Lula rebate sanções de Trump e aponta clã Bolsonaro como ‘traidores da pátria’

Durante inauguração de campus de instituto federal, Lula criticou atuação de clã Bolsonaro que celebram sanções norte-americanas ao Brasil
Lula critica tarifaço de Trump em evento em Goiânia – Foto: Reprodução

Nesta terça-feira (2), Lula criticou a intervenção do Clã Bolsonaro nos diálogos que o governo federal estava estabelecendo com a Casa Branca, que resultou na decisão de igualar o crime organizado ao terrorismo, mas que também teria relação com tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros. “Esse filho do Bolsonaro consegue ser pior do que ele. São, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, disse. Leia em TVT News.

Durante a cerimônia de inauguração do Campus Catalão do Instituto Federal Goiano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra tarifaço de Trump e criticou o papel dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na noite de segunda, os EUA anunciaram nova proposta de tarifa de 25% por parte sobre mercadorias brasileiras, que utilizou como uma das justificativas supostas barreiras comerciais envolvendo o sistema de pagamentos Pix e a atuação do STF.

Em seu discurso, Lula vinculou a nova ofensiva tarifária às recentes articulações políticas dos parlamentares da oposição em solo norte-americano, classificando filhos do Bolsonaro como “traidores da pátria”.

“Como eu não tenho navio para fazer as guerras que o Trump gosta de fazer, eu não tenho bomba atômica nem poderio militar, a minha guerra é a guerra da verdade contra a mentira, é a guerra da narrativa”, disse Lula

Em sua fala, Lula relembrou o histórico de atritos comerciais recentes com a gestão de Donald Trump. “Ano passado, os Estados Unidos da América apresentaram uma taxação de 50% sobre os produtos importados do Brasil. A alegação dos Estados Unidos naquele tempo era de que os EUA tinham déficit com o Brasil e, portanto, estavam aumentando os impostos para fazer equilíbrio na balança comercial“, relatou.

Lula explicou a estratégia adotada pela diplomacia do governo federal para contestar as justificativas econômicas apresentadas pela Casa Branca. Sem dispor de poderio militar ou bombas atômicas, o presidente afirmou que sua atuação se dá no campo do debate público e institucional:

“A minha guerra é a guerra da verdade contra a mentira, é a guerra da narrativa. Então fiz questão de provar isso. Escrevi artigos em jornais americanos, mandei cartas ao governo americano dizendo que eles estavam mentindo, porque os EUA não tinham déficit com o Brasil. O superávit americano nos últimos 15 anos foi de 415 bilhões de dólares. Então quem tinha que aumentar a taxação éramos nós, e não eles.”

O presidente detalhou as tratativas diretas mantidas em sua última viagem oficial aos Estados Unidos. Na ocasião, Lula participou de uma reunião de três horas com Trump e entregou quatro documentos estratégicos.

O primeiro deles tratava especificamente de dados de intercâmbio comercial para demonstrar a ausência de déficit norte-americano.

Diante de divergências com o secretário de Comércio dos EUA, ficou estipulado um prazo de 30 dias para alinhamento entre as equipes ministeriais de ambos os países. Contudo, após três rodadas de diálogo, as negociações bilaterais não resultaram em acordo.

Lula critica Flávio e Eduardo Bolsonaro por atuação contra o Brasil

Lula denunciou que, enquanto o governo brasileiro tentava negociar a suspensão de barreiras tarifárias, os parlamentares oposicionistas atuavam nos bastidores em Washington para incentivar sanções econômicas contra o próprio país.

Exemplo disso, relembrou Lula, foram as reações públicas dos filhos do ex-presidente ocorridas no dia 9 de julho do ano passado, data em que a primeira taxa de 50% foi anunciada por Trump.

O que fizeram os meninos do Bolsonaro? Um deles, que é candidato à Presidência, disse no dia 9 de julho (…) olha o que ele tuitou: ‘Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo’”. Lula acrescentou que Eduardo Bolsonaro adotou postura similar de agradecimento à autoridade estrangeira pela punição imposta ao mercado nacional.

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De acordo com o chefe do Executivo, a nova rodada de tarifas de 25%, que mira o Pix e as decisões de controle de conteúdo do Supremo Tribunal Federal (STF), foi articulada após o avanço de diálogos da oposição com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Eles foram encontrar Marco Rubio e, ontem, eu soube da notícia de que o comércio americano resolveu taxar o Brasil em 25%, quando nós estávamos em negociação, quando eu tinha uma reunião com o presidente Trump“, afirmou.

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Flávio publica foto com Trump em encontro que tiveram na Casa Branca nesta semana – Foto: instagram @flaviobolsonaro

“O que eu quero dizer com isso é que esse filho do Bolsonaro consegue ser pior do que ele. São, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som: são traidores. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país em nosso país?”

O presidente criticou o recuo público e as negativas emitidas pelos parlamentares após a repercussão negativa das taxas.

Todo covarde é assim: fala a merda que fala e depois não tem coragem de assumir, fica tentando mentir. Eu conheço essa gente“, disparou Lula. Ele argumentou que a intenção do grupo era prejudicar a imagem do atual governo, mas o efeito prático pune a sociedade brasileira.

Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula. Vai prejudicar o povo brasileiro, os empresários brasileiros, o agronegócio“, completou.

“Enquanto você não quiser comprar, eu vou vender para outro”: Lula sobre China para Trump

Além das discussões de balança comercial, Lula abordou os demais documentos estratégicos entregues a Donald Trump, que tratam da soberania sobre os recursos naturais do território brasileiro e das políticas de segurança pública.

O presidente ressaltou o potencial estratégico do país no setor de transição ecológica e recursos minerais. “O Brasil é o segundo país do mundo em terras raras e minerais críticos. Acontece que o Brasil só tem 30% de seu território pesquisado”, sinalizou.

Lula informou a criação de um conselho federal vinculado à Presidência da República destinado a coordenar o setor. “Nós vamos transformar os minerais críticos e as terras raras em uma questão de soberania nacional e vamos tomar conta dos nossos minerais. (…) Nós não vamos permitir que levem nossas terras raras como levaram nosso ouro 500 anos atrás“, assegurou.

No âmbito da segurança e do enfrentamento ao crime organizado, pauta frequentemente utilizada pelo governo dos EUA e pela oposição para justificar sanções aduaneiras, o presidente relatou ter cobrado reciprocidade de Washington.

Se Vossa Excelência quer combater o crime organizado, nós estamos preparados. Até porque é nos EUA que existe estado onde há lavagem de dinheiro dos magnatas que roubam dinheiro no nosso Brasil. Quer combater o tráfico? Quer combater o crime organizado? Comece nos entregando os que estão lá, os nossos“, afirmou ter dito a Trump.

Como contraponto econômico imediato às restrições norte-americanas, o presidente anunciou a ampliação das relações comerciais com o mercado asiático. “O que aconteceu hoje para se contrapor à medida do Trump? A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre para o mercado chinês. A carne do Brasil está livre para o mercado chinês“, divulgou Lula, concluindo que o país possui alternativas soberanas de comércio exterior: “Enquanto você não quiser comprar, eu vou vender para outro“.

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