Um levantamento da pesquisa Genial/Quaest, divulgado em 9 de agosto, aponta que o apoio do presidente argentino Javier Milei à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem gerado um efeito contrário ao esperado pelo bolsonarismo.
De acordo com os dados, 34% dos entrevistados afirmaram que o apoio de Milei aumenta as chances de votarem em Lula (PT). Em contrapartida, 27% disseram que o apoio eleva a possibilidade de voto em Flávio, enquanto 17% indicaram que a indicação do argentino os leva a considerar outro candidato.
A pesquisa, que ouviu 2.004 pessoas, também revela que 16% dos eleitores consideram que o apoio de Milei não faz diferença em sua decisão de voto, e 6% não souberam ou não responderam.
A divulgação foi feita em primeira mão pela coluna de Mônica Bergamo e traz à tona os impactos da participação do presidente argentino na convenção do PL, em 25 de julho.
Na ocasião, Milei fez discursos com ofensas ao presidente Lula e ao ministro do STF Alexandre de Moraes, o que pode ter influenciado a percepção do eleitorado sobre a aliança.
Apoio de Milei a Flávio Bolsonaro aumenta chance de voto em Lula para 34% dos brasileiros, diz Genial/Quaest
O principal recorte da Quaest mostra que o apoio de Milei produz efeitos diferentes sobre o eleitorado. Enquanto 34% dizem que a manifestação do presidente argentino aumenta a possibilidade de votar em Lula, 27% afirmam que passam a ter mais chances de escolher Flávio Bolsonaro. Outros 17% apontam aumento da possibilidade de votar em outro candidato.
Além disso, 16% afirmam que o apoio de Milei não faz diferença na decisão eleitoral e 6% não souberam ou não responderam. O resultado indica que, entre as opções apresentadas pela pesquisa, a reação mais frequente ao endosso de Milei é o aumento da possibilidade de voto em Lula.

Recorte por região: Nordeste é o mais impactado para Lula
O efeito associado ao apoio de Milei varia entre as regiões. No Nordeste, 51% dizem que a manifestação aumenta a chance de votar em Lula, enquanto 18% apontam aumento da possibilidade de votar em Flávio. No Sudeste, os percentuais são de 29% e 27%, respectivamente.
No Sul, 36% indicam maior possibilidade de votar em Flávio e 24% em Lula. No Centro-Oeste/Norte, 32% apontam Flávio e 31% Lula. A região também apresenta diferenças na proporção de eleitores que dizem que o apoio não faz diferença: 18% no Sudeste e no Sul, 14% no Nordeste e 12% no Centro-Oeste/Norte.
Mulheres reagem mais ao apoio de Milei
Entre as mulheres, 35% afirmam que o apoio de Milei aumenta a possibilidade de votar em Lula, contra 21% que dizem o mesmo em relação a Flávio. Outros 19% passam a considerar mais provável escolher outro candidato e 17% dizem que o endosso não altera sua decisão.
Entre os homens, a diferença entre Lula e Flávio é menor: 34% apontam aumento da possibilidade de votar no candidato do PL e 33% em Lula. Nesse grupo, 15% indicam outro candidato, enquanto outros 15% afirmam que o apoio de Milei não faz diferença.
Faixa etária: mais velhos rejeitam a influência argentina
Entre os eleitores de 16 a 34 anos, 30% dizem que o apoio de Milei aumenta a possibilidade de votar em Lula e 27% em Flávio. Outros 21% apontam aumento da chance de votar em outro candidato.
Na faixa de 35 a 59 anos, Lula aparece com 35% e Flávio com 29%. Entre pessoas de 60 anos ou mais, a diferença é maior: 41% afirmam que o apoio de Milei aumenta a possibilidade de votar em Lula, enquanto 23% dizem que aumenta a chance de escolher Flávio.
Recorte por Escolaridade: ensino fundamental é o mais propenso a Lula
O apoio de Milei também apresenta diferenças de acordo com a escolaridade. Entre entrevistados com ensino fundamental, 41% afirmam que a manifestação aumenta a possibilidade de votar em Lula, enquanto 23% apontam Flávio.
No ensino médio, os percentuais são de 32% para Lula e 30% para Flávio. Entre aqueles com ensino superior, 29% apontam Lula e 28% Flávio. Nesse último grupo, 23% afirmam que o apoio de Milei não faz diferença.
Renda familiar: o mais pobres reagem contra Milei
Entre os entrevistados com renda familiar de até dois salários mínimos, 44% dizem que o apoio de Milei aumenta a possibilidade de votar em Lula, enquanto 19% apontam Flávio. Outros 16% indicam outro candidato e 15% dizem que o apoio não faz diferença.
Na faixa de mais de dois a cinco salários mínimos, Lula aparece com 31% e Flávio com 30%. Entre os que vivem em domicílios com renda superior a cinco salários mínimos, os percentuais são de 30% para Lula e 31% para Flávio.
Religião: católicos são mais influenciados para Lula
Entre católicos, 42% afirmam que o apoio de Milei aumenta a possibilidade de votar em Lula, enquanto 25% apontam aumento da chance de escolher Flávio. Outros 14% indicam outro candidato e 15% dizem que a manifestação não faz diferença.
Entre evangélicos, o quadro é diferente: 33% dizem que o apoio aumenta a chance de votar em Flávio, contra 23% que apontam Lula. Outros 19% indicam outro candidato e 18% afirmam que o endosso de Milei não altera sua escolha.
Voto no 2º turno de 2022
Entre quem votou em Lula no segundo turno de 2022, 70% afirmam que o apoio de Milei aumenta a possibilidade de votar novamente no petista. Apenas 4% apontam aumento da chance de votar em Flávio.
Entre os eleitores que votaram em Jair Bolsonaro em 2022, 61% dizem que o apoio de Milei aumenta a possibilidade de votar em Flávio e 3% apontam Lula. Já entre os que votaram branco, nulo ou não foram votar, 35% indicam outro candidato, 22% Lula e 15% Flávio.
Aprovação do governo Lula
Entre os entrevistados que aprovam o governo Lula, 67% afirmam que o apoio de Milei aumenta a possibilidade de votar no presidente. Nesse grupo, 5% apontam Flávio e 13% outro candidato.
Entre quem desaprova o governo Lula, 52% dizem que o endosso de Milei aumenta a possibilidade de votar em Flávio. Lula aparece com 4%, enquanto 20% apontam outro candidato e 19% dizem que o apoio não faz diferença.
Posicionamento político
O posicionamento político é um dos recortes em que a diferença é mais acentuada. Entre lulistas, 79% afirmam que o apoio de Milei aumenta a possibilidade de votar em Lula, contra 2% para Flávio. Entre pessoas de esquerda não lulistas, os números são 78% e 2%.
Entre independentes, 20% apontam Lula e 16% Flávio. Já entre eleitores de direita não bolsonarista, 55% dizem que o apoio aumenta a chance de votar em Flávio e 6% em Lula. Entre bolsonaristas, a diferença é ainda maior: 77% apontam Flávio e 3% Lula.
O brasileiro sabe do apoio de Milei a Flávio Bolsonaro?
A pesquisa Quaest mostra que o apoio de Milei ainda não é conhecido pela maioria dos entrevistados. Ao todo, 55% disseram não saber que o presidente argentino declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, enquanto 45% afirmaram conhecer o endosso.
O conhecimento sobre o apoio de Milei varia bastante entre os segmentos pesquisados.
Entre os eleitores que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022 , 60% sabiam do apoio de Milei, ante 41% dos eleitores de Lula.
Quem desaprova o governo Lula também está mais informado (51%) do que quem o aprova (41%).
Por posicionamento político, os mais informados são os que se declaram de direita não bolsonarista (56%) e os de esquerda não lulista (54%), seguidos pelos bolsonaristas (51%).
A escolaridade também é um fator determinante: 67% dos que têm ensino superior sabiam do apoio, contra apenas 36% dos que têm ensino fundamental. Na renda, 62% dos que ganham mais de cinco salários mínimos estavam informados, ante 31% entre os que ganham até dois salários. A religião mostrou que católicos (45%) sabem ligeiramente mais que evangélicos (42%).

Região
No Nordeste, 64% disseram não saber do apoio de Milei e 36% afirmaram conhecer. No Centro-Oeste/Norte, os percentuais são de 58% e 42%, respectivamente.
Sul e Sudeste apresentam os maiores percentuais de conhecimento: 50% no Sul e 49% no Sudeste. Mesmo nessas regiões, porém, a parcela que desconhece o apoio permanece próxima da metade do eleitorado.
Sexo
Entre as mulheres, 69% afirmam não saber do apoio de Milei e 31% dizem conhecer a manifestação. Entre os homens, 60% afirmam saber do endosso e 40% desconhecem.
Faixa etária
O conhecimento cresce com a idade. Entre pessoas de 16 a 34 anos, 31% sabem do apoio e 69% não sabem. Na faixa de 35 a 59 anos, são 47% e 53%, respectivamente. Entre os entrevistados com 60 anos ou mais, 58% conhecem o apoio de Milei.
Escolaridade
Entre aqueles com ensino fundamental, 36% afirmam conhecer o apoio e 64% desconhecem. No ensino médio, são 43% e 57%. Já entre entrevistados com ensino superior, 67% sabem da manifestação e 33% não sabem.
Renda familiar
O conhecimento também aumenta conforme a renda. Entre quem vive em domicílios com renda de até dois salários mínimos, 31% sabem do apoio. O percentual sobe para 44% entre dois e cinco salários mínimos e chega a 62% entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos.
Religião
Entre católicos, 45% dizem saber do apoio de Milei e 55% desconhecem. Entre evangélicos, 42% afirmam conhecer e 58% dizem não saber da manifestação.
Voto no 2º turno de 2022
Entre quem votou em Lula em 2022, 41% afirmam conhecer o apoio de Milei e 59% desconhecem. Entre os eleitores de Bolsonaro, 60% sabem da manifestação e 40% não sabem. Entre quem votou branco ou nulo ou não compareceu, 31% conhecem e 69% desconhecem.
Aprovação do governo Lula
Entre quem aprova o governo Lula, 41% sabem do apoio de Milei e 59% não sabem. Entre os que desaprovam, 51% conhecem a manifestação e 49% desconhecem.
Posicionamento político
Entre bolsonaristas, 51% afirmam conhecer o apoio de Milei. O índice chega a 56% entre eleitores de direita não bolsonarista. Na esquerda não lulista, são 54%.
Entre lulistas, 36% sabem do endosso, enquanto 64% não sabem. Entre independentes, 37% conhecem e 63% desconhecem. Os dados mostram que o conhecimento do apoio de Milei não se distribui de maneira uniforme entre os grupos políticos.
Metodologia da pesquisa Quaest
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre 31 de julho e 3 de agosto de 2026, com 2.004 entrevistas presenciais e domiciliares com brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-06591/2026.
A amostragem foi feita em três estágios: sorteio de 120 municípios por probabilidade proporcional ao tamanho; seleção de setores censitários; e definição do número de entrevistados em cada setor de acordo com cotas de região, sexo, idade, escolaridade e renda familiar.
Os dados de referência utilizados incluem TSE 2026, PNAD 2026/1, PNAD 2025/1 e Censo 2022. O TSE mantém uma base pública de pesquisas eleitorais de 2026, com registros de pesquisas, questionários e outros documentos. Confira as pesquisas eleitorais para 2026 registradas no TSE