Operação da Polícia Federal mira uso de dinheiro público no filme Dark Horse

Produtora Karina Gama e Deputado Mario Frias, da produção do filme sobre Jair Bolsonaro, estão entre os alvos
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PF faz operação de busca e apreensão. Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal está nas ruas para cumprir 49 mandados de busca e apreensão na operação Make Up, para apurar crimes licitatórios, peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Acompanhe as novidades sobre a operação da PF com a TVT News.

A produtora Karina Gama e o deputado Mario Frias (PL), produtores o filme Dark Horse, são alvos da ação.

O filme Dark Horse, que ainda não foi lançado, conta a história de Jair Bolsonaro e é alvo de investigações tanto por ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro, preso pelo escândalo do banco Master, como por uso de emendas parlamentares.

Entenda o que a Polícia Federal investiga na operação make up

  • A PF apura suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares para atividades relacionadas ao filme Dark Horse.
  • Mario Frias está entre os alvos da operação e é apontado como autor de emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil.
  • Karina Gama, dona da Go Up Entertainment e presidente do Instituto Conhecer Brasil, também é alvo das buscas.
  • A investigação aponta suspeitas de contratos com empresas subcontratadas sem comprovação da prestação dos serviços.
  • A PF investiga crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.
  • O caso envolve uma segunda frente de investigação sobre recursos do Banco Master, envolvido em uso de dinheiro de aposentadorias, destinados ao filme e relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Polícia Federal apura desvio de dinheiro público para Dark Horse

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares e que teriam sido direcionados para o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), apontado como autor de emendas investigadas, e Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo longa.

A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e é realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, são 49 mandados de busca e apreensão cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

Leia a nota da Polícia Federal sobre a ação que envolve produtores do Dark Horse

Nota da Polícia Federal publicada nesta quinta, 10 de setembro

PF apura desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares

Operação Make Up cumpre 49 mandados de busca e apreensão para apurar crimes licitatórios, peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa

Brasília/DF. A Polícia Federal, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta quinta-feira (10/9) a Operação Make Up, para apurar suposto desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares repassadas, por meio de termo de fomento, a organização da sociedade civil.

Estão sendo cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

As investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados. As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendidos até julho deste ano.

Levantamentos financeiros identificaram, ainda, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado.

Estão sendo investigados os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Coordenação-Geral de Comunicação Social

O que é a operação Make Up, da Polícia Federal

Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta a possível existência de uma organização formada por agentes públicos e privados que teria direcionado valores recebidos para empresas subcontratadas de maneira irregular.

A corporação afirma que os serviços contratados não teriam comprovação de execução efetiva. Levantamentos financeiros realizados pelos investigadores identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que fazem parte do esquema sob investigação.

Os investigadores apuram possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

A operação foi autorizada por Flávio Dino no âmbito do inquérito que investiga especificamente o possível direcionamento de emendas parlamentares. O financiamento de Dark Horse também é objeto de outro inquérito no STF, relatado pelo ministro André Mendonça.

Em março, Dino já havia determinado que Mario Frias prestasse esclarecimentos sobre uma emenda de R$ 2 milhões destinada ao Instituto Conhecer Brasil. O deputado negou irregularidades e afirmou ao STF que os recursos tinham finalidade social.

Quem é Karina Gama, produtora de Dark Horse

Karina Ferreira da Gama é presidente do Instituto Conhecer Brasil e responsável pela Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse. As duas organizações aparecem no centro das investigações relacionadas ao financiamento do filme e à utilização de recursos públicos.

A relação de Karina com o caso já havia sido investigada pela Polícia Civil de São Paulo. Em junho, a corporação realizou uma operação em endereços ligados à produtora, ao Instituto Conhecer Brasil, à própria Karina e à Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.

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Karina Ferreira Gama, sócia da produtora de ‘Dark Horse’ e presidente da ONG Instituto Conhecer Brasil – Foto: Instagram/Reprodução

A investigação paulista apura possíveis irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil. O acordo previa a oferta de internet Wi-Fi gratuita para comunidades carentes.

Segundo as investigações, existe a suspeita de que parte dos recursos desse contrato possa ter sido desviada para atividades relacionadas ao filme. Em agosto, Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a ter acesso aos dados da investigação conduzida pela Polícia Civil paulista.

Karina afirmou à Folha que a aplicação dos recursos foi correta e declarou que não teria informações a delatar.

Qual é o papel de Mario Frias no caso

Mario Frias, deputado federal pelo PL de São Paulo, é apontado como autor de emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, organização presidida por Karina Gama.

Uma das emendas que entrou no radar da investigação é de R$ 2 milhões. O parlamentar foi chamado pelo STF a prestar esclarecimentos sobre a execução dos recursos e negou a existência de irregularidades.

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Mário Frias também está no centro do escândalo do filme de Bolsonaro. Foto: Divulgação

Reportagens anteriores também apontaram que o Instituto Conhecer Brasil recebeu uma emenda de R$ 1 milhão indicada por Frias para um projeto de empreendedorismo voltado a estudantes de escolas públicas em Pirassununga, no interior paulista. Segundo apuração publicada pelo UOL em junho, o projeto ainda não havia sido implementado naquela ocasião.

A operação desta quinta-feira amplia a investigação sobre a destinação e a circulação desses recursos. A presença de Frias entre os alvos das buscas não significa, por si só, conclusão sobre responsabilidade criminal; a investigação ainda busca reunir documentos e outros elementos sobre a aplicação das verbas.

O que a operação pode afetar na campanha de Flávio Bolsonaro

A operação ocorre em meio a uma campanha presidencial na qual Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, é candidato. O senador não é alvo da Operação Make Up, segundo as informações divulgadas pela PF e pelos veículos que acompanharam a ação.

A relação de Flávio com Dark Horse, porém, já é objeto de outro inquérito no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça.

Mensagens e áudios divulgados em maio mostraram que Flávio negociou com Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, um financiamento de cerca de R$ 134 milhões para a produção do filme. Segundo as reportagens, aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos ao projeto.

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Composição de imagens de Flávio Bolsonaro e reprodução de conversa com Vorcaro, do Banco Master divulgadas pelo The Intecept Brasil. Imagens: Foto de Flávio Bolsonaro por Maura Martins/TV Brasil

Flávio confirmou que negociou o financiamento, mas negou ter oferecido vantagens em troca dos recursos. Em entrevista à CNN, afirmou que estava disposto a divulgar o contrato, mas explicou que a operação envolvia um fundo privado sediado nos Estados Unidos. Até hoje, o contrato não foi revelado e o candidato insiste em dizer que é “um problema da produtora”

A nova operação da PF acrescenta uma frente relacionada ao uso de recursos públicos e envolve personagens ligados à produção do filme. Dinheiro público que Flávio Bolsonaro dizia que não havia em Dark Horse. Vale lembrar que o escândalo do Banco Master envolve uso de fundos de pensão públicos no banco.

Assim, há atualmente investigações distintas sobre fontes de financiamento de Dark Horse: uma relacionada às emendas parlamentares e outra envolvendo recursos associados a Vorcaro.

Entenda o caso Dark Horse e as outras investigações

As investigações sobre Dark Horse começaram a reunir diferentes frentes ao longo de 2026.

Além da apuração sobre as emendas parlamentares, o STF investiga os recursos destinados ao projeto a partir de negociações envolvendo Daniel Vorcaro. Em uma colaboração premiada homologada pelo STF, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, relatou ter feito transferências para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, que teria sido utilizado no financiamento do filme.

Segundo investigação da revista Piauí, os repasses somaram pouco mais de US$ 12 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 61 milhões na cotação atual. A reportagem detalhou sete transferências que teriam totalizado US$ 12,3 milhões, pelo menos, uma a mais do que Flávio Bolsonaro admtitiu.

O fundo Havengate é apontado nas investigações como uma estrutura utilizada para financiar Dark Horse. O caso também envolve Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro, apontado como administrador do fundo.

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André Porciúncula, Eduardo Bolsonaro e ex-auxiliar de Mario Frias na Secretaria de Cultura do governo Jair Bolsonaro – Foto: Reprodução

A apuração sobre o dinheiro de Vorcaro é diferente da investigação sobre as emendas parlamentares que motivou a Operação Make Up desta quinta-feira.

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