O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, tornou-se o mais novo personagem citado nas revelações atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master e principal alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Reportagem publicada pela revista Veja afirma que Vorcaro relatou, em sua segunda proposta de delação premiada, ter realizado um pagamento de US$ 30 milhões — cerca de R$ 155 milhões na cotação atual — ao senador amapaense. Saiba mais na TVT News.
Segundo a publicação, o valor teria sido depositado em uma conta no exterior e repassado ao parlamentar em troca de apoio a interesses do Banco Master. A operação, ainda de acordo com o relato atribuído ao ex-banqueiro, teria sido conduzida por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
As acusações surgem em meio às negociações frustradas de colaboração premiada entre o empresário, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Na quinta-feira (11), a PF rejeitou pela segunda vez a proposta de delação apresentada pela defesa do banqueiro, sob o argumento de que os relatos não trouxeram informações inéditas nem elementos probatórios capazes de justificar benefícios legais.
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Apesar da negativa da corporação, o conteúdo da proposta continua sob análise da PGR.
Acusações ainda dependem de comprovação
As alegações envolvendo Alcolumbre fazem parte de um conjunto mais amplo de acusações que Vorcaro teria prometido detalhar às autoridades. Segundo a Veja, o ex-banqueiro afirma possuir informações sobre negociações envolvendo integrantes dos Três Poderes da República, além de supostos pagamentos e favorecimentos políticos relacionados às operações do Banco Master.
Até o momento, contudo, as acusações não foram confirmadas pelas autoridades responsáveis pela investigação. A própria Polícia Federal tem manifestado reservas em relação ao conteúdo apresentado pelo ex-banqueiro.
Investigadores avaliam que Vorcaro não apresentou provas suficientes para corroborar parte dos relatos e que muitas das informações já eram conhecidas pelos responsáveis pelo inquérito. A corporação também sustenta que o empresário teria omitido fatos relevantes e poupado personagens considerados importantes para o esclarecimento completo do esquema investigado.
A defesa de Vorcaro, por sua vez, afirma que as denúncias apresentadas são consistentes e acompanhadas de elementos comprobatórios. Os advogados sustentam que determinadas acusações teriam sido descartadas prematuramente pelos investigadores e alegam que houve resistência em aprofundar linhas de investigação que alcançam autoridades de alto escalão.
Alcolumbre reage e nega recebimento de recursos
Após a divulgação da reportagem, Davi Alcolumbre divulgou nota oficial negando integralmente as acusações.
“As alegações publicadas pela revista VEJA envolvendo o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, são absolutamente falsas, não procedem e serão enfrentadas com a máxima firmeza”, afirma o texto.
O presidente do Senado também declarou jamais ter recebido recursos de Vorcaro, seja no Brasil ou no exterior.
“O senador Davi Alcolumbre jamais recebeu valores, no Brasil ou no exterior. Diante da gravidade das acusações e dos danos causados à sua honra e à sua trajetória pública, serão adotadas todas as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal, para que os responsáveis pelas acusações respondam por suas afirmações e apresentem as provas que dizem possuir”, acrescenta a nota.
O comunicado conclui afirmando que “a verdade dos fatos prevalecerá e aqueles que formulam acusações irresponsáveis serão responsabilizados”.
Caso Master amplia crise política
O escândalo envolvendo o Banco Master é considerado uma das maiores investigações financeiras em andamento no país. A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção, monitoramento ilegal de adversários e utilização de estruturas paralelas de inteligência.
As investigações tiveram início em novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela Polícia Federal. Desde então, sucessivas fases da operação atingiram executivos, familiares do banqueiro, agentes públicos e figuras políticas ligadas ao caso.
A PF estima que o esquema investigado tenha provocado prejuízos bilionários. Além disso, a apuração revelou uma extensa rede de relações construída pelo ex-banqueiro junto a autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário.
A reportagem da Veja também menciona outros episódios que já haviam sido objeto de divulgação pública, como conversas de Vorcaro com autoridades, contratos firmados com figuras influentes e operações envolvendo fundos de pensão estaduais.
Entre os casos citados está a compra de R$ 400 milhões em títulos do Banco Master por um fundo de pensão dos servidores públicos do Amapá. Segundo a publicação, o fundo era administrado por um ex-tesoureiro de campanha ligado a Alcolumbre. A reportagem ressalta, entretanto, que esse fato não constitui, por si só, prova de irregularidade por parte do senador.
Investigações continuam
Apesar do impacto político das novas revelações, especialistas lembram que acusações apresentadas em propostas de delação premiada não possuem valor probatório automático. Pela legislação brasileira, relatos de colaboradores precisam ser acompanhados de documentos, registros ou outros elementos que permitam sua confirmação.
Por essa razão, as declarações atribuídas a Daniel Vorcaro ainda dependem de comprovação e eventual validação pelas autoridades competentes.
Enquanto a Polícia Federal mantém sua posição de rejeitar a segunda proposta de colaboração, a Procuradoria-Geral da República segue examinando o material apresentado pela defesa. O desfecho dessa análise poderá influenciar os próximos passos de uma investigação que já alcançou alguns dos setores mais influentes da política e das instituições brasileiras.

