PF e CGU deflagram nova fase da Operação Sem Desconto

Investigação apura descontos ilegais em aposentadorias e pensões e estima prejuízo de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024
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A operação da PF cumpre 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico, incluindo o uso de tornozeleiras. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quarta-feira (27) uma nova fase da Operação Sem Desconto, investigação que apura um esquema nacional de fraudes envolvendo descontos associativos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Saiba mais na TVT News.

A operação cumpre 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico, incluindo o uso de tornozeleiras, em ações realizadas no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Pernambuco e Paraíba. As ordens judiciais foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Esquema desviou bilhões de aposentados

Segundo as investigações, o grupo criminoso teria desviado aproximadamente R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e 2024 por meio da inclusão irregular de aposentados em associações e sindicatos, sem autorização dos beneficiários. A partir disso, mensalidades eram descontadas diretamente das folhas de pagamento do INSS.

Os investigados podem responder por crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário, ocultação de patrimônio e delitos contra a administração pública. O objetivo desta nova etapa é aprofundar a apuração sobre a estrutura financeira e operacional do esquema, além de identificar novos envolvidos e recuperar os valores desviados.

As autoridades apontam que o esquema funcionava por meio da filiação compulsória de aposentados e pensionistas a entidades associativas. Após a inclusão fraudulenta, os descontos eram feitos automaticamente nos benefícios previdenciários. Os recursos arrecadados seriam direcionados a associações ligadas a empresários, operadores financeiros e ex-integrantes da estrutura do INSS.

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Associações e ex-servidores estão entre os alvos da PF

Entre as entidades investigadas estão a UNIBAP e a ABENPREV, no Distrito Federal, além da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), Master Prev, Associação de Apoio Social e Assistência ao Próximo Saúde (AASAP) e Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas (ANDAPP), em São Paulo.

A operação também mira servidores e ex-servidores públicos suspeitos de participação no esquema. Em Pernambuco, um dos alvos é um ex-gerente executivo do INSS em Garanhuns. Desde o início das investigações, ao menos seis servidores públicos já foram afastados de suas funções.

Entre os investigados citados pelas autoridades estão Gutemberg Tito de Souza e Zacarias Canuto Sobrinho, apontados como articuladores das associações investigadas, além de Cleiton dos Santos Medeiros e Daniel Gerber, descritos como operadores financeiros da estrutura. Também aparecem entre os alvos dirigentes de entidades associativas e ex-integrantes da administração previdenciária.

Operação teve início em 2025

A Operação Sem Desconto foi iniciada em abril de 2025, quando a PF e a CGU cumpriram mais de 200 mandados e obtiveram decisões judiciais para bloqueio de bens superiores a R$ 1 bilhão. Em março deste ano, a investigação teve um desdobramento batizado de Operação Indébito, com foco em suspeitas de irregularidades no Ceará e no Distrito Federal.

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