Nesta segunda (20), o governo Lula inicia uma rodada de conversas com representantes do setor empresarial mais atingidos pelo novo tarifaço imposto às exportações brasileiras pelo governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. As novas sobretaxas entram em vigor nesta quarta, dia 23. Saiba mais na TVT News.
Os encontros, que serão coordenados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e têm como objetivo fazer uma avaliação das perdas de contratos, riscos para a produção e os empregos nas áreas mais tarifadas e necessidades de crédito para definir novas medidas de apoio aos exportadores. Elas vão basear a nova etapa do Plano Brasil Soberano.
O governo avalia medidas como linhas de financiamento para capital de giro e investimentos, promoção comercial e apoio à abertura de mercados alternativos.
Em discurso na sexta-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a orientação de Lula é proteger a economia e os trabalhadores, sem abandonar as negociações com o governo norte-americano.
“Nós não saímos da mesa de negociação, a negociação é permanente. Nós vamos defender o interesse do Brasil, o emprego, as empresas, a economia permanentemente. Essa é a orientação do presidente Lula. A outra é buscar novos mercados, e está indo bem”, declarou.
As novas barreiras comerciais afetam cerca de 2,4 mil empresas brasileiras e 18% dos produtos exportados aos EUA. O total de valores, considerando embarques realizados em 2024, é de US$ 7,4 bilhões em produtos. De acordo com o ministro do Desenvolvimento Márcio Elias Rosa, os setores mais afetados são de madeira, máquinas, equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados, etanol e açúcar.
Governo vê oportunidade de aproximação com o setor empresarial pré eleições
As reuniões também são vistas como uma oportunidade para reconstruir a relação com o setor empresarial, que estiveram desgastadas por pautas recentes como a proposta de fim da escala de trabalho 6×1 e as mudanças na tributação de compras internacionais, a discussão da “taxa das blusinhas”.
O Planalto pretende ouvir as demandas específicas de cada segmento da economia e utilizar esses encontros para calibrar o plano Brasil Soberano, definir o alcance de um pacote de apoio aos exportadores e apresentar medidas que já vêm sendo adotadas pelo governo para preservar a competitividade da indústria nacional diante da política comercial dos Estados Unidos.
Integrantes do governo reconhecem que parte dos setores mais afetados pelo tarifaço historicamente mantém maior proximidade com a família Bolsonaro e com candidaturas da direita.
Ainda assim, avaliam que o contexto atual abriu espaço para uma aproximação com membros do setor empresarial, impulsionada pela percepção de que a sobretaxa norte-americana teve motivação política e prejudica empresas brasileiras independentemente de posicionamentos ideológicos.
O diagnóstico também se apoia em pesquisas de opinião: um levantamento da Genial/Quaest divulgado na última semana mostrou que 51% dos entrevistados concordam com a avaliação do presidente Lula de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apoiou a decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas aos produtos brasileiros.
Auxiliares do presidente acreditam que, se esse entendimento se consolidar durante a campanha eleitoral, o governo poderá ampliar sua interlocução com o empresariado e fortalecer sua posição política.
Governo propôs redução de impostos em mais de 300 linhas tarifárias
O ministro Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões com autoridades dos Estados Unidos desde a adoção das primeiras tarifas sobre produtos nacionais. Segundo ele, o objetivo foi buscar uma solução negociada para reduzir os impactos das medidas sobre a economia brasileira.
Ele relata que, durante as tratativas, o Brasil apresentou propostas que previam a redução de impostos em mais de 300 linhas tarifárias, abrangendo produtos como equipamentos médicos, bens de capital e itens do setor eletroeletrônico.
Em troca, porém, o governo norte-americano condicionou qualquer avanço à eliminação das tarifas brasileiras sobre bens industriais dos Estados Unidos, sem oferecer contrapartidas às exportações brasileiras. A exigência afetaria segmentos considerados estratégicos para a indústria nacional, entre eles os setores químico, automotivo e de autopeças.
O governo brasileiro também deixou o sistema de pagamentos Pix fora das negociações. Nas discussões sobre o etanol, o Brasil também defendeu que qualquer discussão incluísse as barreiras de entrada colocadas pelos EUA ao açúcar brasileiro.

