Costanza Peña, filha do presidente do Paraguai, Santiago Peña, provocou críticas nas redes sociais após a circulação de uma fotografia em que aparece usando uma camiseta com a frase “Tax the Poor” (“taxem os pobres”, em português). A imagem ganhou repercussão nesta sexta-feira (6), em meio à crise financeira e política que atinge o país e ameaça a permanência de seu pai na Presidência. Leia em TVT News.
Na fotografia, Costanza aparece diante do espelho de uma academia, vestindo uma camiseta branca com a frase estampada em letras pretas. A publicação teria sido feita em uma conta privada da jovem, mas acabou compartilhada por usuários e veículos de comunicação paraguaios.
A mensagem foi interpretada como uma provocação diante das dificuldades econômicas enfrentadas pela população, especialmente após o colapso do banco digital Ueno, que deixou milhões de correntistas sem acesso aos recursos depositados na instituição.
Costanza é estudante da Universidade Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos. A repercussão da fotografia também chegou às redes sociais da instituição, onde usuários publicaram comentários cobrando providências e questionando a permanência da estudante na universidade.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
Crise bancária e política
A polêmica ocorre em um momento de forte instabilidade no Paraguai. O banco Ueno teve suas atividades interrompidas após uma crise financeira que comprometeu o acesso de milhões de clientes aos próprios depósitos. A instituição mantinha cerca de R$ 4,6 bilhões em recursos, incluindo valores vinculados ao setor público.
A crise também ampliou os questionamentos sobre a relação de Santiago Peña com o grupo empresarial proprietário do banco. O presidente foi acionista do conglomerado até 2025, e sua ligação anterior com a instituição passou a ser alvo de críticas e suspeitas de conflito de interesses.
Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados aprovou o prosseguimento do processo de impeachment contra Peña. Após a decisão, o presidente apresentou uma carta de renúncia, alegando que pretendia preservar a estabilidade institucional e a paz social.
O processo, no entanto, continuou no Congresso. O Senado paraguaio precisa reunir pelo menos 30 votos, entre os 45 integrantes da Casa, para confirmar a destituição do presidente.
A crise envolvendo o Ueno Bank e as consequências para os correntistas aumentaram a pressão sobre o governo e aprofundaram o desgaste político da família presidencial.