. Palavras como competência, autonomia, investigação, plenário, Polícia Federal, PGR, AGU e Presidência do STF ganharam espaço nas conversas.
A alteração indica que a crise passou a ser debatida para além das figuras diretamente envolvidas nos episódios que deram origem à controvérsia.
Na avaliação de Maracajá, a presença simultânea de ministros atuais e aposentados do Supremo, além de autoridades como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Andrei Rodrigues, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, mostra que a discussão ganhou maior dimensão institucional.
Também aparecem no debate Daniel Vorcaro e o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, entre outros nomes ligados aos acontecimentos e às disputas políticas em torno da crise.
Moraes ainda é mais rejeitado
O levantamento aponta que o ambiente digital não substituiu Alexandre de Moraes por André Mendonça como principal alvo das críticas. O que ocorreu foi uma expansão do número de personagens submetidos ao desgaste público.
Moraes segue à frente na rejeição, mas Mendonça passou a enfrentar um volume de críticas superior ao de manifestações favoráveis. A mudança ocorre justamente quando decisões recentes do ministro colocaram seu papel no centro de uma discussão que envolve a Polícia Federal e outras instituições.
O cenário demonstra como crises políticas e institucionais podem ganhar novas dimensões nas plataformas digitais. À medida que surgem novos fatos e autoridades entram no debate, as conversas deixam de se concentrar apenas no episódio inicial e passam a envolver questões mais amplas relacionadas ao exercício do poder e à atuação das instituições.
Com mais de 66 milhões de menções acumuladas desde a intensificação da crise, o tema continua mobilizando um volume expressivo de discussões nas principais redes sociais.