Inflação desacelera para 0,07% em julho e fica abaixo do teto da meta

É a inflação mais baixa para o mês de julho desde 2022; IPCA acumulado recua para 4,44%,
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IPCA acumulado recua para 4,44%; alimentos e combustíveis ajudaram a segurar, enquanto energia elétrica e passagens aéreas ficaram mais caras. Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

A inflação oficial brasileira perdeu força em julho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou alta de 0,07%, abaixo dos 0,16% apurados em junho. Saiba mais na TVT News.

A variação de julho foi a menor para o mês desde 2022, quando houve deflação de 0,68%. Também representa o menor resultado mensal desde agosto de 2025, quando o IPCA havia recuado 0,11%.

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses caiu para 4,44%, ficando novamente abaixo do teto de 4,5% estabelecido para a meta perseguida pelo Banco Central. É a primeira vez desde abril que o índice acumulado fica abaixo desse limite. Apesar da desaceleração, o resultado ainda supera o centro da meta, fixado em 3%.

O desempenho foi influenciado principalmente pela redução dos preços dos alimentos e dos combustíveis. Em sentido contrário, a energia elétrica exerceu uma pressão importante sobre o índice.

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Alimentos têm maior queda desde 2024

O grupo Alimentação e bebidas apresentou retração de 0,67% em julho e foi o principal responsável por conter o avanço do IPCA. Dentro da categoria, os produtos consumidos dentro de casa tiveram queda ainda mais expressiva, de 1,14%.

Segundo dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgados na segunda-feira (10/8), o preço pago pelo conjunto dos alimentos básicos apresentou queda em 26 das 27 capitais brasileiras em julho.

Entre os itens que ficaram mais baratos estão tomate, batata-inglesa e cenoura. O tomate apresentou redução média de 29%, enquanto a batata caiu 19,59% e a cenoura teve baixa de 14,41%.

O café também contribuiu para o resultado. O preço do produto recuou 2,45% em julho e acumula queda de 17,20% em 12 meses. Trata-se da maior redução acumulada do item desde o início do Plano Real, em 1994.

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Natal, Maceió, Belo Horizonte, Palmas e Rio de Janeiro foram as capitais que apresentaram as maiores quedas no custo da cesta básica, segundo Dieese. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Mesmo com a queda recente, o café ainda permanece em patamar elevado em comparação com períodos anteriores. Entre os fatores que provocaram a forte valorização do produto nos últimos anos estão problemas climáticos e perdas nas safras internacionais.

Nem todos os alimentos, entretanto, ficaram mais baratos. O leite longa vida aumentou 2,47% no mês, enquanto as frutas tiveram alta média de 1,20%.

A alimentação fora de casa também ficou mais cara. O segmento passou de uma alta de 0,15% em junho para 0,55% em julho. Os lanches subiram 0,76% e as refeições tiveram aumento de 0,42%.

Energia elétrica pressiona inflação

Na direção oposta aos alimentos, o grupo Habitação apresentou a maior alta entre as categorias pesquisadas pelo IBGE, com avanço de 0,99%.

O principal motivo foi a energia elétrica residencial, cuja tarifa aumentou 3,09% em julho, após uma alta de 1,53% no mês anterior. O item teve o maior impacto individual sobre o resultado do IPCA.

Os reajustes aplicados por concessionárias de São Paulo, Porto Alegre e Curitiba contribuíram para o aumento. Além disso, a bandeira tarifária amarela permaneceu em vigor durante julho, acrescentando R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

Para agosto, consumidores residenciais e rurais que atendam aos critérios poderão receber um alívio na conta de luz por meio do bônus de Itaipu. O benefício é destinado a consumidores que tenham registrado consumo inferior a 350 kWh em pelo menos um mês do ano anterior.

Passagens aéreas sobem, combustíveis recuam

O grupo Transportes praticamente não apresentou variação em julho, com alta de 0,05%. Dentro da categoria, porém, houve movimentos opostos.

As passagens aéreas tiveram aumento de 11,67%, influenciadas pelo período de férias. Já os combustíveis registraram redução média de 1,44%.

O etanol caiu 2,26%, enquanto a gasolina teve redução de 1,37%. O óleo diesel recuou 1,22% e o gás veicular apresentou queda de 0,08%.

A pressão dos serviços também aumentou durante o mês. O segmento passou de uma alta de 0,34% em junho para 0,54% em julho. Além das passagens aéreas, tiveram aumentos relevantes serviços como conserto de automóveis, costura, hospedagem e atividades culturais.

Demais grupos

Entre os demais componentes do IPCA, Vestuário apresentou queda de 0,66%. Já Saúde e cuidados pessoais teve alta de 0,40%.

Dentro desse último grupo, os produtos de higiene pessoal subiram 0,64%, com destaque para os perfumes, que ficaram 1,04% mais caros. Os planos de saúde tiveram aumento de 0,42%, refletindo os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Veja as variações na inflação em diferentes grupos em julho:

  • Alimentação e bebidas: -0,67%
  • Habitação: 0,99%
  • Artigos de residência: 0,07%
  • Vestuário: -0,66%
  • Transportes: 0,05%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,40%
  • Despesas pessoais: 0,22%
  • Educação: -0,03%
  • Comunicação: 0,04%

O resultado de julho mostra uma desaceleração da inflação, especialmente pela contribuição dos alimentos e dos combustíveis. Mesmo assim, alguns componentes, como energia elétrica, serviços e passagens aéreas, continuam exercendo pressão sobre o custo de vida das famílias.

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2024/2025. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Entenda o que causou o recuo da inflação

Índice da inflação de julho representa redução de 0,09 ponto percentual em relação ao 0,16% registrado em junho. Preço pago pelo conjunto dos alimentos básicos teve queda em 26 das 27 capitais.

Queda no preço dos combustíveis

Houve recuo de 1,44% nos combustíveis, com todos em queda: etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).

Como é calculado o IPCA

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980 e se refere às famílias com rendimento monetário de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte.

Para o cálculo do índice do mês, foram comparados os preços coletados no período de 1 de julho de 2026 a 30 de julho de 2026 (referência) com os preços vigentes no período de 30 de maio de 2026 a 30 de junho de 2026 (base).

A pesquisa abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília.

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