Lula apresenta documentos que entregará ao STF e TSE para acesso aos sigilos bancário e telefônico dele e de seus cinco filhos e cobrou que o adversário, Flávio Bolsonaro, faça o mesmo. Saiba mais sobre o desafio de Lula com a TVT News.
Sigilo de Lula e Flávio Bolsonaro: entenda os principais pontos
- Qual foi o desafio de Lula: o presidente cobrou que Flávio Bolsonaro também autorize o acesso aos seus sigilos bancário e telefônico, além dos dados de familiares e empresas.
- O que Lula pretende entregar à Justiça: documentos para formalizar a autorização de acesso aos próprios dados bancários e telefônicos e aos de seus cinco filhos, com encaminhamento ao STF e ao TSE.
- Quais casos colocam Flávio sob questionamento: o financiamento do filme Dark Horse, as relações com o advogado Willer Tomaz, as viagens em aeronaves privadas e outros episódios envolvendo patrimônio e movimentações financeiras.
- Dark Horse, Willer Tomaz, rachadinha, INSS, loja de chocolate: quais os sigilos de Flávio Bolsonaro: o senador é alvo de investigações que envolvem um inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse com recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, outro sobre suposta lavagem de dinheiro na relação com o advogado Willer Tomaz (ligado a fraudes no INSS), além do histórico caso da “rachadinha” em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Lula desafia Flávio Bolsonaro a abrir os sigilos
Durante o debate da Band, Lula foi direto ao propor a abertura mútua dos sigilos.
“Eu vou fazer uma proposta para você para amanhã abrirmos a nossa conta bancária e o nosso sigilo bancário para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país. Eu abro da minha família e você abre da sua. Nós entregamos para o presidente da Suprema Corte e do Tribunal Superior Eleitoral o seu documento e o meu para avaliarem antes das eleições, para que o povo saiba quem é corrupto e ladrão, porque, senão, eles vão ser enganados de novo”.
No dia seguinte, em vídeo publicado no Instagram, o presidente repetiu o desafio e acrescentou a cobrança para que Flávio também abra os sigilos do pai e dos irmãos.
“Eu fiz o desafio porque vou preparar uma procuração de todos os meus filhos, a minha, para autorizar quebrar meu sigilo bancário, desde que ele se disponha a fazer o mesmo. Dele, dos pais dele, dos irmãos dele. Para a gente saber quem é que rouba quem nesse País. Para ele explicar como comprou uma casa de milhões, sendo que ganha o mesmo salário que eu ganho”.
“Eu estou cansado de ver ladrões acusando gente honesta. Eu estou cansado de ver milicianos acusando gente honesta”.
Ainda segundo Lula, o objetivo é que a Justiça Eleitoral faça a avaliação patrimonial dos envolvidos e divulgue o resultado. “A única coisa que eu estou pedindo é que ele tenha coragem de provar que é honesto, que faça como estou fazendo. E eu quero que a Justiça investigue e divulgue para o povo brasileiro saber quem é ladrão e quem não é ladrão”.
Qual o desafio de Lula para Flávio Bolsonaro
O desafio lançado por Lula tem contornos práticos. O presidente afirmou que o documento com a autorização para a quebra de seu sigilo e do de seus cinco filhos será entregue pessoalmente ao presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, nesta terça-feira (20).
A expectativa é de que Flávio Bolsonaro apresente documento equivalente, abrangendo suas empresas e seus familiares, para que ambos sejam submetidos ao mesmo escrutínio antes do segundo turno.
A cobrança também foi direcionada ao patrimônio do senador. Lula questionou publicamente como Flávio comprou uma mansão avaliada em R$ 10 milhões, recebvendo o mesmo valor de salário do presidente da República.
Nesta segunda-feira (19), em Porto Alegre (RS), Lula desafiou o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a adotar a mesma medida, incluindo informações de empresas e familiares. A iniciativa ocorre após o confronto entre os dois no debate presidencial da Band e em meio a questionamentos sobre o patrimônio do senador e as investigações envolvendo o financiamento do filme Dark Horse.
“Eu não posso admitir que fui presidente três vezes, moro em um apartamento comprado em 1998, e não posso aceitar que um cidadão que ganha o mesmo salário que o presidente da República possa comprar uma casa de R$ 10 milhões à vista sem explicar de onde vem o dinheiro”.
Flávio Bolsonaro reagiu com ironia no debate. Disse que Lula “nem tem celular” e que suas contas “sempre estiveram abertas” e declaradas à Receita Federal. Não respondeu, porém, se aceitaria ou não o desafio de abrir os sigilos bancário e telefônico.
Vorcaro, Dark Horse, Willer Tomaz, rachadinha, INSS, avião, loja de chocolate: quais os sigilos de Flávio Bolsonaro?
O desafio de Lula ganha peso quando se observa o histórico de investigações que recaem sobre Flávio Bolsonaro. O senador é alvo de pelo menos dois inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).
O primeiro apura o pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse. Vorcaro é apontado como pivô do escândalo do Banco Master, e a investigação tramita sob relatoria do ministro André Mendonça.
O segundo inquérito, distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, investiga suspeitas de lavagem de dinheiro na relação entre Flávio e o advogado Willer Tomaz.
A Polícia Federal identificou vínculos entre o advogado e o senador após analisar a quebra do sigilo da nuvem do celular de Tomaz, que também é investigado por fraudes no INSS.

Além desses casos, o histórico de Flávio Bolsonaro inclui o esquema conhecido como “rachadinha”, ocorrido quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, e a aquisição de uma mansão avaliada em R$ 6 milhões quitada em apenas três anos, com financiamento do BRB em condições abaixo do mercado.
Rachadinha e loja de chocolates
Flávio Bolsonaro também foi investigado no caso conhecido como rachadinha, relacionado à suspeita de recolhimento de parte dos salários de servidores de seu gabinete quando era deputado estadual no Rio de Janeiro.
O Ministério Público do Rio de Janeiro apontou indícios de movimentações financeiras suspeitas e questionou operações imobiliárias e transações de uma franquia de chocolates da qual o senador foi sócio. Segundo a investigação, a loja poderia ter sido utilizada para movimentar recursos do suposto esquema.
O caso foi encerrado após decisões judiciais que invalidaram provas obtidas por meio de quebras de sigilo consideradas ilegais. O encerramento não deve ser apresentado como condenação, tampouco como comprovação das acusações. Flávio nega irregularidades
Daniel Vorcaro e o financiamento de Dark Horse
Um dos principais assuntos da disputa é o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. Documentos analisados pela Polícia Federal apontaram que Flávio atuou como interlocutor nas negociações de recursos com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Reportagens sobre a investigação mencionaram negociações de pelo menos US$ 24 milhões para a produção, dos quais uma parte teria sido efetivamente transferida. A apuração busca esclarecer a origem e o destino dos recursos, inclusive possíveis operações no exterior. A investigação não equivale a uma condenação do senador.
Patrimônio e compra de imóvel em Brasília
O patrimônio declarado por Flávio Bolsonaro também entrou no debate eleitoral. Segundo levantamento da Folha de S.Paulo, o senador declarou R$ 8,18 milhões em bens em 2026, valor superior ao informado em 2018, quando declarou R$ 2,63 milhões, em valores corrigidos pela inflação.
A declaração de bens inclui uma casa em Brasília avaliada em R$ 6,2 milhões. A campanha do senador informou que a aquisição foi quitada com recursos provenientes de sua atividade profissional e da venda de patrimônio. A origem dos recursos e as operações financeiras relacionadas ao imóvel passaram a ser objeto de questionamentos públicos.
Lula, ao anunciar a autorização para acesso aos próprios sigilos, cobrou que Flávio apresente explicações sobre a origem dos recursos usados na compra do imóvel e aceite que os dados sejam examinados pelas autoridades.