O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que atualmente vive no Texas, esteve em Washington na semana passada para participar de reuniões com integrantes do governo do presidente Donald Trump poucos dias antes de os Estados Unidos revogarem o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A informação foi publicada pela colunista Bela Megale, do jornal O Globo. Saiba mais na TVT News.
De acordo com a reportagem, Eduardo manteve conversas com autoridades da administração norte-americana em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Ainda segundo a coluna, o ex-apresentador da Jovem Pan Paulo Figueiredo, um dos principais aliados de Eduardo Bolsonaro nos EUA, não participou dos encontros, mas já havia sido informado previamente sobre a decisão de cancelar o visto da diplomata brasileira.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
Em publicação nas redes sociais, Paulo Figueiredo afirmou que integrou um grupo restrito de jornalistas que recebeu a informação diretamente de um alto funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo ele, o representante do governo norte-americano confirmou a revogação do visto de Maria Luiza Viotti e sinalizou que novas medidas contra autoridades brasileiras não estão descartadas.
A decisão dos Estados Unidos foi apresentada como uma resposta à recusa do governo brasileiro em conceder o agrément — a aceitação diplomática necessária para o exercício da função — ao indicado pela Casa Branca para assumir a embaixada norte-americana em Brasília, Daniel Perez.
Ainda conforme a coluna, integrantes do grupo político de Eduardo Bolsonaro comemoraram a iniciativa do governo Trump e avaliam que uma escalada da crise diplomática pode trazer efeitos eleitorais favoráveis ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de 2026.
Segundo essa avaliação relatada pela jornalista, qualquer desfecho da disputa poderia trazer custos políticos ao governo brasileiro. Caso Lula aceitasse a pressão norte-americana e concedesse o agrément ao indicado de Washington, poderia sofrer desgaste em relação ao discurso de defesa da soberania nacional. Por outro lado, manter a negativa poderia aprofundar a crise bilateral, com possíveis impactos diplomáticos e administrativos para brasileiros residentes nos Estados Unidos que dependem dos serviços da embaixada.
A reportagem também relata que, durante a reunião com jornalistas, o representante da gestão Trump mencionou outro episódio recente de atrito entre os dois países: a negativa do Itamaraty em conceder vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar ao Brasil.
Segundo o governo brasileiro, os servidores norte-americanos tinham como objetivo discutir e questionar o sistema eleitoral brasileiro, motivo pelo qual os pedidos de visto foram negados. O episódio ampliou as divergências entre Brasília e Washington em um momento de crescente tensão diplomática.
A revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti representa mais um capítulo da deterioração das relações entre os dois países desde o início do segundo mandato de Donald Trump. O episódio ocorre em meio a sucessivas trocas de críticas entre autoridades brasileiras e norte-americanas sobre temas relacionados à política externa, ao processo eleitoral brasileiro e às relações institucionais entre os dois governos.
Até o momento, o governo brasileiro mantém a posição de que a concessão de agrément é uma prerrogativa soberana do Estado brasileiro e não comentou oficialmente as informações sobre a participação de Eduardo Bolsonaro nas reuniões realizadas em Washington antes da decisão do Departamento de Estado. Também não há confirmação oficial do governo dos Estados Unidos sobre eventual participação do ex-deputado nas discussões mencionadas pela coluna.