Em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington, o governo dos Estados Unidos afirmou que respeitará o resultado das eleições brasileiras, desde que realizadas de forma livre e justa. Leia em TVT News.
A declaração foi dada por fontes do Departamento de Estado americano à imprensa brasileira e ocorre em um momento de atritos entre os dois governos envolvendo questões diplomáticas, a indicação de um novo embaixador para o Brasil e medidas de reciprocidade entre os países.
Em posicionamento enviado à CNN Brasil e ao Metrópoles, um funcionário do Departamento de Estado afirmou que os Estados Unidos respeitam o povo brasileiro e qualquer governo escolhido livremente nas urnas. Segundo a declaração, Washington mantém relações com governos de diferentes correntes políticas no Brasil e considera importante preservar a relação bilateral.
“Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que eles escolham livremente por meio de eleições livres e justas no Brasil”, afirmou o representante americano.
Apesar das críticas feitas por Washington ao governo brasileiro, o Departamento de Estado sinalizou que não há interesse em romper as relações diplomáticas com o Brasil.
Declaração ocorre em meio a tensão diplomática
A relação entre os dois países passou por uma sequência de episódios de tensão nos últimos meses. Entre eles estão divergências relacionadas à concessão de vistos a autoridades americanas, à indicação do próximo embaixador dos Estados Unidos em Brasília e a decisões adotadas pelos governos de ambos os países.
Em março, o governo brasileiro negou vistos a uma delegação dos Estados Unidos que pretendia participar de um fórum relacionado a minerais críticos. Mais recentemente, vistos de viagem também foram negados a integrantes de alto escalão do Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado americano.
O governo dos Estados Unidos apontou esses episódios, juntamente com a demora brasileira para conceder o chamado agrément ao indicado para a embaixada americana, como parte do contexto que levou Washington a adotar uma medida de reciprocidade contra a representação diplomática brasileira.
Na terça-feira (4), o governo Trump revogou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Segundo o Departamento de Estado, a decisão ocorreu em resposta à demora do governo brasileiro em autorizar a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador americano em Brasília.
Indicação de Daniel Perez ainda depende do Brasil
O Senado dos Estados Unidos aprovou na sexta-feira (7) a indicação de Daniel Perez para representar o país como embaixador no Brasil. A aprovação pelo Legislativo americano, entretanto, não encerra o processo.
Para que Perez assuma oficialmente a representação diplomática em Brasília, é necessário que o governo brasileiro conceda o agrément, que corresponde ao consentimento do país que receberá o embaixador antes da nomeação formal.

Segundo as informações apresentadas pelas fontes americanas, o governo brasileiro sinalizou que a decisão provavelmente continuará sendo adiada e poderá ficar para depois das eleições brasileiras. Diplomatas americanos avaliam que o processo ainda pode levar algum tempo.
A demora tornou-se um dos pontos de atrito entre os governos de Lula e Trump. A situação também contribuiu para o agravamento das discussões diplomáticas entre Brasília e Washington.
Washington afirma que não quer romper relações
Apesar do tom crítico adotado pelo Departamento de Estado em relação a algumas decisões do governo brasileiro, a mensagem transmitida à imprensa foi de que os Estados Unidos pretendem preservar os vínculos com o Brasil.
“Não é a situação que nos interessa. Atribuímos grande importância às relações com o Brasil”, afirmou o funcionário americano ao Metrópoles.
A declaração foi acompanhada da lembrança de que Washington já manteve relações com governos brasileiros de diferentes posições políticas. Para o governo americano, a continuidade da relação bilateral não estaria condicionada à vitória de determinado grupo político nas eleições.
Eleições brasileiras entram no contexto diplomático
A proximidade das eleições também aparece nas discussões envolvendo a escolha do novo embaixador americano. De acordo com informações divulgadas pelas reportagens que servem de base para esta matéria, fontes do governo brasileiro avaliam que o agrément para Daniel Perez não deverá ser concedido antes do processo eleitoral.
O impasse ocorre enquanto os dois países lidam com outras divergências diplomáticas. De um lado, Washington critica decisões tomadas pelo governo brasileiro; de outro, Brasília mantém suas próprias posições em relação à atuação de autoridades americanas no país.
Nesse cenário, a declaração do Departamento de Estado sobre as eleições brasileiras ganha relevância por ocorrer em meio a uma relação bilateral marcada por disputas e cobranças.
O posicionamento americano, entretanto, não elimina os demais pontos de conflito entre os governos. A indicação de Perez continua pendente de autorização brasileira, enquanto a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti permanece como uma das medidas recentes adotadas por Washington.
A manifestação de que os Estados Unidos respeitarão o governo escolhido pelos brasileiros representa, portanto, uma sinalização sobre a continuidade das relações diplomáticas independentemente do resultado das urnas.
Ao mesmo tempo, permanecem em aberto questões relacionadas à representação diplomática, aos vistos concedidos ou negados e às divergências entre os dois governos.