PIB cresce 0,5% no segundo trimestre, puxado pela agropecuária

PIB brasileiro cresce 0,5% no segundo trimestre, com avanço da agropecuária e retração do consumo das famílias.
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Em valores correntes, o PIB brasileiro alcançou R$ 12,7 trilhões em 2025. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (1º). Leia em TVT News.

O resultado representa uma desaceleração do ritmo de expansão da economia, mas mantém o país em trajetória de crescimento. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a alta foi de 2%. Essa é a segunda maior alta do PIB no mundo no segundo semestre de 2026.

Em valores correntes, a economia brasileira movimentou R$ 3,4 trilhões entre abril e junho. O desempenho do trimestre foi sustentado principalmente pela agropecuária, enquanto indústria e serviços tiveram avanços mais modestos. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias apresentou retração, em contraste com a alta dos investimentos e do consumo do governo.

O PIB é um dos principais indicadores utilizados para medir o tamanho da atividade econômica de um país. O cálculo considera o valor dos bens e serviços produzidos em determinado período e permite acompanhar a evolução da economia.

Agropecuária lidera crescimento

Entre os grandes setores da economia, a agropecuária apresentou o melhor resultado no segundo trimestre, com crescimento de 2,8% em relação ao primeiro trimestre. Na comparação com o mesmo período de 2025, a expansão chegou a 6,8%.

O resultado foi favorecido pelo desempenho da pecuária e de produtos agrícolas, que registraram aumento nas estimativas de produção e ganhos de produtividade. Entre as culturas destacadas pelo IBGE estão o café, cuja produção cresceu 15,1% na comparação anual, e a soja, com alta de 5,3%.

Nem todas as culturas, porém, apresentaram expansão. A produção de arroz caiu 11,3%, enquanto o algodão recuou 6,7%. A produção de milho permaneceu estável.

O IBGE ressalta que esses números das lavouras são comparados com o mesmo trimestre do ano anterior porque não há séries com ajuste sazonal específicas para cada cultura. Por isso, os dados não permitem determinar quanto cada produto contribuiu individualmente para o crescimento trimestral de 2,8% da agropecuária.

Indústria avança pouco e extração de petróleo se destaca

A indústria cresceu 0,1% no segundo trimestre, na comparação com os três primeiros meses do ano. O resultado foi impulsionado pelas indústrias extrativas, que tiveram expansão de 3,4%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o avanço das atividades extrativas foi de 12%, impulsionado principalmente pelo aumento da extração de petróleo e gás. No acumulado do primeiro semestre, esse segmento apresentou crescimento de 12,5%.

O desempenho, entretanto, foi desigual dentro da indústria. A indústria de transformação recuou 0,4% no trimestre e acumulou queda de 0,9% na comparação anual. Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos também registraram retração de 1,1% no trimestre.

A construção caiu 0,4% entre o primeiro e o segundo trimestre, mas, na comparação com o mesmo período de 2025, apresentou crescimento de 1%.

Serviços têm alta de 0,2%

O setor de serviços cresceu 0,2% no segundo trimestre. Entre as atividades, o maior avanço trimestral foi registrado em informação e comunicação, com alta de 2,1%.

Também cresceram transporte, armazenagem e correio, com 1,1%, e atividades imobiliárias, com 0,2%. Comércio e outras atividades de serviços ficaram estáveis.

Na direção contrária, administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social recuaram 0,4%. As atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados tiveram queda de 0,3%.

Na comparação anual, os serviços cresceram 1,5%. Todas as atividades apresentaram resultado positivo nesse período, com destaque novamente para informação e comunicação, que avançou 8,4%.

Consumo das famílias recua

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias caiu 0,4% no segundo trimestre em relação ao período anterior. O movimento ocorre apesar do avanço da massa salarial real e do crédito destinado às pessoas físicas observado no período.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, entretanto, o consumo das famílias apresentou alta de 0,5%.

O coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes, afirmou que não é possível estabelecer uma relação direta entre o aumento da renda e do crédito e o comportamento do consumo. Segundo ele, os recursos adicionais podem ser destinados pelas famílias a outras finalidades, e os dados do PIB não permitem identificar isoladamente o peso de fatores como juros e câmbio sobre as decisões de consumo.

Enquanto as famílias reduziram seus gastos no trimestre, o consumo do governo cresceu 0,4%. Os investimentos tiveram expansão de 1,2%.

No setor externo, as exportações recuaram 0,8%, enquanto as importações aumentaram 1,8%.

PIB acumula alta de 1,9% no primeiro semestre

Considerando os seis primeiros meses de 2026, o PIB brasileiro cresceu 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

A agropecuária acumulou alta de 3,6% no semestre, enquanto a indústria avançou 1,6% e os serviços cresceram 1,8%.

Na demanda interna, o consumo das famílias aumentou 1,1% no primeiro semestre. O consumo do governo teve expansão de 2,9%, enquanto os investimentos ficaram estáveis.

As exportações cresceram 5,5% nos primeiros seis meses do ano, e as importações avançaram 3,4%.

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