Entidades lançam carta aberta por política fiscal que garanta direitos

Documento pede espaço fiscal para salário mínimo, saúde e educação
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A juventude, as mulheres, a população negra, as pessoas idosas, os trabalhadores e trabalhadoras, as pessoas do campo e da cidade, os movimentos sociais, sindicais, dos povos e comunidades tradicionais, das populações que vivem nos diferentes territórios desse país continental e outros tantos saíram às ruas neste segundo turno para defender o Brasil, os direitos conquistados e um país mais justo - Foto: Ricardo Stuckert / PR

Um grupo de entidades da sociedade civil divulgou uma carta aberta à sociedade brasileira em defesa de uma política fiscal que priorize a garantia de direitos e o desenvolvimento social.

O documento, disponível em plataforma de petições online, cobra a reforma do arcabouço fiscal para atender às demandas expressas nas urnas, e não aos interesses do mercado financeiro. Leia em TVT News e veja como assinar

Reforma do arcabouço fiscal e espaço para investimentos

A carta defende a abertura de espaço fiscal para um novo ciclo de desenvolvimento econômico, social e sustentável. Entre as propostas estão o aumento do salário mínimo, a valorização dos servidores públicos, a preservação dos pisos de financiamento da saúde e da educação e a vinculação das aposentadorias e benefícios sociais ao salário mínimo.

O texto argumenta que a política fiscal não pode ser reduzida a uma agenda de austeridade, mas deve expressar escolhas sobre o país que se quer construir e sobre como distribuir recursos e oportunidades.

Críticas ao ajuste fiscal e à pressão do mercado

O documento critica a pressão por medidas de ajuste fiscal que colocam cortes de gastos e investimentos no centro das decisões econômicas. Segundo a carta, essa agenda foi derrotada nas urnas e não pode se sobrepor à vontade popular expressa no processo eleitoral.

A crítica se soma a outras manifestações recentes da sociedade civil. Em novembro de 2024, dezenas de entidades já haviam divulgado um manifesto contra o corte de gastos com políticas públicas, denunciando a intensa pressão da mídia e do mercado financeiro por medidas de austeridade.

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Carta critica a pressão por medidas de ajuste fiscal que colocam cortes de gastos e investimentos no centro das decisões econômicas. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Direitos humanos como base da política fiscal

A discussão sobre a política fiscal também se apoia em marcos de direitos humanos.

Os Princípios de Direitos Humanos na Política Fiscal (PDHPF) estabelecem que os direitos só podem ser realizados se houver orçamento público adequado, e orientam que a política fiscal deve resultar em inclusão econômica, social e ambiental. A carta aberta reforça essa perspectiva ao afirmar que responsabilidade fiscal não é sinônimo de retirada de direitos, precarização dos serviços públicos ou concentração de renda.

A petição segue disponível para assinaturas e recebe apoio de movimentos sociais, sindicais e de direitos humanos.

Leia, a seguir, a carta à sociedade brasileira e como assinar:

CARTA ABERTA À SOCIEDADE BRASILEIRA


Por uma política fiscal que garanta direitos, enfrente privilégios e distribua a riqueza.

Defendemos a reforma do arcabouço fiscal para atender às demandas expressas nas urnas, e não às dos mercados financeiros.

É preciso abrir espaço fiscal para um novo ciclo de desenvolvimento econômico, social e sustentável, que fortaleça a soberania nacional e a capacidade do Brasil de decidir seus próprios rumos, com aumento do salário mínimo e valorização dos servidores públicos, preservando os pisos de financiamento da saúde e da educação e a vinculação das aposentadorias e dos benefícios sociais ao salário mínimo.

Esse é o caminho para abrir um novo horizonte de esperança, prosperidade e justiça social, à altura do enorme potencial do Brasil.

📢 Vamos seguir com a mobilização nas ruas e nas redes!

✏️Assine agora: https://c.org/tc5RvcWMvx

O problema

Defendemos a reforma do arcabouço fiscal para atender às demandas expressas nas urnas, e não às dos mercados financeiros. É preciso abrir espaço fiscal para um novo ciclo de desenvolvimento econômico, social e sustentável, que fortaleça a soberania nacional e a capacidade do Brasil de decidir seus próprios rumos, com aumento do salário mínimo e valorização dos servidores públicos, preservando os pisos de financiamento da saúde e da educação e a vinculação das aposentadorias e dos benefícios sociais ao salário mínimo.

Esse é o caminho para abrir um novo horizonte de esperança, prosperidade e justiça social, à altura do enorme potencial do Brasil.

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Bolsa Família foi essencial para tirar o Brasil do Mapa da Fome | “Sair do Mapa da Fome era o objetivo primeiro do presidente Lula ao iniciar o seu mandato em janeiro de 2023.” Foto: Lyon Santos/Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome

A juventude, as mulheres, a população negra, as pessoas idosas, os trabalhadores e trabalhadoras, as pessoas do campo e da cidade, os movimentos sociais, sindicais, dos povos e comunidades tradicionais, das populações que vivem nos diferentes territórios desse país continental e outros tantos saíram às ruas neste segundo turno para defender o Brasil, os direitos conquistados e um país mais justo.

Esse movimento expressou uma mensagem clara: a sociedade quer um país que amplie oportunidades, reduza desigualdades e não deixe ninguém para trás.

No dia seguinte à eleição, o mercado financeiro voltou a pressionar pela adoção de medidas de ajuste fiscal que colocam os cortes de gastos e investimentos no centro das decisões econômicas. Vale lembrar que essa foi uma proposta derrotada nas urnas.

A política fiscal nada mais é do que uma decisão da sociedade sobre o que financiamos coletivamente e como arrecadamos estes recursos. Essa não pode ser reduzida a uma agenda de austeridade baseada em supostas motivações técnicas. É preciso discutir o que deve ser financiado, quem deve contribuir mais e quais interesses a política econômica deve atender. Afinal, o orçamento público não é apenas um instrumento contábil: expressa escolhas sobre o país que queremos construir e sobre como distribuir seus recursos e oportunidades.

Defendemos uma política fiscal capaz de fortalecer a economia de forma sustentável, promover investimentos em áreas estratégicas, garantir os recursos necessários para atender às necessidades da população e assegurar o equilíbrio das contas públicas, mas sem terrorismo, sem peças de ficção.

Responsabilidade fiscal não é sinônimo de retirada de direitos, precarização dos serviços públicos e nem pode contribuir para a concentração de renda e riqueza. Quando o discurso do equilíbrio fiscal serve para justificar cortes nos direitos sociais, enquanto preserva privilégios e evita discutir uma distribuição mais justa do esforço tributário, é preciso questionar quais interesses estão sendo atendidos.

Em seus dois primeiros mandatos, o presidente Lula combinou a redução expressiva da trajetória da dívida com a expansão das despesas sociais, mostrando que a dívida responde ao crescimento econômico, à redução do desemprego e à formalização do trabalho, fatores que geram aumentos de arrecadação. Nesse sentido, o crescimento é capaz de melhorar as contas públicas tanto pelo aumento da arrecadação dele decorrente quanto pela redução da relação dívida/PIB.

É fundamental proteger os recursos destinados à educação e à saúde públicas. São áreas essenciais para a qualidade de vida, a redução das desigualdades e a construção de oportunidades. Cortar seu financiamento compromete o atendimento à população e limita as possibilidades de futuro do país.

Também é necessário preservar a valorização do piso previdenciário e sua vinculação ao salário mínimo. A Previdência Social garante proteção de renda a milhões de aposentados, aposentadas e demais beneficiários. Por que essas pessoas deveriam receber menos do que o mínimo necessário para sua sobrevivência? Além de assegurar condições de vida e garantir que milhões não estejam na pobreza ou na pobreza extrema, esses rendimentos movimentam o comércio, sustentam economias locais, contribuem para a geração de emprego e renda e retornam em parte relevante para a União, estados e municípios através da arrecadação tributária.

O mesmo compromisso deve orientar o financiamento das políticas de assistência social, segurança alimentar, transferência de renda, proteção à infância e à juventude, inclusão produtiva, proteção e garantia de direitos dos povos e comunidades tradicionais e a promoção da igualdade de gênero, raça e território. Essas políticas respondem a necessidades concretas, enfrentam desigualdades históricas e ampliam as condições para que a população participe dos frutos do desenvolvimento. Seus recursos não podem ser tratados simplesmente como despesas a eliminar, mas como parte do investimento social necessário ao país.

A política fiscal também precisa estar a serviço da soberania nacional. Isso significa garantir ao Estado condições de planejar e financiar um projeto próprio de desenvolvimento, fortalecer a capacidade produtiva e industrial do país, investir em ciência, tecnologia e inovação e reduzir vulnerabilidades e dependências externas. Um país que não dispõe de capacidade de investimento e de decisão sobre suas prioridades econômicas tem sua soberania limitada. Como afirmou o presidente Lula, “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, é soberano em relação as demais nações mas também em relação ao mercado financeiro.

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A política fiscal também precisa estar a serviço da soberania nacional.. Foto: Ricardo Stuckert

E ainda, os cortes no orçamento público não afetam apenas a oferta de serviços e a garantia de direitos: também podem enfraquecer a própria economia. Ao reduzir recursos destinados à Previdência, ao seguro – desemprego, ao BPC, à saúde, à educação e aos investimentos públicos, o governo diminui a renda disponível das famílias, o consumo, as vendas das empresas e a geração de empregos. Com a atividade econômica mais fraca, a arrecadação de impostos também cai, comprometendo parte da economia obtida com os cortes. Então, a quem serve essa proposta?

Uma política fiscal comprometida com o interesse público precisa olhar para a composição das despesas, que são sempre poupadas, pois favorecem as elites, mas também para o lado das receitas. Isso exige revisar gastos tributários e reexaminar benefícios fiscais que não apresentem resultados econômicos e sociais compatíveis com seus custos. Além de avaliar medidas que visem a redução da taxa de juros, o elemento que hoje é o maior responsável pela trajetória da dívida pública. E exige, sobretudo, avançar na justiça tributária, para que quem concentra mais renda e patrimônio contribua proporcionalmente mais para o financiamento do Estado.

Não é razoável transferir o peso do ajuste para trabalhadores e trabalhadoras, aposentados e aposentadas e para a população que mais depende dos serviços públicos, sem enfrentar os privilégios e as distorções que persistem no sistema econômico e tributário brasileiro. O equilíbrio duradouro das contas públicas depende de receitas sustentáveis, qualidade do gasto, crescimento econômico, geração de empregos, valorização dos salários e distribuição mais justa da riqueza.

Um argumento supostamente técnico não pode servir para ocultar escolhas políticas que buscam transformar a redução de direitos sociais em uma exigência inevitável.

O Brasil não precisa escolher entre responsabilidade fiscal e justiça social. Precisa de uma política fiscal que garanta direitos, fortaleça a capacidade de ação do Estado, promova o desenvolvimento, assegure a soberania nacional e distribua de forma mais justa os frutos do trabalho e da riqueza produzida coletivamente.

Defender os recursos para a educação, a saúde, a Previdência e as políticas sociais é defender o presente e o futuro do país. É afirmar que as contas públicas devem estar a serviço da sociedade, e não ser utilizadas como justificativa para aprofundar desigualdades e concentrar ainda mais a riqueza.

Consideramos que a vitória de Lula foi resultado do gigantesco protagonismo e da mobilização popular, que devem continuar orientando os rumos do governo. Nesse sentido, o novo jeito de governar deverá estar centrado nos interesses e nas prioridades da classe trabalhadora. Reafirmamos que o recado das ruas, redes e urna foi por um Brasil que enfrente privilégios, garanta direitos e não deixe ninguém para trás.

Assinam essa carta as seguintes organizações, movimentos, personalidades, brasileiros e brasileiras:

Assinaturas de organizações, movimentos, coletivos:

1. CUT – Central Única dos Trabalhadores

2. Força Sindical

3. UGT – União Geral dos Trabalhadores

4. CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

5. NCST – Nova Central Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras

6. CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros

7. Intersindical – Central da Classe Trabalhadora

8. MTD – Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos

9. MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens

10. MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto

11. MNU – Movimento Negro Unificado

12. Marcha Mundial das Mulheres

13. MST  –  Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

14. UNE  –  União Nacional dos Estudantes

15. UBES  –  União Brasileira dos Estudantes Secundaristas

16. COFECON – Conselho Federal de Economia

17. Projeto Brasil Popular

18. Oxfam Brasil

19. ABONG – Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

20. Instituto Ethos

21. AATR – BA – Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais

22. ABED – Associação Brasileira de Educação a Distância

23. ABJD – Associação Brasileira de Juristas pela Democracia

24. ABPHE – Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica

25. ABRES – Associação Brasileira de Economia da Saúde

26. ADUFES

27. ADUFPB

28. ADunicamp

29. ANDES – SN

30. ANGE – Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Ciências Econômicas do Brasil

31. APEOESP – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

32. APP Sindicato

33. APUBH – Associação dos Professores Universitários de Belo Horizonte

34. Aqualtune Lab

35. Associação Comercial e Industrial de Icém (SP)

36. Associação Metareila do Povo Paiter Suruí

37. Associação Metareila do Povo Paiter Suruí

38. Bike Anjo

39. BIT – Base, Informação e Tecnologia

40. Buriti Gestão Educacional

41. CENARAB – Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro – Brasileira

42. Centro Internacional Celso Furtado

43. CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação

44. Coletivo Fernando Santa Cruz

45. Coletivo ParaTodos

46. Comissão Pastoral da Terra (CPT)

47. Comissão Pastoral da Terra (CPT/BA)

48. Comissão Socioambiental da Diocese de São José dos Campos

49. Contrabando Editorial

50. Corecon – SP – Conselho Regional de Economia de São Paulo

51. EcoEco – Sociedade Brasileira de Economia Ecológica

52. EINST – Associação Brasileira de Pesquisa em Economia Institucional Original

53. Epis – Espaço Psicanalítico Interdisciplinar de Salvador

54. Escola Popular de Teatro Político de Alagoas

55. Associação Brasileira de Pesquisa em Economia Institucional Original (EINST) –  Associação Brasileira de Pesquisa em Economia Institucional Original (EINST)

56. FETRACE

57. Fórum de Saúde Mental de Uberlândia

58. Fórum em Defesa do Manguezal

59. Frente de Juristas Negras e Negros

60. Frente pela Vida

61. Grupo Boi Livre

62. IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa

63. Ilé Àṣẹ Ti Tóbi Ìyá Àfin Òṣùn Alákétu

64. Instituto Justiça Fiscal (IJF)

65. Instituto Piracicabano de Estudos e Defesa da Democracia

66. ISER – Instituto de Estudos da Religião

67. OSID – Obras Sociais Irmã Dulce

68. Pastoral Fé e Política Lapa

69. Pastoral Fé e Política Lapa

70. Plataforma CIPÓ

71. Rede aoredor.com.br

72. Rede Jubileu Sul

73. Rede Rua

74. Rede Unida

75. SEEB – RJ

76. SEP – Sociedade Brasileira de Economia Política

77. Seres e Saberes da Amazônia

78. SINASEFE – Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica

79. SINASEFE IFBAIANO – Sinasefe Nacional

80. SindBancários Porto Alegre – Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região 

81. Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região

82. Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro

83. Sindicato dos Economistas

84. Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro

85. Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem e Região

86. Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias ES/MG

87. Sindiedutec

88. Sindiquímica Bahia

89. Sindiquimica Bahia – Sindiquimica Bahia

90. Sindsepers

91. SINDUEMA

92. SinproRio

93. SINTRAF/AP

94. SITRAEMG

95. Sociedade Brasileira de Geoquímica

96. Transforma Economia

97. UNICOPAS

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