Conheça as propostas do presidente Lula para a segurança pública

Propostas vão do combate ao crime organizado, adequação de 138 presídios para transformá-los de segurança máxima e combate ao feminicídio
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"Se a gente não trabalhar junto, a gente não consegue vencer", disse Lula. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A segurança pública é prioridade nas propostas do presidente Lula para o seu quarto mandato. Para que o país possa avançar no tema, o governo federal enviou ao Congresso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que garante participação maior do Executivo na parceria com os estados. O texto foi aprovado na Câmara dos Deputados e encaminhado ao Senado em 10 de março de 2026, onde espera por aprovação há seis meses.

Com as mudanças na Constituição, Lula pretende criar o Ministério da Segurança Pública e consolidar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), nos moldes do SUS. Hoje, pela lei, a responsabilidade está concentrada nos estados. Nas áreas dominadas pelo crime organizado, o presidente propõe avançar com as forças de segurança para recuperar territórios e devolver ruas e bairros à população.

Porque a PEC da Segurança Pública é importante?

O principal ponto é a integração entre as forças de segurança. Se o crime organizado não tem fronteiras nacionais e estaduais, o combate à ele não pode ter essas limitações. Com uma coordenação central e diálogo entre as polícias Federal, estaduais e municipais (hoje Guarda Municipal), a troca de informações permitirá estratégias conjuntas de inteligência e repressão. Com o Sistema Único de Segurança Pública no texto constitucional, ficam definidas as diretrizes nacionais de planejamento, padronização de informações e compartilhamento de dados de inteligência em tempo real.

O que a PEC da Segurança Pública propõe?

  • Maior rigor contra organizações criminosas, facções, milícias privadas e grupos paramilitares;
  • Sanções mais severas para líderes e integrantes desses grupos;
  • Maior proteção às vítimas de crimes;
  • Ampliação da atuação da Polícia Federal em crimes que ultrapassam as fronteiras estaduais e nacional;
  • Reestruturação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), ampliando seu patrulhamento ostensivo para ferrovias, hidrovias, além das rodovias sob jurisdição federal;
  • Melhoria na coordenação entre diferentes níveis de governo e órgãos de segurança pública;
  • Reforço da segurança local por meio da criação de polícias municipais. Regulamenta formalmente as Guardas Municipais como órgãos ostensivos de segurança pública local, autorizando competências para patrulhamento comunitário e prisões em flagrante dentro dos limites dos municípios;
  • Aprimoramento dos sistemas de controle dos órgãos de segurança pública por meio de corregedorias e ouvidorias autônomas;
  • Aumento dos recursos destinados à segurança pública e ao sistema penitenciário.

PRESÍDIOS – Lula vai transformar 138 unidades estaduais em presídios de padrão federal de segurança máxima. Implantação de bloqueadores de sinal, scanners corporais, reconhecimento facial e drones. No Brasil, existem 5 presídios de segurança máxima sob gestão direta do Sistema Penitenciário Federal vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Eles estão localizados em: Catanduvas – PR; Campo Grande – MS; Porto Velho – RO; Mossoró – RN; e Brasília – DF. 

As penitenciárias abrigam lideranças de facções criminosas, detentos de alta periculosidade e réus colaboradores sob proteção especial. As celas são individuais, sem comunicação externa, as visitas são restritas por parlatório/videoconferência e o monitoramento é feito por câmeras e inteligência em tempo real.  

ANDAR DE CIMA – Uma frente proposta para o próximo mandato é ampliar operações contra lideranças criminosas e seus braços infiltrados na política e no mercado financeiro, rastrear recursos e fechar as fontes de financiamento do crime organizado, como ocorreu na Operação Carbono Oculto, a maior já realizada no país de combate às cúpulas do crime organizado.

Veja o programa eleitoral de Lula com propostas para a segurança pública

COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES – Em 2026, o governo federal formulou o Pacto Nacional contra o Feminicídio. A estratégia integra os Três Poderes, estados, municípios e órgãos de segurança na prevenção ao crime. O diferencial é unir instituições que antes atuavam de forma dispersa; compartilhar responsabilidades e informações para prevenir agressões; proteger as vítimas; responsabilizar agressores; qualificar a produção de dados; e fortalecer redes de atendimento.

Para os próximos quatro anos, a ideia é fortalecer e ampliar as medidas de proteção às mulheres e realizar mutirões de prisão de agressores. A proposta reforça a resposta do poder público à violência contra a mulher e enfrenta os casos de agressão que podem culminar em feminicídio. 

A política pública deu resultados imediatos. Houve redução de 23,94% nos casos de feminicídio registrados em abril de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Dados mais recentes mostram que a tendência se manteve no balanço do semestre: entre janeiro e junho, o Brasil registrou queda de 2,5% nos feminicídios.

Nos primeiros 100 dias do pacto, também houve avanço na análise das medidas protetivas de urgência. Cerca de 53% das decisões passaram a ser proferidas no mesmo dia do pedido e 90% em até dois dias. Antes, o período habitual de análise chegava a cerca de 16 dias. Mais de 20 mil agressores foram presos. 

Outra medida foi o investimento de R$ 323 milhões para a expansão das Casas da Mulher Brasileira, que já realizaram 879 mil atendimentos em todo o país. Hoje, são 13 unidades em funcionamento e outras 31 em diferentes etapas de implantação. 

Monitoramento: Em abril de 2026, o presidente Lula sancionou a Lei nº 15.383, que estabeleceu a monitoração eletrônica do agressor como medida protetiva autônoma e determinou a disponibilização à vítima de aplicativo ou dispositivo de segurança capaz de alertar sobre sua aproximação. A legislação também prevê alerta automático e simultâneo à vítima e à unidade policial mais próxima quando o agressor rompe o perímetro de exclusão determinado. 

O governo federal criou o Programa Alerta Mulher Segura, que estabelece parâmetros nacionais para a aplicação da lei de monitoração. Mais de 6,5 mil mulheres já utilizam Unidades Portáteis de Rastreamento (UPRs). 

CELULAR SEGURO – O programa Celular Seguro já existe e foi criado por Lula. Com  ele, qualquer pessoa que tiver o celular roubado pode bloquear o número imediatamente. Quem roubou não vai conseguir utilizar o aparelho. No próximo mandato, o presidente vai ampliar a iniciativa para combater não apenas o roubo, mas a cadeia que transforma aparelhos roubados em negócio. 

A iniciativa permite que o cidadão comunique de forma rápida uma ocorrência de roubo, furto ou extravio e solicite o bloqueio do aparelho, da linha telefônica, ou de ambos. O alerta é encaminhado às operadoras de telefonia e aos bancos e instituições financeiras participantes, que podem bloquear o acesso às contas vinculadas ao aparelho, contribuindo para evitar fraudes financeiras. 

Para usar o recurso, o cidadão acessa o serviço com sua conta gov.br e cadastra previamente seu telefone e pessoas de confiança autorizadas a emitir um alerta caso ele não tenha acesso ao aplicativo após uma ocorrência. Além do bloqueio, o aplicativo permite consultar se um celular possui restrição por roubo, furto ou extravio. A funcionalidade pode ser usada por quem pretende comprar um aparelho usado, permitindo verificar a situação do dispositivo antes da aquisição. 

PropostaO que muda na vida
Ministério da Segurança PúblicaUm ministério dedicado à segurança pública para liderar o combate ao crime organizado em todo o país.
Sistema Único de Segurança Pública (SUSP)Um sistema unificado, nos moldes do SUS, integrando o trabalho das polícias federais, estaduais e municipais.
Polícia Federal fortalecidaMais policiais e mais investimento na inteligência da Polícia Federal.
Mais presídios de segurança máxima138 presídios estaduais transformados em presídios de segurança máxima para isolar os chefes das facções.
Retomada de territóriosLiberdade devolvida para quem vive em áreas sob domínio do crime organizado.
Pacto contra o Feminicídio fortalecidoMais medidas de proteção e mutirões de prisão de agressores de 

Quais as ações de Lula no combate ao crime organizado

O governo Lula passou a atacar a base financeira das facções. O resultado foi um prejuízo de R$ 42 bilhões nas contas dos criminosos. Somente em 2025, foram apreendidos R$ 16,9 bilhões, valor recorde que inclui apreensões de dinheiro vivo, imóveis, aeronaves, lanchas, veículos e joias, entre outros bens. Para comparar, em 2022, foram apenas R$ 1 bilhão em apreensões. 

Carbono Oculto: deflagrada em agosto de 2025, pela Polícia Federal, a operação foi a maior já feita contra o crime organizado no país. Revelou a infiltração dos criminosos no setor de combustíveis e no mercado financeiro de São Paulo, com mais de 350 alvos entre pessoas físicas e jurídicas e bilhões de reais em recursos e bens apreendidos.

Brasil contra o Crime Organizado: representou o maior investimento federal da história recente em segurança pública. São R$ 11,1 bilhões para ampliar a capacidade operacional das forças de segurança e apoiar os estados na modernização de suas estruturas. 

Lei Antifacção: Lula enviou a lei, aprovada no Congresso, que cria o crime de domínio social estruturado para facções ultraviolentas, com penas de até 40 anos. O texto estabelece o fim do indulto, da anistia e da fiança e o confisco antecipado e facilitado de bens do crime organizado. 

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Concurso para a PF: Do total de nomeações, 80 são destinadas ao cargo de policial penal federal; as outras 10 são para especialistas federais em assistência à execução penal. Foto: Senappen/Divulgação

Valorização da PF: O 1º trimestre de 2026 teve a menor quantidade de homicídios dolosos e latrocínios em uma década. Houve reforço no efetivo da Polícia Federal, com a autorização de concurso público e o preenchimento de todos os 2 mil cargos vagos. Em 2022, a PF contava com 11,6 mil cargos ocupados. Hoje, são 12,7 mil, com previsão de até 14,1 mil até o fim do ano. Também houve concurso para servidores administrativos da PF, com 192 cargos, e aumento de salário de maneira escalonada, entre 2024 e 2026, totalizando até 23% a mais que na gestão anterior.

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