PP resiste no apoio a Tereza Cristina como vice de Flávio Bolsonaro

Maioria da cúpula do partido defende neutralidade na eleição presidencial e teme que aliança com o PL prejudique palanques estaduais, principalmente no Nordeste, onde Lula mantém vantagem eleitoral
Apoio a Flávio poderia criar dificuldades nos estados. Foto: Roque de Sá/Agência Senado

A tentativa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de fechar uma chapa presidencial com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como candidata a vice enfrenta resistência dentro do Progressistas (PP). Apesar da sinalização da parlamentar de que aceita disputar o cargo, a direção nacional do partido mantém a preferência pela neutralidade na eleição presidencial, diante do temor de que um alinhamento com o bolsonarismo comprometa alianças regionais e dificulte a disputa por vagas no Congresso. Saiba mais na TVT News.

A posição foi reforçada após uma consulta feita pelo presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), a integrantes da Executiva da legenda. A maioria dos dirigentes consultados defendeu que o partido não declare apoio formal a nenhum candidato à Presidência e deixe os diretórios estaduais livres para construir suas próprias alianças.

O principal argumento entre lideranças do PP é que o abandono da neutralidade poderia criar dificuldades nos estados, especialmente no Nordeste, região onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém forte presença eleitoral. Uma adesão nacional ao nome de Flávio Bolsonaro poderia limitar acordos locais e prejudicar candidaturas proporcionais do partido, que busca ampliar sua bancada no Congresso.

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“Abriu-se uma consulta interna com oito integrantes do partido. A maioria foi pela neutralidade”, afirmou o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), ao citar também a posição de lideranças como Arthur Lira (PP-AL), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Doutor Luizinho (PP-RJ).

Aguinaldo Ribeiro também afirmou que a independência da sigla na disputa presidencial está consolidada. “É o que eu defendi ao Ciro: a posição de neutralidade”, declarou.

Tereza Cristina aceita conversar, mas decisão depende do partido

A senadora Tereza Cristina afirmou nesta quinta-feira (30) que a conversa com Flávio Bolsonaro sobre a vice-presidência foi “produtiva”, mas ressaltou que ainda não há decisão oficial sobre a composição da chapa.

Em nota, a parlamentar afirmou que qualquer definição depende de “avaliações políticas e pessoais, além de consultas e acertos partidários”. A escolha, portanto, passa pelo aval do PP e da federação União Progressista, formada por PP e União Brasil.

A possível indicação de Tereza Cristina é vista pelo PL como uma estratégia para fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro. A senadora é considerada uma ponte com o agronegócio e poderia ajudar a aproximar a chapa do eleitorado feminino, grupo em que pesquisas recentes apontam vantagem de Lula.

A movimentação, porém, ainda não convenceu a cúpula do PP. Dirigentes avaliam que a articulação representa mais uma pressão do PL para mudar a posição de neutralidade do que uma decisão interna consolidada da federação.

Disputa envolve tempo de TV, fundo eleitoral e palanques estaduais

A busca pelo apoio do PP e do União Brasil tem peso estratégico para Flávio Bolsonaro. Uma coligação ampliaria o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão e facilitaria a distribuição de recursos do fundo eleitoral.

Sem uma aliança mais ampla, a campanha do senador do PL pode entrar na disputa presidencial com menos estrutura que a de Lula. Por isso, a cúpula bolsonarista tem tratado a aproximação com Tereza Cristina como uma das principais prioridades da pré-campanha.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a classificar a senadora como o “sonho de consumo” para a vice-presidência. Até poucos dias atrás, porém, Tereza Cristina indicava que pretendia disputar a presidência do Senado, cargo para o qual tem mandato até 2031.

A mudança de posição ocorreu após pressão de lideranças bolsonaristas, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de setores do agronegócio. Ainda assim, a composição depende da aprovação dos partidos.

Atritos políticos dificultam aproximação com o PL

Além das preocupações eleitorais nos estados, integrantes do PP apontam que episódios recentes também dificultaram a construção de uma aliança com Flávio Bolsonaro.

Entre eles está a repercussão das investigações envolvendo o Banco Master e as relações políticas entre dirigentes do partido, o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro. O caso aumentou o desgaste entre setores do Centrão e a candidatura do PL.

Ciro Nogueira, que anteriormente avaliava como provável uma aproximação com Flávio, passou a adotar postura mais cautelosa. O dirigente também busca preservar espaço político em seu estado, o Piauí, onde Lula tem histórico de forte votação.

A federação União Progressista deve seguir discutindo o tema até o prazo final das convenções partidárias, em 5 de agosto. Até lá, o PL tenta reverter a resistência interna e convencer PP e União Brasil a abandonarem a neutralidade.

Enquanto isso, a maioria da cúpula do PP avalia que manter independência na eleição presidencial preserva maior liberdade para os palanques estaduais e evita conflitos em regiões onde o cenário eleitoral favorece Lula.

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