Trump lança canal próprio após restringir acesso de veículos à Casa Branca

Plataforma promete transmitir vídeos, discursos e registros da administração em tempo real após restrições impostas a jornalistas na Casa Branca
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Trump cria TV própria após censurar veículos de imprensa – Foto: Divulgação/Casa Branca

O governo de Donald Trump lançou a chamada “Trump TV”, um canal no YouTube com programação dedicada às atividades e declarações do presidente dos Estados Unidos. A transmissão começou na noite de segunda-feira (21), com a promessa de disponibilizar conteúdos sobre a administração do republicano durante 24 horas por dia, sete dias por semana. Leia em TVT News.

O lançamento ocorreu poucos dias depois de o governo restringir o acesso de jornalistas da CNN, MSNBC/MS NOW e do site Politico à Casa Branca. Os veículos afetados afirmam que a medida viola direitos previstos pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de imprensa, e ingressaram na Justiça contra a decisão.

A nova plataforma foi apresentada pela Casa Branca como um espaço para concentrar vídeos, discursos e outros registros relacionados ao governo Trump. Na descrição publicada no YouTube, o canal afirma reunir os “maiores momentos” da gestão, além das principais declarações e destaques, com transmissão contínua e atualizações em tempo real.

Canal promete programação 24 horas por dia

A Casa Branca anunciou a criação da “Trump TV” por meio de publicações nas redes sociais. A divulgação foi acompanhada por um vídeo produzido com recortes de séries e filmes conhecidos, entre eles “Breaking Bad”, “Bob Esponja”, “Os Simpsons”, “Friends”, “Seinfeld” e “Esqueceram de Mim”.

Apesar do anúncio, os textos de divulgação não apresentam uma programação detalhada do canal. A proposta informada pelo governo é manter uma transmissão permanente com conteúdos relacionados ao presidente e às ações de sua administração.

Cerca de uma hora depois do lançamento, a transmissão exibiu novamente a cerimônia de posse do segundo mandato de Trump, realizada em 20 de janeiro de 2025.

A descrição do canal no YouTube apresenta a plataforma como uma forma de acompanhar os principais acontecimentos do governo em um mesmo espaço. A proposta inclui vídeos considerados relevantes pela própria administração, declarações do presidente e outros registros atualizados.

Restrição à imprensa antecedeu lançamento

A criação do canal ocorreu após uma série de medidas que restringiram a presença de veículos de imprensa na cobertura da Casa Branca.

Na sexta-feira (18), Trump anunciou o banimento de CNN, MS NOW e Politico da cobertura na sede do Executivo. Jornalistas desses veículos foram impedidos de entrar na Casa Branca. As empresas reagiram recorrendo à Justiça e sustentam que a decisão do governo desrespeita as garantias constitucionais relacionadas à liberdade de imprensa.

Na segunda-feira (21), a CNN também foi retirada da função de representante do chamado pool de imprensa responsável pela cobertura televisiva da Casa Branca.

Há anos, cinco grandes redes de televisão, ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC, dividem a responsabilidade pela cobertura televisiva dos compromissos presidenciais. O sistema permite compartilhar custos e distribuir as imagens dos eventos para organizações de notícias nos Estados Unidos e em outros países.

As emissoras se revezam nessa função. A CNN, por exemplo, estava escalada para acompanhar a viagem de Trump à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Reaçãlo à censura: emissoras suspendem cobertura conjunta

Como reação às restrições impostas pelo governo, as principais redes de televisão concordaram em suspender a cobertura conjunta dos compromissos presidenciais.

O grupo que participa do sistema de revezamento inclui CNN, NBC, ABC, CBS e Fox. A decisão ocorreu em meio à disputa entre a Casa Branca e os veículos que tiveram suas credenciais de acesso restringidas.

Mesmo com a suspensão da cobertura conjunta, os compromissos de Trump na segunda-feira continuaram sendo acompanhados por profissionais de outros segmentos da imprensa. Jornalistas da imprensa escrita, do rádio e de agências de notícias, além de fotógrafos, permaneceram realizando a cobertura das atividades presidenciais.

Trump diz combater “fake news”

Trump apresentou outra justificativa para as medidas contra os veículos de comunicação. Em uma publicação em sua rede social, o presidente afirmou que as empresas representam uma “ameaça à segurança nacional”.

Segundo Trump, o governo estaria promovendo uma ofensiva contra as chamadas “fake news”. O presidente afirmou que esse tipo de conteúdo teria crescido no país e classificou o fenômeno como uma ameaça que precisaria ser interrompida.

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