O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou nesta quinta-feira (13) as movimentações para apoiar candidatos aliados nas eleições de 2026, com atenção especial à disputa pelo Senado. Em uma maratona de gravações iniciada em Brasília, Lula produziu mensagens para candidatos ao Senado e aos governos estaduais, em uma estratégia do Partido dos Trabalhadores para ampliar a bancada governista no Congresso Nacional e alterar a atual correlação de forças no Legislativo. Saiba mais na TVT News.
A ofensiva eleitoral ocorre às vésperas do início oficial da campanha, marcado para este domingo (16), e acompanha a avaliação de dirigentes petistas de que a eleição para o Senado será decisiva para um eventual novo mandato de Lula. Neste ano, dois terços das cadeiras da Casa estarão em disputa: serão 54 das 81 vagas, com dois senadores eleitos em cada estado e no Distrito Federal.
A prioridade foi explicitada pelo senador Humberto Costa (PT-PE), que participou da organização da estratégia. Segundo ele, embora a reeleição de Lula seja o principal objetivo, a eleição de uma bancada alinhada ao governo aparece imediatamente depois entre as prioridades da campanha.
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A preocupação do PT está relacionada ao avanço de setores da direita e da extrema-direita sobre as disputas pelo Senado. Uma eventual ampliação da oposição poderia dificultar ainda mais a aprovação de projetos do Executivo e aumentar a pressão política sobre um eventual novo governo a partir de 2027.
Lula grava com candidatos de diferentes estados
As gravações são realizadas no QG de comunicação da campanha, no Lago Sul, em Brasília. O trabalho começou pela Bahia e pelo Ceará e, ao longo do dia, envolveu candidatos de diferentes estados. A agenda incluiu nomes da Bahia, Ceará, Santa Catarina, Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco, São Paulo e Maranhão, entre outros.
Entre os políticos que participaram das gravações estão o senador Jaques Wagner, candidato à reeleição na Bahia; o governador baiano Jerônimo Rodrigues, que também disputa a reeleição; o ex-ministro Rui Costa, candidato ao Senado pela Bahia; o ex-prefeito do Recife João Campos, candidato ao governo de Pernambuco; o senador Fabiano Contarato, candidato à reeleição no Espírito Santo; a deputada federal Benedita da Silva, candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro; o senador Randolfe Rodrigues, candidato à reeleição pelo Amapá; o governador do Ceará, Elmano de Freitas; Patrus Ananias e Marília Campos, candidatos em Minas Gerais; e a senadora Eliziane Gama, candidata à reeleição pelo Maranhão.
O formato das peças varia de acordo com cada palanque estadual. Lula pode gravar mensagens com candidatos ao governo e ao Senado conjuntamente ou separadamente. Na Bahia, por exemplo, foram produzidas peças diferentes com Jerônimo Rodrigues e com Jaques Wagner e Rui Costa.
As mensagens destinadas às candidaturas majoritárias têm duração de aproximadamente 30 segundos e poderão ser utilizadas nas redes sociais e, posteriormente, no horário eleitoral gratuito. A propaganda eleitoral no rádio e na televisão começa em 28 de agosto.
Estratégia busca fortalecer bancada lulista
A presença de Lula nos programas eleitorais tem como objetivo associar os candidatos aliados à imagem do presidente e ao projeto político defendido pelo governo. O discurso das peças também deve incorporar temas nacionais, como o fim da escala de trabalho 6×1, a continuidade da política de valorização real do salário mínimo e medidas de integração na área de segurança pública.
O senador Humberto Costa afirmou que a estratégia representa uma mudança na forma como o PT pretende disputar as eleições proporcionais. Segundo ele, pela primeira vez o partido trabalha de maneira mais coordenada para estimular o voto em seus candidatos a deputado federal.
Nesse caso, Lula terá participações de seis segundos nos programas dos candidatos petistas à Câmara dos Deputados. A intenção é reforçar a necessidade de ampliar também a bancada federal do partido para melhorar as condições de negociação do governo com o Congresso Nacional.
A lógica defendida pela campanha é que a aprovação de pautas consideradas prioritárias pelo Executivo depende não apenas da eleição presidencial, mas também da formação de uma base parlamentar mais favorável. O fim da escala 6×1 é citado como um dos exemplos de propostas que dependeriam de uma correlação de forças diferente no Congresso.
Senado ganha peso na disputa de 2026
A preocupação com a composição do Senado decorre também das atribuições específicas da Casa. Além de participar da aprovação de projetos e propostas de emenda à Constituição, os senadores analisam indicações para tribunais superiores e outras autoridades. O Senado também exerce papel relevante em processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A senadora Eliziane Gama destacou que Lula tem demonstrado preocupação com a formação de um Senado comprometido com a democracia e com o Estado Democrático de Direito. Na avaliação da parlamentar, a direita e a extrema-direita também identificaram a importância da disputa e passaram a concentrar esforços na eleição de senadores.
O episódio envolvendo a rejeição, em abril, da indicação de Jorge Messias ao STF é citado por integrantes do governo como exemplo das dificuldades enfrentadas atualmente pelo Palácio do Planalto para formar maioria no Senado. A votação evidenciou a existência de uma correlação de forças que impõe obstáculos à agenda do Executivo.
Por isso, a estratégia petista busca construir uma chamada “bancada lulista”, que não necessariamente será formada apenas por integrantes do PT, mas também por aliados de diferentes partidos. O objetivo é eleger senadores comprometidos com o programa apresentado por Lula e capazes de dar sustentação política a um eventual novo mandato.
Ofensiva ocorre em paralelo à mobilização bolsonarista
A movimentação de Lula ocorre enquanto o campo bolsonarista também concentra esforços na disputa pelo Senado. Nesta semana, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, reuniu-se com candidatos ao Senado e participou de gravação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O cenário transforma a disputa pelas 54 vagas do Senado em um dos principais campos de batalha das eleições de 2026. Com dois senadores eleitos por estado e pelo Distrito Federal, o resultado poderá provocar uma mudança significativa na composição da Casa a partir de 2027.
Além das gravações destinadas aos candidatos ao Senado e aos governos estaduais, Lula deverá participar de inserções de candidatos petistas à Câmara. A campanha pretende manter uma coordenação nacional dos conteúdos, com diretrizes comuns de linguagem, identidade visual e temas políticos, enquanto as produtoras locais adaptam as mensagens às características de cada estado.
As gravações iniciadas nesta quinta-feira continuam nesta sexta-feira (14). Com o início da campanha no domingo, o PT busca transformar a popularidade e a força eleitoral de Lula em votos também para candidatos aliados ao Congresso e aos governos estaduais.
A estratégia evidencia que, para além da disputa presidencial, as eleições de 2026 terão como componente central a formação do Congresso Nacional. Para o grupo político de Lula, ampliar a bancada governista no Senado e na Câmara é apresentada como condição para reduzir os obstáculos à agenda do Executivo e aumentar a capacidade de aprovação de propostas em um eventual novo mandato.
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