Lula grava com candidatos ao Senado para ampliar base governista

Presidente prioriza disputa pelo Senado diante da ofensiva bolsonarista
Mensagens destinadas às candidaturas majoritárias têm duração de aproximadamente 30 segundos. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou nesta quinta-feira (13) as movimentações para apoiar candidatos aliados nas eleições de 2026, com atenção especial à disputa pelo Senado. Em uma maratona de gravações iniciada em Brasília, Lula produziu mensagens para candidatos ao Senado e aos governos estaduais, em uma estratégia do Partido dos Trabalhadores para ampliar a bancada governista no Congresso Nacional e alterar a atual correlação de forças no Legislativo. Saiba mais na TVT News.

A ofensiva eleitoral ocorre às vésperas do início oficial da campanha, marcado para este domingo (16), e acompanha a avaliação de dirigentes petistas de que a eleição para o Senado será decisiva para um eventual novo mandato de Lula. Neste ano, dois terços das cadeiras da Casa estarão em disputa: serão 54 das 81 vagas, com dois senadores eleitos em cada estado e no Distrito Federal.

A prioridade foi explicitada pelo senador Humberto Costa (PT-PE), que participou da organização da estratégia. Segundo ele, embora a reeleição de Lula seja o principal objetivo, a eleição de uma bancada alinhada ao governo aparece imediatamente depois entre as prioridades da campanha.

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A preocupação do PT está relacionada ao avanço de setores da direita e da extrema-direita sobre as disputas pelo Senado. Uma eventual ampliação da oposição poderia dificultar ainda mais a aprovação de projetos do Executivo e aumentar a pressão política sobre um eventual novo governo a partir de 2027.

Lula grava com candidatos de diferentes estados

As gravações são realizadas no QG de comunicação da campanha, no Lago Sul, em Brasília. O trabalho começou pela Bahia e pelo Ceará e, ao longo do dia, envolveu candidatos de diferentes estados. A agenda incluiu nomes da Bahia, Ceará, Santa Catarina, Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco, São Paulo e Maranhão, entre outros.

Entre os políticos que participaram das gravações estão o senador Jaques Wagner, candidato à reeleição na Bahia; o governador baiano Jerônimo Rodrigues, que também disputa a reeleição; o ex-ministro Rui Costa, candidato ao Senado pela Bahia; o ex-prefeito do Recife João Campos, candidato ao governo de Pernambuco; o senador Fabiano Contarato, candidato à reeleição no Espírito Santo; a deputada federal Benedita da Silva, candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro; o senador Randolfe Rodrigues, candidato à reeleição pelo Amapá; o governador do Ceará, Elmano de Freitas; Patrus Ananias e Marília Campos, candidatos em Minas Gerais; e a senadora Eliziane Gama, candidata à reeleição pelo Maranhão.

O formato das peças varia de acordo com cada palanque estadual. Lula pode gravar mensagens com candidatos ao governo e ao Senado conjuntamente ou separadamente. Na Bahia, por exemplo, foram produzidas peças diferentes com Jerônimo Rodrigues e com Jaques Wagner e Rui Costa.

As mensagens destinadas às candidaturas majoritárias têm duração de aproximadamente 30 segundos e poderão ser utilizadas nas redes sociais e, posteriormente, no horário eleitoral gratuito. A propaganda eleitoral no rádio e na televisão começa em 28 de agosto.

Estratégia busca fortalecer bancada lulista

A presença de Lula nos programas eleitorais tem como objetivo associar os candidatos aliados à imagem do presidente e ao projeto político defendido pelo governo. O discurso das peças também deve incorporar temas nacionais, como o fim da escala de trabalho 6×1, a continuidade da política de valorização real do salário mínimo e medidas de integração na área de segurança pública.

O senador Humberto Costa afirmou que a estratégia representa uma mudança na forma como o PT pretende disputar as eleições proporcionais. Segundo ele, pela primeira vez o partido trabalha de maneira mais coordenada para estimular o voto em seus candidatos a deputado federal.

Nesse caso, Lula terá participações de seis segundos nos programas dos candidatos petistas à Câmara dos Deputados. A intenção é reforçar a necessidade de ampliar também a bancada federal do partido para melhorar as condições de negociação do governo com o Congresso Nacional.

A lógica defendida pela campanha é que a aprovação de pautas consideradas prioritárias pelo Executivo depende não apenas da eleição presidencial, mas também da formação de uma base parlamentar mais favorável. O fim da escala 6×1 é citado como um dos exemplos de propostas que dependeriam de uma correlação de forças diferente no Congresso.

Senado ganha peso na disputa de 2026

A preocupação com a composição do Senado decorre também das atribuições específicas da Casa. Além de participar da aprovação de projetos e propostas de emenda à Constituição, os senadores analisam indicações para tribunais superiores e outras autoridades. O Senado também exerce papel relevante em processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A senadora Eliziane Gama destacou que Lula tem demonstrado preocupação com a formação de um Senado comprometido com a democracia e com o Estado Democrático de Direito. Na avaliação da parlamentar, a direita e a extrema-direita também identificaram a importância da disputa e passaram a concentrar esforços na eleição de senadores.

O episódio envolvendo a rejeição, em abril, da indicação de Jorge Messias ao STF é citado por integrantes do governo como exemplo das dificuldades enfrentadas atualmente pelo Palácio do Planalto para formar maioria no Senado. A votação evidenciou a existência de uma correlação de forças que impõe obstáculos à agenda do Executivo.

Por isso, a estratégia petista busca construir uma chamada “bancada lulista”, que não necessariamente será formada apenas por integrantes do PT, mas também por aliados de diferentes partidos. O objetivo é eleger senadores comprometidos com o programa apresentado por Lula e capazes de dar sustentação política a um eventual novo mandato.

Ofensiva ocorre em paralelo à mobilização bolsonarista

A movimentação de Lula ocorre enquanto o campo bolsonarista também concentra esforços na disputa pelo Senado. Nesta semana, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, reuniu-se com candidatos ao Senado e participou de gravação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O cenário transforma a disputa pelas 54 vagas do Senado em um dos principais campos de batalha das eleições de 2026. Com dois senadores eleitos por estado e pelo Distrito Federal, o resultado poderá provocar uma mudança significativa na composição da Casa a partir de 2027.

Além das gravações destinadas aos candidatos ao Senado e aos governos estaduais, Lula deverá participar de inserções de candidatos petistas à Câmara. A campanha pretende manter uma coordenação nacional dos conteúdos, com diretrizes comuns de linguagem, identidade visual e temas políticos, enquanto as produtoras locais adaptam as mensagens às características de cada estado.

As gravações iniciadas nesta quinta-feira continuam nesta sexta-feira (14). Com o início da campanha no domingo, o PT busca transformar a popularidade e a força eleitoral de Lula em votos também para candidatos aliados ao Congresso e aos governos estaduais.

A estratégia evidencia que, para além da disputa presidencial, as eleições de 2026 terão como componente central a formação do Congresso Nacional. Para o grupo político de Lula, ampliar a bancada governista no Senado e na Câmara é apresentada como condição para reduzir os obstáculos à agenda do Executivo e aumentar a capacidade de aprovação de propostas em um eventual novo mandato.

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