Da AFP em Teerã, Irã – Trump disse que acordo com o Irã acabou e ameaça novo ataque na noite desta quarta, 8 de julho.
Os Estados Unidos atacarão o Irã “com força” esta noite, advertiu o presidente Donald Trump nesta quarta-feira, encerrando a trégua após a retomada dos confrontos entre os dois países no Golfo Pérsico e no estratégico Estreito de Ormuz.
Essa importante rota marítima para o comércio global de hidrocarbonetos continua sendo um dos principais pontos de tensão do conflito, que começou no final de fevereiro com a ofensiva conjunta EUA-Israel contra o Irã.
Teerã quer controlar o Estreito de Ormuz impondo pedágios e advertiu que atacará navios que não respeitarem os corredores autorizados. Desde junho, o Irã negocia com Washington para encontrar uma solução duradoura para o conflito.
Os bombardeios atribuídos ao Irã contra pelo menos três embarcações nos últimos dias desencadearam uma ofensiva dos EUA contra alvos iranianos na terça-feira, à qual Teerã respondeu atacando países do Golfo aliados a Washington.
“No que me diz respeito, acabou”, declarou Trump na quarta-feira durante a cúpula da OTAN na Turquia, quando questionado se a trégua com o Irã ainda estava em vigor.
“É uma perda de tempo negociar com eles”, acrescentou.
“Deixarei nossos excelentes negociadores continuarem conversando, se quiserem, mas não vejo isso acontecendo. Não gosto dessas pessoas”, comentou.
Mais tarde, Trump advertiu: “Esta noite vamos atacá-los com força”.

As declarações do presidente americano impulsionaram os preços do petróleo, e o preço do petróleo Brent, do Mar do Norte, subiu 6%, para US$ 79 o barril.
A agência de notícias iraniana IRIB relatou diversas explosões na quarta-feira nas proximidades do Estreito de Ormuz, incluindo seis na Ilha de Qeshm, sete na cidade de Sirik e várias outras em Bandar Abbas, um dos principais portos do país.
Explosões também foram relatadas na cidade portuária de Bushehr, onde fica a única usina nuclear civil do país.
A cidade está localizada perto da Ilha de Khark, o principal terminal petrolífero do Irã, por onde passam aproximadamente 90% das exportações de petróleo bruto do país.
A mídia estatal iraniana acrescentou que um membro da Guarda Revolucionária foi morto no sudoeste do Irã.
O Comando do Oriente Médio dos EUA (Centcom) afirmou que suas forças atacaram mais de 80 alvos, incluindo sistemas de defesa aérea iranianos, instalações de radar costeiras e 60 embarcações leves da Guarda Revolucionária.
Os bombardeios tinham como objetivo “degradar a capacidade do Irã de continuar atacando o comércio internacional que passa por essa rota estratégica para o comércio global”, afirmou.
A resposta iraniana foi imediata. A Guarda Revolucionária reivindicou a autoria de ataques contra dezenas de instalações militares americanas no Kuwait e no Bahrein, onde um jornalista da AFP ouviu explosões.

O fantasma da guerra retorna
O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Qalibaf, acusou os Estados Unidos de cometerem violações “graves” do acordo entre os dois países, incluindo a reimposição de sanções ao petróleo iraniano.
Washington revogou as isenções que permitiam certas vendas de petróleo bruto enquanto as negociações para uma solução definitiva do conflito continuam.
“As ações do Irã no Estreito foram totalmente inaceitáveis para os Estados Unidos e terão consequências”, disse um funcionário americano à AFP.
O Kuwait condenou os “ataques” do Irã e afirmou que eles “comprometem” os esforços de desescalada em curso. O Catar, um dos países mediadores entre o Irã e os Estados Unidos, também pediu que se “continue no caminho do diálogo”.
Nawal Saad, uma funcionária pública do Bahrein, expressou sua angústia ao acordar com o som de sirenes de ataque aéreo.
“O fantasma da guerra paira sobre nós novamente”, lamentou.

Embora o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz tenha começado a se recuperar após o acordo assinado no mês passado, Teerã insiste que não retornará ao sistema anterior, que permitia a livre passagem pelo estreito.
A Organização Marítima Internacional (OMI) informou na quarta-feira que cerca de 6.000 marinheiros estão retidos no Golfo Pérsico devido ao conflito no Oriente Médio e condenou a retomada das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã.
© Agence France-Presse
Exclusivo: TVT News está no Irã
A jornalista da TVT News, Laura Capriglione, está no Irã e conta como foram os ataques norte-americanos.
Como foram os funerais
Nos últimos dias, o Irã realiza cerimônia fúnebre para o ex-líder Ali Khamenei, assassinado pelos Estados Unidos (EUA) e Israel, no dia 28 de fevereiro de 2026, aos 86 anos. O ataque iniciou a guerra entre as três nações.
Até a noite de terça, 7 de julho, vigorava um cessar-fogo, o que possibilitava a realização dos eventos fúnebres do país. Especialistas em geopolítica e em conflitos ouvidos pela TVT consideram que o tratado reconhece a vitória do país persa diante das agressões estadunidenses e israelenses.
A comentarista do jornal TVT News Primeira Edição, Laura Capriglione, está no Irã a convite do Arresala – Centro Islâmico no Brasil.
Confira as fotos enviadas por Laura Capriglione
1. Criança segura cartaz com “Nós matamos o Trump”.
2. Barraca de distribuição de alimentos gratuitos para os participantes da cerimônia fúnebre.
3. Voluntário responsável pela segurança do velório.
4. Distribuição gratuita de água.
5. Apoio à Palestina.
6. Família com a bandeira do Hezbollah contra a invasão israelense.
7. Equipe de segurança.
8. Famílias levaram bebês para a cerimônia fúnebre de Ali Khamenei.
O que levou à vitória iraniana sobre os EUA
Diretamente do Irã, a comentarista Laura Capriglione analisa os fatores históricos e culturais que, segundo ela, ajudam a explicar a postura do país no conflito com os Estados Unidos.
Para Laura, a percepção de vitória iraniana está ligada a uma longa tradição de resistência e de não submissão a potências estrangeiras, característica que, segundo a análise, segue presente na sociedade iraniana.

