Na segunda-feira (13), durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP), o presidente fez uma crítica em tom de piada ao retorno do avião da seleção quase vazio ao Brasil – apenas o jogador Danilo voltou no vôo. “Até mandei um recado do Ancelotti, você sabe quem é o Ancelotti? É o técnico da seleção brasileira, aquela que foi com um monte de gente e voltou sozinho (sic). Quase não tinha ninguém pra voltar no avião da seleção, gente, que vergonha. Só voltou um jogador no avião, o resto tá tudo pra lá. Se tivesse ganho tava todo mundo dançando aqui”.
Lula também sugeriu que o técnico Carlo Ancelotti contratasse um robô jogador de futebol para o time. “Eu mostrei o espetáculo robótico pro Ancelotti. Porque o menino fez um robô agressivo, parecia o Mbappé, parecia o Halland. O robô manda a bola lá pra cima. Eu mandei um recado pro Ancelotti: Se quiser contratar, contrata esse robô, que ele vai fazer o Brasil ganhar a Copa do Mundo”, disse o presidente.
A fala vem após a sexta eliminação seguida da seleção brasileira para uma equipe europeia em uma Copa do Mundo e o maior jejum de títulos da história – serão 28 anos sem ganhar uma Copa – o que acendeu, mais uma vez, o alerta entre torcedores, críticos e profissionais do esporte.
Em meio às críticas, as teorias conspiratórias sobre a convocação de Neymar se avolumaram – ainda mais com a declaração do recém-contratato técnico de Portugal, Jorge Jesus, ao afirmar que Neymar já estava no fim.
As redes sociais ficaram inflamadas com o debate sobre a influência da religião evangélica neopentescotal na capacidade dos jogadores de solucionarem problemas, resultado do indiviualismo da teologia da prosperidade e de terem perdido a ligação com as matrizes africanas, demonizadas pelo neopentecostalismo.

O artigo do jornalista, sociólogo e geógrafo Brian Mier, cedido exclusivamente para a TVT News, incendiou ainda mais as redes ao mostrar como a decadência do futebol brasileiro se mistura com as influências do neoliberalismo na América Latina, que passam tanto pela mercantilização da cultura, incluindo o futebol, até pelas missões evangélicas nos anos 70 como combate ao crescimento da teologia da libertação.
O que causou a derrota do Brasil na Copa do Mundo?
O artigo “Brazil Fizzles Again: the Capitalist Rot at the Heart of Brazilian Football”, publicado por Brian Mier na plataforma Substack, utiliza a eliminação da seleção brasileira em mais uma Copa do Mundo como ponto de partida para uma análise crítica sobre o futebol e a sociedade brasileira.
O autor argumenta que os problemas da equipe nacional não podem ser explicados apenas por questões táticas ou técnicas, mas estariam ligados a transformações econômicas, sociais e culturais ocorridas nas últimas décadas.

Segundo Mier, o futebol brasileiro teria sido progressivamente subordinado à lógica do mercado global, com a exportação precoce de jogadores, o enfraquecimento dos clubes como espaços de formação e identidade popular e a crescente influência de interesses empresariais.
O texto também relaciona essas mudanças ao avanço do neoliberalismo, à desigualdade social e à perda de elementos culturais que, na visão do autor, ajudaram a construir a criatividade e a espontaneidade tradicionalmente associadas ao futebol brasileiro.
Principais pontos do artigo de Brian Mier
- A eliminação do Brasil é usada como símbolo de um problema maior: o autor vê o desempenho da seleção como consequência de transformações estruturais da sociedade brasileira desde os anos 70 e 80;
- Crítica à mercantilização do futebol: o texto afirma que o esporte passou a ser dominado por interesses econômicos e pelo mercado internacional;
- Exportação precoce de talentos: jogadores deixam o país muito cedo, o que teria enfraquecido a identidade dos clubes e o desenvolvimento do futebol local;
- Relação entre futebol e desigualdade social: o autor conecta a crise esportiva ao avanço do neoliberalismo e às mudanças nas condições de vida da população;
- Mudanças culturais: o artigo sugere que manifestações populares e formas tradicionais de sociabilidade perderam espaço nas últimas décadas.

