Ministério da Justiça intensifica combate à misoginia em plataformas digitais

Operações investigam organizações que utilizavam plataformas digitais para disseminar ódio, recrutar adolescentes e incentivar misoginia
Coletiva do Ministério da Justiça para discutir ações de enfrentamento a crimes digitais de misoginia – Reprodução

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou nesta terça-feira (4) os resultados de duas operações voltadas ao combate de grupos criminosos que utilizavam plataformas digitais para disseminar discursos de ódio, recrutar integrantes e praticar misoginia e violência contra mulheres, crianças e adolescentes. Leia em TVT News.

As ações fazem parte da estratégia de enfrentamento à misoginia digital desenvolvida pelo governo federal e contaram com apoio das polícias civis de diferentes estados.

Veja a transmissão da coletiva do Ministério da Justiça:

As operações Lívia e Rede Interrompida identificaram organizações que atuavam principalmente por meio de aplicativos de mensagens e comunidades virtuais para difundir conteúdos misóginos, neonazistas e antissemitas, além de incentivar práticas de violência extrema.

Operação Lívia contra a misoginia digital

A Operação Lívia, coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul com apoio do Ministério da Justiça, teve início após a morte de uma adolescente de 13 anos, registrada em 22 de julho. A investigação apura se a vítima participava de comunidades em plataformas digitais, principalmente no Discord, onde teria sido submetida a pressão psicológica, humilhações e desafios violentos que podem ter contribuído para sua morte. Também é investigada a possibilidade de o caso ter ocorrido durante uma transmissão ao vivo.

Segundo as investigações, o grupo utilizava ambientes virtuais para atrair adolescentes, submetê-los à coerção psicológica e estimular a prática de atos de violência extrema, além de divulgar imagens desses crimes. Os investigadores também apontam que a organização promovia ataques de ódio contra mulheres, especialmente aquelas que ocupam cargos de autoridade, e planejava uma ação violenta durante o período eleitoral de 2026.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. Todo o material recolhido será analisado para identificar outros envolvidos e esclarecer as circunstâncias da atuação da organização.

Outra frente apresentada pelo Ministério da Justiça foi a Operação Rede Interrompida, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal. A investigação mira uma rede extremista que utilizava grupos no Telegram para divulgar conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos, recrutar novos participantes e discutir o planejamento de atos violentos.

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Itens apreendidos durante operação – Divulgação/MJ

Na ação, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. As investigações continuam para identificar todos os integrantes da organização e responsabilizar criminalmente os envolvidos.

As operações integram o eixo de enfrentamento à misoginia digital do Centro Integrado Mulher Segura (CIMS) e contam com apoio técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado ao Ministério da Justiça. O objetivo é identificar e desarticular grupos que utilizam o ambiente digital para disseminar violência, discursos de ódio e crimes contra mulheres, crianças e adolescentes.

O Ministério da Justiça orienta que casos de violência contra mulheres ou manifestações de misoginia sejam denunciados por meio do Ligue 180 ou, em situações de emergência, pelo telefone 190. Já denúncias relacionadas ao neonazismo, crime previsto na Lei nº 7.716/1989, podem ser encaminhadas ao Disque 100.

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