Morre Renato Machado, jornalista que marcou o telejornalismo brasileiro

Ex-apresentador do Bom Dia Brasil, Renato Machado atuou por mais de quatro décadas na TV Globo, onde foi âncora e repórter especial
Renato Machado gravando em frente à Abadia de Westminster, no casamento do Príncipe Andrew e Sarah Ferguson, em 1986 — Foto: Reprodução / Redes Sociais

O jornalista Renato Machado, um dos nomes mais conhecidos da televisão brasileira, morreu na manhã desta quinta-feira (16), aos 83 anos, na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. Com uma carreira iniciada no fim da década de 1960 e mais de 40 anos dedicados à TV Globo, ele se destacou como apresentador, editor, repórter especial e correspondente internacional, participando da cobertura de alguns dos acontecimentos mais relevantes das últimas décadas. Leia em TVT News.

Renato Machado iniciou sua trajetória profissional em 1969, como repórter do Jornal do Brasil. Em 1982, passou a integrar a equipe de jornalismo da TV Globo, onde participou da cobertura da Guerra das Malvinas, conflito entre Argentina e Reino Unido que mobilizou a imprensa internacional. No ano seguinte, assumiu o posto de correspondente da emissora em Londres, ampliando sua atuação no noticiário internacional.

Durante o período em que viveu na capital britânica, acompanhou fatos que tiveram repercussão mundial. Entre eles estiveram os atentados registrados em Paris, em 1986, e o acidente nuclear de Chernobyl, na então União Soviética, também naquele ano. Após retornar ao Brasil, em 1988, passou a atuar como repórter especial da emissora.

O reconhecimento nacional veio com a apresentação do Bom Dia Brasil. Entre 1996 e 2010, Renato Machado acumulou as funções de apresentador e editor-chefe do telejornal. Ao longo desse período, participou da reformulação do programa, que passou a apostar em um formato mais dinâmico, com maior interação entre os apresentadores, entradas ao vivo de repórteres e comentaristas e um uso mais amplo do estúdio.

Na bancada, dividiu o comando do telejornal inicialmente com Leilane Neubarth e, posteriormente, com Renata Vasconcellos. Também esteve à frente de outros programas importantes da emissora, como o Jornal da Globo e o RJTV, além de integrar a bancada do Jornal Nacional e atuar como repórter especial em diferentes coberturas.

Em depoimento ao projeto Memória Globo, Renato Machado definiu o telejornalismo como uma atividade baseada no aprendizado permanente e no trabalho coletivo. Para ele, o exercício da profissão exigia domínio de diferentes aspectos da produção audiovisual, da apuração à edição, além da disposição para aprender continuamente com a prática cotidiana.

Em 2011, voltou a Londres para exercer novamente a função de correspondente internacional da TV Globo. Nesse período, participou da cobertura de acontecimentos como o ataque à redação do jornal francês Charlie Hebdo, em 2015, o aniversário de 95 anos de Nelson Mandela e a crise econômica na Grécia, levando ao público brasileiro informações sobre temas que marcaram o cenário político e social internacional.

Interesse pela gastronomia e pelos vinhos

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Renato Machado quando era editor-chefe no Jornal do Brasil — Foto: Reprodução / Redes Sociais

Além da atuação no telejornalismo, Renato Machado desenvolveu uma carreira voltada à gastronomia e ao universo dos vinhos. Entre 1993 e 2006, assinou a coluna Em volta da mesa, publicada no caderno Rio Show, de O Globo, na qual escrevia sobre vinhos, restaurantes e cultura gastronômica.

Também levou esse conhecimento para outros veículos de comunicação. Manteve uma coluna na rádio CBN e apresentou, ao lado do chef Claude Troisgros, o programa Menu Confiança, no GNT. Em 2014, produziu uma série de reportagens para o Jornal Hoje sobre a região da Provença, na França, abordando a produção de vinhos, a culinária e aspectos culturais da região.

Nas redes sociais, compartilhava análises e informações sobre diferentes rótulos e regiões produtoras, mantendo contato com um público interessado na cultura do vinho.

Atuação no teatro e na televisão

Antes de consolidar sua carreira no jornalismo, Renato Machado também teve passagem pelas artes cênicas. Atuou como ator, dublador e integrou o Teatro Oficina, em São Paulo, participando de montagens como A Tempestade, de William Shakespeare, e Antígona.

Na televisão, fez participações em produções exibidas ainda na década de 1960, como Rosinha do Sobrado e A Moreninha, na TV Globo, além da novela Sangue do Meu Sangue, da TV Excelsior.

A atriz Regina Duarte recordou a convivência com Renato Machado em entrevista ao Programa do Jô, em 2012. Segundo ela, o jornalista chamava atenção pela inteligência, pela ampla formação cultural e pela facilidade de comunicação, características que também marcaram sua trajetória no jornalismo.

A morte de Renato Machado encerra a trajetória de um profissional que acompanhou diferentes fases da televisão brasileira e participou da cobertura de acontecimentos nacionais e internacionais ao longo de mais de cinco décadas de atuação na comunicação.

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