Caso Larissa: nova perícia tenta esclarecer dinâmica da morte de jovem baleada em casa

Laudo necroscópico deve auxiliar nas investigações, para identificar se Larissa foi vítima de feminicídio
Polícia apura se Larissa cometeu suicídio ou se foi assassinada pelo PM Vinicius Silva em Embu das Artes. — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

A Polícia Científica deve realizar nesta sexta-feira (11) uma nova perícia na casa onde Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, morreu após ser atingida por um tiro na cabeça, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. O imóvel era onde ela vivia com o marido, o policial militar Vinicius Costa Silva, preso temporariamente sob suspeita de envolvimento na morte. Mais informações em TVT News.

A nova análise deve utilizar scanner 3D e luminol para tentar reconstruir a dinâmica do disparo e identificar possíveis vestígios no local. A investigação ocorre após a divulgação do laudo necroscópico produzido pelo Instituto Médico-Legal.

Além de Vinicius, a irmã dele, Thamires Matias, de 19 anos, também é investigada por fraude processual. — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

O documento aponta diversas equimoses pelo corpo de Larissa, que são manchas, como roxos na pele, geralmente causadas por pancadas, contusões ou quedas. Foram identificadas marcas na mão esquerda, mão direita, pés, joelhos, perna esquerda e quadril esquerdo. O exame também encontrou escoriações na região anterior esquerda do pescoço e no joelho esquerdo.

O laudo, no entanto, não determina quando nem de que forma essas lesões foram provocadas. Portanto, o documento não permite afirmar que as marcas tenham sido resultado de agressões.

Outro elemento que pode ser investigado é a presença de muitos fios de cabelo soltos grudados na calça de Larissa. De acordo com o IML, esses fios não apresentavam sangue e foram coletados para análise. O documento ressalta que os cabelos da própria vítima estavam cobertos de sangue, mas não identifica a quem pertencem os fios encontrados na roupa.

O exame também descreve a coleta das extremidades das unhas das mãos para eventual análise de material subungueal, procedimento que pode auxiliar na identificação de vestígios.

O que o laudo revela sobre o disparo

A necropsia identificou um único disparo de arma de fogo. O projétil entrou pela região temporal esquerda da cabeça e saiu pelo lado direito. De acordo com a perícia, considerando o corpo em posição ereta, a trajetória foi “de trás para frente e da esquerda para direita”.

O orifício de entrada foi localizado cerca de três centímetros atrás da borda superior da orelha esquerda. O laudo descreve ainda uma área de contusão e chamuscamento no ferimento. A saída do projétil ocorreu na região direita da cabeça, provocando múltiplas fraturas no crânio.

A causa da morte foi definida como traumatismo cranioencefálico decorrente de ferimento por projétil de arma de fogo. O próprio laudo ressalta, porém, que a natureza jurídica da morte — ou seja, a definição sobre as circunstâncias em que ela ocorreu — ainda deverá ser esclarecida pela autoridade responsável pela investigação.

Vinicius Costa Silva foi preso temporariamente na última segunda-feira (7) , durante o velório da esposa, e teve a prisão mantida pela Justiça após audiência de custódia. Ele está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista.

A nova perícia no imóvel pode ser decisiva para confrontar os vestígios encontrados na casa com as informações do exame necroscópico e ajudar a investigação a identificar as circunstâncias do disparo.

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