Orçamento do metrô para modernização das linhas tem histórico de queda em governo Tarcísio  

Para especialista, números da gestão Tarcísio mostram processo de sucateamento de linhas que ainda não foram privatizadas
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Até junho, apenas 31% do orçamento previsto para recapacitação e modernização das linhas do metrô foi utilizado/ Foto: Agência Brasil

Dados da Lei Orçamentária Anual (LOA) mostram que, durante os anos de governo Tarcísio, os investimentos em recapacitação e modernização das linhas do metrô caíram por dois anos consecutivos, voltando a subir apenas em 2026, ano eleitoral. Saiba mais em TVT News.  

Em 2023, o orçamento aprovado para estes fins, totalizou R$ 517, 5 milhões, sendo que o valor executado foi de 53,6%, caindo para R$ 493,9 milhões em 2024 e R$ 442 milhões em 2025. Apenas neste ano, o valor voltou a ser maior que em 2023, com previsão orçamentária de R$ 543, 9 milhões. No entanto, até junho deste ano, foi executado apenas 31% do orçamento previsto. 

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Durante os anos de governo Tarcísio, os investimentos em recapacitação e modernização das linhas do metrô caíram por dois anos consecutivos. (Arte TVT)

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De acordo com o deputado estadual Luiz Fernando (PT), membro da Frente Parlamentar de Transportes, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), olhando orçamento como um todo — o que além da recapacitação e modernização das linhas incluiu o montante de empreendimentos e expansão — entre, 2023 e 2025, o governador Tarcísio deixou de aplicar 1,5 bilhão do que tinha de orçamento aprovado para o metrô. 

Para o deputado, a situação hoje do transporte sob trilho em São Paulo, é caótica com problemas de atraso e lotação. “O que ele vem fazendo é sucateando, o metrô da mesma forma que vem sucateando a CPTM. […] ele aplicou até junho, 38% daquele dinheiro previsto. Aí, você parte agora o segundo semestre, vai aplicar menos, porque você tem uma questão de queda de arrecadação. Qual é o jogo dele? É privatizar”. 

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Até junho foram aplicados 38% de todo o orçamento previsto para o metrô, que inclui recapacitação e modernização, empreendimentos e expansão. (Arte TVT)

Levantamento de dados feito pela TVT mostra que, no primeiro semestre de 2026, as principais falha do metrô ocorrem na linha vermelha, com 35,4% das falhas. Em todas as linhas, a ocorrência mais comum é velocidade reduzida. 

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Em linhas públicas do metrô, linha Vermelha, que apresentou baixa execução em manutenção em 2024 teve mais falhas. (Arte TVT)
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(Arte TVT)

Dados do orçamento mostram que, em 2024, a linha Vermelha teve apenas 12% do orçamento previsto executado. Em 2025, o cenário de execução orçamentária de recapacitação na linha vermelha chegou a 50%, mas o orçamento caiu de 72 milhões para dez milhões.  

O presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Dagnaldo Gonçalves Pereira, explica que, no metrô, sempre existiu uma política de evitar problemas. A empresa já chegou a transportar 5 milhões de pessoas e, hoje, transporta em torno de 4 milhões.  

“O problema é não ter concurso para o metrô, o que se desdobra em problemas para a população […] então, quando dá uma falha no trem, ele para todo o carro, porque ele não tem outra linha. O intervalo entre os trens é pequeno, é um intervalo de 90 segundos, principalmente, no horário de pico, então não pode ter falha”.  

Ele explica que as falhas vão desde uma pessoa segurando a porta, até um atropelamento, ou uma falha mecânica do trem, o que sempre foi evitado por uma prevenção preventiva constante.  

“Teve uma diminuição muito grande do quadro e deixou-se de fazer essas manutenções preventivas. Para você ter uma ideia, todo mês, a gente desmontava um trem para ver se tinha algum problema e quando acabava começava tudo de novo”, contou. 

A reportagem solicitou para a Motiva, responsável pela Linha 4-Amarela (ViaQuatro) e Linha 5-Lilás (ViaMobilidade) informações sobre a quantidade de falhas no primeiro semestre, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem.   

De acordo com Calábria, a manutenção não é uma prioridade nas linhas privatizadas. “Manutenção não é uma coisa que que dá marketing, que aparece, é aquele trabalho que é o arroz com feijão que precisa ser feito. Como não é muito mediático, o empresariado economiza para aumentar a margem de lucro”, disse. 

Ainda, o deputado Luiz Fernando afirma que a baixa execução do orçamento no metrô por parte de Tarcísio não é cobrada pela Alesp. “A Alesp é um puxadinho do Palácio dos Bandeirantes […] nós da oposição somos um número muito pequeno de deputados, ele não dá a menor satisfação para os deputados, como não dá para a imprensa, como não dá para os órgãos de controle, nem Ministério Público, nem Tribunal de contas. Ele tem, a benesse e a benevolência dos órgãos de controle”, criticou.  

CPTM: concessão com investimento do estado 

Na última quinta-feira (23) a população paulista acordou com as imagens de um vagão de trem em chamas da Linha 12-Safira. O incidente levou a problemas no terceiro dia da operação definitiva da Trivia Trens, concessionária que assumiu as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.  

A concessão envolve um investimento de R$ 14,3 bilhões e uma contraprestação anual de R$ 1,5 bilhão que durante 25 anos somará R$ 37,5 bilhões.  

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Interior do vagão que pegou fogo no terceiro dia da operação definitiva da Trivia Trens./ Foto: Portal CPTM/Reprodução

O diretor executivo do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, Ronaldo Domingues Leite, explica que a ideia de privatizar o transporte ferroviário começa ainda nos anos 1990. Na época, a CPTM assume a gestão dos trens em substituição a CBTU e Fepasa para transporte de passageiros. 

“Isso demorou 30 anos para acontecer […] é bem sabido que empresa de transporte de passageiro, ela realmente não gera lucro, porque o investimento é muito grande. Então, por isso, que se manteve sobre a tutela do estado durante todo esse tempo.”, argumentou. 

Leite cita o caso do Rio de Janeiro, onde os trens já estão privatizados há quase três décadas. “Há dois anos atrás, a empresa concessionária de lá [Supervia], entregou o sistema porque ela alegou não ter lucro”. 

Após o caos da última semana, a Artesp determinou que a Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM) vai operar as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade e o Serviço Expresso Aeroporto por 90 dias.  

Aumento da tarifa 

Segundo Rafael Calábria, o dinheiro arrecadado pela tarifa não é suficiente para cobrir os custos envolvidos no transporte e isso vai acabar causando diminuição na frequência nas linhas. “O metrô tem reduzido frequência em quase todas as linhas. Privadas e públicas. A Via 4 foi inaugurada há pouco mais de 10 anos, já começou a reduzir frequência também das linhas”, explicou. 

A questão do aumento das tarifas também preocupa em relação a privatização da CPTM. “O governo do estado está pagando para concessionária a integração. Então, se alguém sair da linha amarela e vai para CPTM , o governo está pagando a mais essa integração. Além disso, a tarifa que essas [empresas] privadas recebem é maior do que o metrô público recebe. Está havendo um encarecimento do serviço, porque o privado tem sido mais caro e isso tende, no médio prazo, pressionar para aumento de tarifa”, pontuou Calábria 

Levantamento do Plamurb mostra que a CPTM e o metrô ficaram com apenas 4,8% do saldo do Bilhete Único em 2024. De acordo com o portal, do total direcionado para o transporte sob trilhos, as operadoras privadas ficaram com 88% dos recursos. Enquanto a ViaQuatro teve uma tarifa média de R$ 5,19 o metrô ficou com R$ 0,59 de repasse da tarifa. 

Para Calábria, no futuro, o governo do estado pode querer cobrar a integração do usuário já que ele paga pelo passageiro para a empresa, ou, aumentar a tarifa básica, o que também é um repasse.

Luta por empregos  

Os trabalhadores ferroviários estão em aviso de greve. Entre as pautas, eles defendem empregos, segurança dos passageiros e reestatização das linhas privatizadas diante de falhas recorrentes no sistema.  

Uma das lutas, é para que os mais de 4 mil trabalhadores sejam realocados para serviço no metrô. “O metrô tem um déficit de trabalhadores na casa de 4.185, dados do portal da transparência”, sugeriu Leite. 

Ainda sobre o incidente envolvendo o trem em chamas na última semana, ele destaca que a culpa pelas falhas não é dos trabalhadores da Trívia. “ A culpa é única, exclusivamente, da gestão governamental. Os estudos não foram feitos de acordo, o treinamento não foi adequado.” 

A assembleia para aprovar, ou não, a greve será no dia 3 de agosto.  

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Reportagem: Girrana Rodrigues

Levantamento dados falhas no metrô: Dayane Ponte

No Metrô, o principal motivo das ocorrências foi

•Dados indisponíveis, seguido de velocidade reduzida.

Critério adotado: foram consideradas falhas operacionais:
• Velocidade reduzida
• Operação parcial
• Operação especial
Foram desconsiderados:
• Operação normal
• Dados indisponíveis
• Dados/status indisponíveis
• Status desconhecido

Importante: a porcentagem calculada é referente à proporção de registros operacionais que indicavam alguma anormalidade, mas não representa o percentual do tempo em que a linha ficou com falha, já que as planilhas não fazem uma medição contínua da operação.

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