Rockbridge, grupo de JD Vance, iniciou instalação no Brasil

Organização conservadora ligada ao vice-presidente dos EUA JD Vance tem estrutura jurídica no Brasil e chegou a planejar ações em mídia, formação política e articulação com parlamentares
organizacao-conservadora-ligada-ao-vice-presidente-dos-eua-jd-vance-tem-estrutura-juridica-no-brasil-e-chegou-a-planejar-acoes-em-midia-formacao-politica-e-articulacao-com-parlamentares-foto-mark-schiefelbein-pool-afp
Organização conservadora ligada ao vice-presidente dos EUA JD Vance tem estrutura jurídica no Brasil e chegou a planejar ações em mídia, formação política e articulação com parlamentares. Foto: Mark Schiefelbein/Pool/AFP

A Rockbridge Network, grupo conservador norte-americano cofundado pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, iniciou um processo de instalação no Brasil e criou uma estrutura jurídica para viabilizar sua atuação no país. Documentos apontam que a organização chegou a elaborar planos para atuar em mídia, formação de jovens e articulação com parlamentares de direita. Leia em TVT News.

A iniciativa, no entanto, acabou sendo suspensa durante o período eleitoral. A própria Rockbridge afirma que a empresa criada nos Estados Unidos para representar o projeto brasileiro não chegou a operar, receber recursos ou desenvolver atividades empresariais. Ainda assim, o processo de aproximação com empresários e políticos brasileiros avançou antes da interrupção.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

Grupo de Vance buscou empresários e políticos brasileiros

Documentos mostram que representantes da Rockbridge fizeram contatos com nomes do empresariado brasileiro, entre eles o empresário Joesley Batista, da J&F, e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) também tiveram contato com integrantes do grupo. Os citados não comentaram a reportagem.

A aproximação ganhou força durante a Semana do Brasil em Nova York, quando Chris Buskirk, cofundador da Rockbridge ao lado de Vance, participou de um encontro com empresários brasileiros. A reunião foi mediada por Tallis Gomes, fundador da Easy Taxi e da G4 Educação, que integra a rede nos Estados Unidos.

Documentos apresentados a possíveis integrantes indicavam duas categorias de participação. A modalidade Keystone previa contribuição anual de US$ 500 mil, enquanto a Visionary chegava a US$ 1 milhão por ano. Os pagamentos poderiam ser realizados em dinheiro, criptomoedas, ações ou por meio de estruturas corporativas e trusts.

Projeto previa atuação em mídia e política

Um dos documentos descrevia a Rockbridge Brasil como uma espécie de estrutura de investimento em infraestrutura política e social. A proposta previa três áreas principais de atuação: mídia, formação de jovens e atividade legislativa.

Na área de comunicação, a organização pretendia apoiar e organizar veículos conservadores. Na formação política, a ideia era financiar movimentos em universidades e outros ambientes acadêmicos. Já no Legislativo, o plano previa fornecer dados e pesquisas a parlamentares de direita.

Outro documento apresentava a proposta de criação de um Conselho de Tecnologia, que reuniria empresários brasileiros e estrangeiros para discutir investimentos em tecnologia, energia e mineração. O material foi encaminhado ao então pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e previa a participação de 23 integrantes, sendo 19 estrangeiros.

Entre os brasileiros citados estavam Tallis Gomes, Mario Araripe, fundador da Casa dos Ventos, David Peixoto, da Pax AI, e Pedro Sang, apresentado no documento como CEO da Rockbridge Brasil. Alguns dos nomes citados negaram ter integrado o conselho ou autorizado a utilização de seus nomes.

Rockbridge diz que projeto foi interrompido

Quando procurada por veículos de imprensa, a Rockbridge afirmou que a criação da estrutura brasileira ocorreu a partir do interesse de brasileiros, mas que a iniciativa acabou rejeitada e não entrou em operação. Segundo a organização, a empresa criada para o projeto nunca recebeu recursos nem foi utilizada para atividades empresariais. O grupo também afirmou que documentos que apresentavam planos de atuação política foram produzidos por brasileiros sem seu conhecimento ou autorização.

A aproximação com o Brasil ganhou dimensão política depois que Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, afirmou que pessoas ligadas à Rockbridge estariam apoiando a campanha de Flávio Bolsonaro e teriam interesse em negócios envolvendo terras raras brasileiras. Os acusados negam as afirmações.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou o Supremo Tribunal Federal para pedir investigação sobre eventual recebimento de recursos estrangeiros pela campanha de Flávio. O PT também apresentou pedido ao STF para apurar uma possível interferência estrangeira nas eleições.

A campanha de Flávio nega ter recebido recursos do exterior. A legislação eleitoral brasileira proíbe o financiamento estrangeiro de campanhas. Até o momento, as acusações de financiamento estrangeiro relacionadas à Rockbridge são objeto de questionamentos e pedidos de investigação, e não de uma conclusão oficial sobre irregularidades.

Assuntos Relacionados