PF diz que Eduardo Bolsonaro orientou como dinheiro de Dark Horse seria gerido nos EUA

Investigação aponta que fundo criado para empreendimento imobiliário ficou anos sem atividade antes de receber remessas destinadas à produção cinematográfica
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Ao menos parte dos US$ 10,6 milhões para financiar “Dark Horse” teria passado pela estrutura offshore nos EUA. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado Marcelo Camargo/Agência Brasil/Banco Master/Divulgação

A Polícia Federal (PF) apontou que o deputado Eduardo Bolsonaro teria orientado a forma como recursos destinados ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, seriam administrados nos Estados Unidos. Leia em TVT News.

Segundo as investigações, o fundo Havengate, sediado no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto, próximo de Eduardo, teria sido utilizado como veículo para receber valores destinados à produção cinematográfica.

De acordo com a PF, o fundo poderia receber US$ 24 milhões, cerca de R$ 122 milhões, provenientes do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os repasses, porém, foram interrompidos após a prisão do empresário.

As informações fazem parte das investigações relacionadas ao caso Master e se tornaram públicas após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo dos documentos na noite de quinta-feira (10). A decisão ocorreu a pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

A Polícia Federal sustenta que há elementos que justificam a investigação sobre a compatibilidade entre a estrutura financeira utilizada e a destinação declarada dos recursos para o filme.

Fundo teria permanecido sem atividade por quase quatro anos

Segundo o relatório da PF, o Havengate havia sido criado originalmente, em 2020, para um empreendimento imobiliário de US$ 21 milhões nos Estados Unidos. No entanto, de acordo com a representação policial, não há registro de propriedades em nome do fundo.

A corporação também menciona informações publicadas pelo site Intercept Brasil. A reportagem citada pela PF relatou que uma visita ao local onde deveria funcionar o empreendimento imobiliário não encontrou a estrutura prevista.

Ainda conforme a investigação, a Calixsan Capital Management LLC, gestora do fundo e controlada por Paulo Calixto e Altieris Santana, cancelou seus registros como gestora regulada de investimentos no Texas, em maio de 2021, e na Flórida, em setembro daquele ano.

Para a Polícia Federal, esse histórico chama atenção porque, segundo o cronograma inicial do empreendimento, o projeto imobiliário deveria estar em andamento naquele período.

O relatório afirma que o fundo permaneceu formalmente ativo, mas sem atividade pública registrada durante quase quatro anos. A situação teria mudado em fevereiro de 2025, quando ocorreu uma primeira remessa de US$ 2 milhões, enviada pela Entre Investimentos para o financiamento declarado do filme “Dark Horse”.

Segundo a PF, a utilização de um fundo originalmente criado para outro tipo de empreendimento, que teria permanecido sem atividade operacional durante anos, é uma circunstância que precisa ser investigada.

A corporação afirma que a reativação da estrutura financeira para receber remessas internacionais relacionadas a uma produção cinematográfica reforça a necessidade de verificar a compatibilidade entre o perfil do veículo utilizado e a destinação informada para os valores.

PF cita mensagens envolvendo Flávio, Vorcaro e publicitário

A investigação também menciona trocas de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, Daniel Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda.

Segundo a PF, o conteúdo dessas conversas é um dos elementos utilizados para fundamentar a abertura da investigação sobre o financiamento do filme.

As mensagens já haviam sido reveladas pelo Intercept Brasil e, de acordo com a Polícia Federal, indicam que Eduardo Bolsonaro teria participado das orientações sobre a forma de gestão dos recursos nos Estados Unidos. A investigação aponta ainda que ele teria indicado a utilização do Havengate para a operação.

O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro.

A apuração busca esclarecer a origem, a circulação e a destinação dos recursos que seriam utilizados na produção de “Dark Horse”, além de examinar a estrutura financeira escolhida para receber os valores nos Estados Unidos.

Dinheiro para filme de Bolsonaro era enviado por Daniel Vorcaro

Segundo a investigação, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro seria responsável pelo envio de recursos que, no total, poderiam chegar a US$ 24 milhões para o fundo ligado ao financiamento do filme.

Os repasses, entretanto, deixaram de ocorrer após a prisão de Vorcaro.

A primeira transferência identificada pela PF ocorreu em 13 de fevereiro de 2025, quando US$ 2 milhões foram remetidos pela Entre Investimentos.

A empresa pertence ao empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Ele firmou acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), homologado nesta semana pelo ministro André Mendonça.

A PF agora investiga as circunstâncias que envolveram a utilização do Havengate e a relação entre os envolvidos nas tratativas sobre o financiamento do filme.

A divulgação dos documentos amplia as informações públicas sobre a apuração relacionada ao caso Master e coloca sob investigação a estrutura financeira que teria sido utilizada para viabilizar os recursos destinados à cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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