EUA compram petróleo da Venezuela a preço de custo e com poder de veto por 100 anos

Direitos concedidos aos EUA sobre reservas venezuelanas levantam alerta para recursos estratégicos do Brasil
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Esta foto divulgada pela assessoria de imprensa do Palácio de Miraflores mostra a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez (C), conversando ao lado do ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López (2º à esquerda), e do ministro das Relações Internas, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello (2º à direita), durante uma reunião do Conselho de Ministros na sede da Vice-Presidência, em Caracas, em 4 de janeiro de 2026. O presidente Donald Trump insistiu, em 4 de janeiro de 2026, que os Estados Unidos estavam "no comando" da Venezuela após a deposição de Nicolás Maduro, mas também lidavam com a nova liderança interina em Caracas. (Foto de Marcelo García / Assessoria de Imprensa de Miraflores / AFP)

Os Estados Unidos firmaram um “acordo” para adquirir petróleo venezuelano pelo valor de produção, com direito de veto sobre decisões estratégicas em uma empresa com concessão de um século. O caso acende um alerta para o Brasil reforçar a proteção sobre seus recursos naturais, como o pré-sal. Entenda com a TVT News e informações da reportagem do jornal O Globo.

Principais pontos do acordo entre EUA e o petróleo da Venezuela

  • Os Estados Unidos terão participação de 35% na empresa controladora da North American Blue Energy Partners (NABEP), segundo o governo norte-americano.
  • A empresa recebeu concessões de 100 anos para 17 campos de petróleo venezuelanos, com reservas provadas estimadas em aproximadamente 65 bilhões de barris.
  • O governo dos EUA terá direito de comprar 20% da produção pelo custo de produção, sem margem de mercado.
  • Washington terá ainda direito de preferência para comprar os 80% restantes da produção em determinadas circunstâncias.
  • Os Estados Unidos terão poder de veto sobre a indicação de integrantes do conselho da empresa, além da exigência de que a maioria dos membros seja formada por cidadãos norte-americanos.
  • O governo venezuelano afirma que o acordo terá duração de 25 anos, enquanto a estrutura empresarial anunciada pelos EUA prevê concessões de 100 anos, criando uma diferença importante entre os dois entendimentos.
  • O objetivo anunciado é elevar a produção venezuelana para mais de 1,5 milhão de barris por dia e atrair investimentos para recuperar a indústria petrolífera.
  • O acordo envolve campos que estavam ligados à produção venezuelana e que poderão voltar a receber investimentos de grandes empresas internacionais.

EUA vão comprar petróleo a preço de custo da Venezuela

Um dos pontos mais relevantes do acordo é o direito concedido aos Estados Unidos de comprar uma parcela da produção venezuelana pelo preço de custo.

Segundo a Casa Branca, o Departamento de Estado norte-americano terá direito de adquirir 20% da produção atual e futura dos campos operados pela NABEP pelo custo de produção. Washington também terá direito de preferência para comprar a parcela restante da produção.

Na prática, o mecanismo garante aos EUA acesso privilegiado ao petróleo venezuelano. O governo norte-americano também terá participação societária na empresa responsável pelos campos e influência sobre a composição de seu conselho de administração.

O governo Trump apresenta o acordo como uma forma de garantir segurança energética aos Estados Unidos e recuperar a indústria petrolífera venezuelana.

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O incêndio em Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, é visto à distância após uma série de explosões em Caracas, em 3 de janeiro de 2026. Os militares dos Estados Unidos foram responsáveis ​​por uma série de ataques contra a capital venezuelana, Caracas, no sábado, segundo relatos da mídia americana. Há relato de aeronaves sobrevoando a cidade. Os veículos de imprensa americanos CBS News e Fox News noticiaram declarações de autoridades anônimas do governo Trump confirmando o envolvimento das forças americanas. Mais tarde, Trump admitiu o ataque (Foto: AFP)

A Casa Branca afirma que o pacto dará aos EUA acesso a mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas, volume superior às reservas comprovadas de petróleo atualmente existentes em território norte-americano, segundo os dados apresentados pelo próprio governo.

Para a Venezuela, o governo interino argumenta que o acordo poderá gerar investimentos e recuperar uma indústria afetada por anos de crise, sanções e problemas de infraestrutura. Rodríguez afirmou que, considerando um preço de referência de US$ 65 por barril, o país poderia receber mais de US$ 209 bilhões ao longo de 25 anos.

A questão, porém, vai além dos valores anunciados. O caso venezuelano mostra como uma crise econômica e política pode abrir espaço para que potências estrangeiras ampliem sua influência sobre recursos estratégicos de um país.

Com informações da Bloomberg e jornal O Globo

Soberania em risco: o que a concessão do petróleo da Venezuela ensina ao Brasil

Este acordo sobre o petróleo da Venezuela mostra como potências estrangeiras podem se apropriar de recursos naturais de países em situação de vulnerabilidade ou em desenvolvimento, como são as nações da América Latina. A entrega de uma concessão de 100 anos, com poder de veto e preço de custo, representa a perda do controle nacional sobre uma riqueza estratégica.

Para o Brasil, o exemplo serve de advertência. O país possui reservas expressivas no pré-sal e áreas ainda não exploradas, como a Margem Equatorial.

A defesa da soberania energética brasileira passa por manter o controle estatal sobre as decisões de exploração, garantir que a riqueza gerada fique no país e impedir contratos que comprometam o futuro das próximas gerações.

Brasil tem potencial de novos poços de petróleo no pré-sal

O Brasil também está diante de uma nova fronteira de exploração de petróleo. Em agosto de 2026, a Petrobras confirmou a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.

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A sonda NS-42 realiza a pesquisa exploratória no poço Morpho, na margem equatorial brasileira, onde a Petrobras descobriu a presença de hidrocarbonetos. Foto: Ricardo Stuckert

O poço está em águas ultraprofundas, com lâmina d’água de 2.886 metros. A confirmação foi feita depois da identificação de hidrocarbonetos durante a perfuração. A Petrobras, porém, ainda precisa concluir os trabalhos e realizar novas avaliações antes de estimar o tamanho da eventual reserva.

O que o presidente Lula tem falado sobre soberania

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem associado a exploração de petróleo à soberania brasileira, especialmente diante da descoberta na Foz do Amazonas.

Durante visita ao Amapá, em agosto, Lula comparou a confirmação de petróleo na região à descoberta do pré-sal, em 2007. Para o presidente, o novo achado pode representar uma fonte importante de recursos para o futuro do país.

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Para Lula, a postura do presidente norte-americano revela não apenas uma leitura equivocada da geopolítica, mas também produz efeitos negativos para o próprio povo dos Estados Unidos. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Lula também afirmou que a descoberta na Foz do Amazonas é estratégica para a Petrobras e para o Brasil e relacionou diretamente o petróleo à soberania nacional. O presidente defendeu que o país não deve abrir mão do controle sobre seus recursos naturais.

A posição também aparece em outras declarações do presidente. Em maio, ao anunciar investimentos da Petrobras no Amazonas, Lula relacionou a produção nacional de equipamentos e a capacidade tecnológica brasileira à soberania do país.

Em fevereiro, durante a abertura do Ano Judiciário, Lula afirmou que nenhuma nação deve ser construída sob tutela e que o Brasil deveria responder a pressões externas com base no direito internacional e na força de suas instituições.

Lula também tem destacado que a exploração do pré-sal deve servir para financiar educação, saúde e infraestrutura no Brasil, e não para enriquecer corporações estrangeiras. A posição do governo é clara: recursos naturais pertencem ao povo brasileiro.

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