Lula e Alcolumbre se encontram após silêncio de 3 meses, diz colunista

Reunião na casa do ministro Alexandre de Moraes, articulada por integrantes do STF, marca tentativa de reaproximação após meses de desgaste político
Econtro teve como principal objetivo "quebrar o gelo" entre os dois líderes. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), voltaram a conversar após cerca de três meses de afastamento político. Segundo informação publicada pela colunista Bela Megale, os dois participaram, na noite de terça-feira (4), de uma reunião na residência do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em Brasília. Saiba mais na TVT News.

Também participou do encontro o ministro do STF Cristiano Zanin. De acordo com a coluna, Moraes e Zanin foram os principais articuladores da reaproximação entre Lula e Alcolumbre, em uma tentativa de restabelecer o diálogo entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado.

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Segundo pessoas que acompanharam a reunião, o encontro teve como principal objetivo “quebrar o gelo” entre os dois líderes políticos. Nenhuma pauta específica teria dominado a conversa, que durou cerca de duas horas e serviu para reconstruir um canal de interlocução após meses de tensão.

O afastamento entre Lula e Alcolumbre começou no fim de abril, quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Nos bastidores, a articulação pela derrota do indicado do governo foi atribuída ao presidente do Senado, que defendia outro nome para a Corte e passou a protagonizar um dos maiores desgastes institucionais da relação entre Executivo e Legislativo neste terceiro mandato de Lula.

Derrota de Jorge Messias abriu crise

A rejeição de Jorge Messias representou uma derrota política de grande peso para o governo federal e marcou uma inflexão na relação entre Lula e Alcolumbre. A partir daquele episódio, interlocutores do Planalto passaram a relatar dificuldades para estabelecer diálogo direto com o presidente do Senado.

A crise ganhou novos capítulos nas semanas seguintes, quando uma série de projetos considerados prioritários pelo governo passou a depender diretamente de decisões de Alcolumbre para avançar na Casa.

Entre eles está a Proposta de Emenda à Constituição que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e extingue a escala 6×1, uma das principais bandeiras do governo Lula e do movimento sindical.

PEC do fim da escala 6×1 virou novo foco de atrito

A tramitação da PEC passou a enfrentar resistência após chegar ao Senado. Em vez de seguir o rito tradicional, Davi Alcolumbre defendeu que a proposta fosse encaminhada para mais de uma comissão, possibilidade considerada inédita desde a promulgação da Constituição de 1988.

A mudança de procedimento foi interpretada por parlamentares governistas e por centrais sindicais como uma tentativa de retardar a votação de uma proposta que já havia sido amplamente debatida e aprovada pela Câmara dos Deputados.

Na ocasião, Alcolumbre afirmou que o Senado não poderia apenas “carimbar” a decisão tomada pelos deputados e defendeu uma tramitação “com calma”, chegando a sugerir que os senadores poderiam “melhorar” o texto aprovado pela Câmara.

A posição gerou críticas entre integrantes da base governista, que passaram a relacionar a demora na tramitação da PEC ao desgaste político decorrente da derrota da indicação de Jorge Messias ao STF.

Governo tenta reconstruir a relação

Nos últimos meses, ministros responsáveis pela articulação política buscaram reduzir a tensão com o comando do Senado, mas sem sucesso definitivo. O encontro promovido por Alexandre de Moraes representa a primeira conversa direta entre Lula e Alcolumbre desde o rompimento político.

Segundo Bela Megale, o objetivo imediato foi restabelecer a comunicação institucional entre os dois, considerada essencial para destravar votações de interesse do governo no segundo semestre.

Além da PEC do fim da escala 6×1, outras propostas prioritárias do Executivo dependem diretamente da definição da pauta do Senado, incluindo matérias econômicas e projetos ligados à agenda de desenvolvimento do governo.

Reaproximação pode destravar agenda legislativa

A retomada do diálogo ocorre em um momento estratégico para o governo, que busca acelerar a votação de projetos considerados prioritários antes do avanço do calendário eleitoral de 2026.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares avaliam que uma relação mais estável entre Planalto e Senado poderá facilitar a negociação de pautas que permanecem paradas desde o agravamento da crise entre Lula e Alcolumbre.

Embora o encontro tenha sido descrito como cordial e tenha servido para reabrir o canal de comunicação entre os dois chefes de Poder, ainda não há indicação de acordos concretos sobre a tramitação da PEC do fim da escala 6×1 ou de outras matérias pendentes.

A expectativa agora é que a reaproximação reduza a tensão institucional acumulada desde abril e permita ao governo reconstruir sua base de sustentação no Senado, onde o presidente da Casa exerce papel decisivo na definição das prioridades legislativas.

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