Flávio Bolsonaro pede aos EUA adiamento de tarifas para após a eleição

O senador do PL enviou carta ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos pedindo adiamento de 6 meses na aplicação das tarifas de 25%; Lula reage
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Flávio Bolsonaro pede aos EUA que adiem tarifas em 180 dias. Foto: Pedro França/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro, do PL/RJ, enviou pedido aos EUA pelo adiamento da aplicação de novas tarifas sobre as exportações brasileiras. Leia mais em TVT News.

A solicitação foi enviada em uma manifestação ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), e demanda atraso de 180 dias na medida.

Na prática, se o pedido for aceito, a aplicação da tarifa de 25% ficaria para depois das eleições presidenciais.

No documento, o filho de Jair Bolsonaro justifica o pedido afirmando que o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos anteriormente não surtiu efeitos positivos ou mudou a atitude das autoridades brasileiras.

Pelo contrário: segundo ele, as pesquisas de opinião pública “mostram que a posição eleitoral do atual governo se fortaleceu precisamente durante os períodos em que a pressão tarifária dos EUA foi mais evidente”, de acordo com o documento.

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Na manifestação, Flávio afirma que Lula cresce politicamente com o embate travado com autoridades norte-americanas. Foto: Divulgação/Casa Branca

Em 2025, quando o presidente dos EUA impôs o primeiro tarifaço ao Brasil, com sobrepreços de 50%, Flávio agradeceu Donald Trump pela medida.

Na manifestação ao USTR, o senador afirmou que tarifas aplicadas agora “recompensariam o atual governo brasileiro” por sua suposta estratégia de “obstruir negociações sérias, provocar retaliações e converter essa retaliação em uma vitória política interna”.

Na carta, Flávio também afirma que os custos da tarifa “recairiam sobre a economia americana” e “os brasileiros mais comprometidos com o relacionamento construtivo com os EUA”.

O filho “01” de Jair Bolsonaro também se apresenta como pré-candidato do PL à Presidência da República e cita encontros recentes com o presidente norte-americano, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, para discutir as tarifas impostas a produtos brasileiros.

Lula reage ao pedido de adiamento das tarifas por Flávio: Brasil não está à venda

Em publicação na rede X, o presidente Lula repreendeu o pedido de adiamento das tarifas por parte de Flávio.

Lula chamou suas atitudes de “entreguismo” e “traição”, e afirmou que a origem da tarifa foi a defesa pública da medida pela própria família Bolsonaro.

O presidente já se manifestou em outra ocasião sobre o papel do clã Bolsonaro na imposição de tarifas às exportações brasileiras por Donald Trump.

Tarifas oriundas da “Seção 301” podem começar ainda neste mês

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) apresentou formalmente no dia 3 de junho uma proposta para aplicar uma taxa de 12,5% sobre produtos oriundos do território brasileiro.

O anúncio se deu apenas vinte e quatro horas após o o governo de Trump impor tarifas de 25% contra mercadorias exportadas pelo Brasil por conta de críticas ao Pix.

A nova punição econômica faz parte de um conjunto de medidas que atinge 60 nações. Desta vez, a justificativa apresentada por Washington repousa em supostas falhas institucionais do Estado brasileiro para proibir, fiscalizar e coibir o comércio de bens produzidos por outros países por meio de trabalho forçado.

Conforme os documentos disponibilizados pelo USTR, a taxa imposta ao Brasil não se fundamenta em denúncias de exploração direta de trabalho forçado nas cadeias produtivas internas do país.

O foco da acusação norte-americana recai sobre as importações brasileiras de mercadorias estrangeiras que não seguiriam regras e boas práticas trabalhistas internacionais.

O uso desse tema pela Casa Branca é encarado por analistas como um expediente de pressão política e comercial, configurando um mecanismo de coerção econômica que visa assegurar vantagens ao mercado norte-americano.

De acordo com a lógica comercial exposta pelo órgão de Washington, o Brasil comete uma infração ao adquirir insumos e produtos mais baratos dessas nações parceiras. Essa triangulação permitiria que bens acabados chegassem ao mercado em condições financeiras mais competitivas, promovendo o que os Estados Unidos classificam como uma concorrência desleal perante a indústria e as mercadorias americanas.

Apesar de o foco principal repousar sobre as importações brasileiras vindas de terceiros, o relatório técnico do USTR também insere acusações acessórias relativas à suposta presença de regimes de trabalho forçado em setores específicos da própria atividade econômica nacional.

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