A repercussão dos áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro transformou o caso Banco Master em um dos principais assuntos políticos do país nas redes sociais e na imprensa, segundo relatório do Instituto Democracia em Xeque. Leia em TVT News
Áudios de Flávio Bolsonaro geram milhões de interações e pressiona pré-campanha da direita
Relatório do Instituto Democracia em Xeque (DX), divulgado nesta quarta-feira (14) mostra que o episódio dos áudios de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro alcançou o maior nível de repercussão nacional dos últimos 30 dias, consolidando a expressão “BolsoMaster” como marca do desgaste político ligado ao pré-candidato bolsonarista.
Relatório mostra que áudios de Flávio Bolsonaro colocam Banco Master no centro do maior escândalo político das redes em 2026
Resumo do relatório do Instituto Democracia em Xeque:
- Caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro alcançou 360 mil menções em apenas um dia
- Debate gerou 8,6 milhões de interações nas redes sociais
- Perfis de esquerda lideraram publicações e engajamento sobre o tema
- The Intercept concentrou mais de 1 milhão de interações após divulgar os áudios
- Expressão “BolsoMaster” passou a dominar a repercussão política digital
- PT e PSOL tiveram os maiores índices de interação entre partidos
- Imprensa destacou contradições nas versões apresentadas por Flávio Bolsonaro
- Caso abriu debate sobre financiamento do filme “Dark Horse”
- Aliados da extrema direita demonstraram preocupação com impacto eleitoral
- Repercussão ampliou disputas internas no campo bolsonarista

Áudios de Flávio Bolsonaro levam caso Banco Master ao centro da crise política digital
O levantamento mostra que o eixo “Master e Flávio Bolsonaro” atingiu 360 mil menções no dia 13 de maio e outras 123 mil em 14 de maio, acumulando 8,6 milhões de interações nas plataformas digitais. O volume superou outros temas relacionados ao Banco Master, incluindo discussões envolvendo o STF e o senador Ciro Nogueira.
- Leia o relatório completo do Instituto Democracia em Xeque
De acordo com o relatório, o vazamento publicado pelo The Intercept Brasil funcionou como principal gatilho para a nacionalização do caso. A publicação dos áudios impulsionou o debate político e levou a discussão para além dos círculos tradicionais da direita bolsonarista.
A análise do Instituto DX aponta que perfis ligados à esquerda dominaram a circulação do tema nas redes. Entre 13 e 14 de maio, foram identificados 4.829 posts mencionando Vorcaro e Flávio Bolsonaro. O campo da esquerda respondeu por 1.469 publicações, enquanto a direita concentrou 1.133 e a imprensa 676.
Quem dominou o debate nas redes
Quando observadas as interações, a diferença cresce ainda mais. Perfis de esquerda acumularam 4 milhões de interações, contra 3,5 milhões da imprensa e 2,6 milhões da direita. Segundo o relatório, isso demonstra que o caso ganhou forte adesão de perfis que utilizaram o conteúdo dos áudios, das mensagens e dos valores associados ao financiamento do filme “Dark Horse” como ferramenta de desgaste político contra Flávio Bolsonaro.
O estudo também mostra que a imprensa teve papel central na ampliação do tema. O The Intercept Brasil liderou o ranking de interações com mais de 1 milhão de engajamentos. Em seguida aparecem veículos e figuras públicas como G1, UOL Notícias, GloboNews, Luiz Bacci, Lindbergh Farias e Guilherme Boulos.
Repercussão dos áudios de Flávio Bolsonaro dominou debate político digital
O relatório identifica que a principal frente de repercussão esteve concentrada no chamado cluster “Repercussão do áudio de Flávio para Vorcaro”. Esse eixo reuniu 36,8% de todo o conteúdo analisado e foi majoritariamente impulsionado por perfis de esquerda.
Entre os principais elementos destacados estavam os valores mencionados no financiamento do filme “Dark Horse”, as mudanças nas versões apresentadas por Flávio Bolsonaro sobre sua relação com Daniel Vorcaro e o uso do termo “BolsoMaster” para sintetizar a associação entre o clã Bolsonaro e o banqueiro.
A repercussão também atingiu diretamente a pré-campanha presidencial do senador. O boletim aponta que setores da imprensa passaram a levantar dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro após a divulgação dos áudios.
Nos bastidores políticos, começaram a circular especulações sobre uma eventual substituição do senador por Michelle Bolsonaro como cabeça de chapa da extrema direita, hipótese negada publicamente pelo parlamentar.
Outro aspecto relevante foi a exploração das contradições nas declarações do senador. O relatório destaca que veículos da imprensa apontaram inconsistências entre falas anteriores de Flávio Bolsonaro, que negava relação com Vorcaro, e o conteúdo dos áudios posteriormente confirmados pelo próprio senador.
Além da repercussão política, o episódio provocou tensões dentro da própria direita. O governador Romeu Zema criticou o caso publicamente, o que desencadeou ataques de setores bolsonaristas. Segundo o levantamento, aliados de Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro passaram a acusar Zema de tentar ocupar o espaço político de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
O documento também mostra que nomes tradicionalmente ligados à direita passaram a demonstrar desconforto com o caso. O comentarista Rodrigo Constantino declarou que o “estrago já está feito”, enquanto Kim Kataguiri afirmou que Flávio Bolsonaro “perdeu toda a moral para representar a direita”.
Esquerda ampliou pressão sobre Flávio Bolsonaro nas redes
Segundo a análise do Instituto DX, perfis ligados à esquerda conseguiram diversificar os discursos sobre o caso, relacionando os áudios a episódios anteriores envolvendo Flávio Bolsonaro. Publicações retomaram temas como rachadinhas, o caso Fabrício Queiroz, aquisição de imóveis, patrimônio da família Bolsonaro e suspeitas de favorecimento político.
Interações nas redes sociais
O relatório também aponta que canais alinhados ao governo federal passaram a apresentar o caso como símbolo de corrupção ligada ao bolsonarismo, ao mesmo tempo em que relacionavam a repercussão ao crescimento da aprovação do governo Lula e aos resultados recentes da pesquisa Quaest.
Outro aspecto de forte circulação foi a produção de memes e conteúdos humorísticos. O estudo afirma que influenciadores e perfis progressistas utilizaram montagens, referências cinematográficas e críticas envolvendo a Lei Rouanet para ampliar o desgaste político do senador.
Discursos que dominaram o caso
A direita, por sua vez, concentrou seus esforços em defender que o filme “Dark Horse” teria sido financiado exclusivamente com recursos privados, sem utilização de dinheiro público. Parlamentares bolsonaristas argumentaram que empresários podem financiar produções audiovisuais legalmente e tentaram enquadrar o episódio como perseguição política.
Estratégia de defesa da direita teve menor alcance
Mesmo assim, o relatório conclui que a estratégia defensiva teve alcance menor diante da amplitude das críticas. O levantamento indica que a esquerda conseguiu expandir o episódio para dimensões políticas, judiciais e eleitorais, enquanto a reação bolsonarista permaneceu concentrada em poucos argumentos centrais.
Perfis com mais engajamento
Outro dado relevante envolve os partidos políticos. O PT liderou as interações com 591 mil engajamentos, seguido pelo PSOL, com 561 mil. O PL apareceu em terceiro lugar, com 419 mil interações.
Partidos com mais interações
Para os pesquisadores do Instituto Democracia em Xeque, a repercussão dos áudios mostrou como crises digitais podem rapidamente atravessar o debate político, atingir a imprensa tradicional e provocar impactos na disputa eleitoral. O caso “BolsoMaster”, segundo o relatório, tornou-se referência da combinação entre escândalo político, viralização digital e disputa narrativa nas redes sociais brasileiras.
Esquerda venceu o debate sobre o caso Master
Esquerda domina o debate, mostra relatório
Perfis de esquerda lideraram a repercussão do caso tanto em volume de publicações quanto em interações. A imprensa teve menor participação em quantidade de posts, mas alcançou a maior média de engajamento. O termo “Bolsomaster” foi usado para consolidar o desgaste da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. PT e PSOL concentraram os maiores resultados entre partidos, indicando que a esquerda conseguiu transformar o conteúdo revelado em argumento de desgaste contra Flávio Bolsonaro, enquanto o PL atuou na defesa do financiamento privado.
Sobre o relatório BolsoMaster do Instituto Democracia em Xeque
Para a realização da pesquisa, foi utilizado o Talkwalker e o Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, com dados coletados e armazenados utilizando APIs públicas das plataformas Facebook, Instagram, YouTube, X/Twitter e TikTok.

A base de observação do Instituto é composta por uma lista de atores ligados ao debate político, entre eles políticos, influenciadores, mídia de referência e mídia partidária. A coleta de conteúdos é realizada a partir de perfis no Facebook e Instagram, canais do YouTube, perfis no X e no TikTok, com no total mais de 16 mil perfis.
Em 04/09/25, os dados quantitativos passaram a contabilizar como interações a soma de curtidas, comentários, compartilhamentos e visualizações das postagens em todas as redes sociais. A inclusão da quantidade de views nos vídeos do Instagram resultou no aumento significativo deste total.
