O governo de Donald Trump destinou US$ 1 milhão para financiar uma campanha contra o Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil. As revelações foram publicadas nesta quinta-feira (1º) pelo jornal britânico The Guardian, que teve acesso a documentos do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Entenda a gravidade da revelação com a TVT News.
O que você precisa saber sobre a interferência dos EUA nas eleições
- O governo de Donald Trump destinou US$ 1 milhão para financiar uma campanha contra o STF, no Brasil.
- O governo dos EUA desviou verba de Direitos Humanos para financiar campanhas da direita pelo mundo.
- A denúncia do jornal britânico The Guardian se soma às preocupações do governo brasileiro sobre a interferência de Trump nas eleições brasileiras.
- A ABIN emitiu alerta sobre interferência dos EUA nas eleições.
Trump destina US$ 1 milhão para projeto contra o STF
Um resumo da denúncia do jornal britânico The Guardian e o contexto que envolve a interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
- O governo Donald Trump destinou US$ 1 milhão a um projeto relacionado ao Brasil que contesta a atuação do STF;
- O programa prevê apoio a grupos da sociedade civil que alegam “combater abuso do poder judicial e censura”;
- O dinheiro integra um pacote de US$ 176,9 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado dos EUA;
- A revelação foi feita pelo jornal britânico The Guardian, que teve acesso a documentos sobre os recursos;
- O financiamento ocorre em meio a alertas brasileiros sobre possíveis interferências estrangeiras nas eleições de 2026;
- A Abin informou ao governo e ao TSE que o risco de influência e interferência dos EUA nas eleições havia atingido nível crítico.
O recurso integra um pacote de US$ 176,9 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia dos EUA destinado a projetos em diferentes países.

A iniciativa destinada ao Brasil recebeu o nome de “Countering Lawfare and Censorship in Brazil” (“Combatendo o lawfare e a censura no Brasil”) e prevê financiamento a organizações da sociedade civil que se opõem ao que classificam como abuso do poder judicial e censura por parte do STF.
A revelação ocorre em meio a alertas de autoridades brasileiras sobre possíveis formas de interferência estrangeira nas eleições de 2026. Em setembro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou como crítico o risco de influência e interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro.
Governo Trump destina US$ 1 milhão para propaganda contra o STF no Brasil
O subsídio, intitulado “Countering Lawfare and Censorship in Brazil” (“Combatendo o Lawfare e a Censura no Brasil”, em tradução livre), financiaria grupos da sociedade civil que se opõem ao que o governo americano descreve como “excesso de atuação judicial e censura” por parte da Suprema Corte brasileira.
O valor faz parte de um pacote de US$ 176,9 milhões liberado pelo Departamento de Estado a partir do Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF), direcionado a causas conservadoras e de extrema-direita em diversos países.
De acordo com o The Guardian, o secretário de Estado Marco Rubio assinou pessoalmente um memorando para ignorar bloqueios da senadora democrata Jeanne Shaheen, que havia travado US$ 22 milhões destinados a projetos no Brasil, na África do Sul, na Nigéria e na Europa. A senadora afirmou que o dinheiro foi aprovado pelo Congresso, com apoio bipartidário, para defender direitos humanos, e criticou o redirecionamento dos recursos para organizações de direita.
O jornal relembra ainda que o governo Trump impôs sanções ao ministro Alexandre de Moraes no ano passado, após pressão de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A destinação dos recursos ocorre a poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, marcado para 4 de outubro.
Governo Trump redirecionou dinheiro do fundo de direitos humanos
Segundo o The Guardian, o governo Trump destinou mais de US$ 175 milhões do principal fundo de direitos humanos do Departamento de Estado para uma série de projetos ligados a causas conservadoras e de direita em diferentes países.
Ao todo, os documentos analisados pelo jornal britânico indicam 43 concessões que somam US$ 176,9 milhões. Os projetos representam a maior parte dos US$ 205 milhões previstos pelo Congresso norte-americano para o Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF).
Entre as iniciativas está uma verba de US$ 40 milhões para a Victims of Communism Memorial Foundation, organização anticomunista. Também aparecem recursos destinados a grupos relacionados à defesa dos direitos de africâneres brancos na África do Sul e programas voltados a aliados ideológicos na Europa.
No caso brasileiro, o documento prevê US$ 1 milhão para o projeto “Countering Lawfare and Censorship in Brazil”. De acordo com o Guardian, o programa financiaria organizações que se posicionam contra aquilo que classificam como “excesso de poder judicial e censura do Supremo”.
O jornal informou ainda que os recursos foram liberados pelo Departamento de Estado em 30 de setembro, poucas horas antes do encerramento do ano fiscal dos EUA. A liberação ocorreu apesar de bloqueios e preocupações manifestadas por parlamentares norte-americanos.
A senadora democrata Jeanne Shaheen, integrante da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, criticou a destinação dos recursos. Segundo ela, o fundo havia sido criado para apoiar defensores dos direitos humanos, vítimas de violações e iniciativas de fortalecimento da democracia.
O Departamento de Estado afirmou que os programas ainda estavam em deliberação e que os beneficiários passariam pelos procedimentos de análise previstos para concessões de recursos federais. O órgão também disse que as iniciativas buscariam promover liberdade política e liberdade de expressão.
New York Times: Brasil tenta se blindar da interferência de Trump
O jornal norte-americano The New York Times publicou, na segunda-feira (28), reportagem na qual afirma que autoridades brasileiras montaram um plano para blindar o processo eleitoral, temendo uma interferência do governo de Donald Trump nas eleições presidenciais. Segundo o NYT, o Brasil “está erguendo uma barreira para tentar proteger sua votação crucial de uma possível interferência” dos Estados Unidos.
Entre as medidas citadas pelo jornal estão o monitoramento de lobby estrangeiro, o rastreamento de campanhas de desinformação nas redes sociais, o combate a acusações falsas sobre fraude eleitoral e a articulação com outros países para uma resposta conjunta após a divulgação do resultado. A reportagem afirma que missões diplomáticas da União Europeia, Canadá, Japão, Austrália e outros países estariam em “conversas informais sobre como responder conjuntamente após as eleições”.
Governo Brasileiro vem denunciando a interferência estrangeira nas eleições
O governo brasileiro tem denunciado de forma reiterada a interferência estrangeira no processo eleitoral. A Folha de S.Paulo publicou reportagem mostrando que a ameaça de interferência de Trump assombra as eleições no Brasil e em países vizinhos, com o presidente americano promovendo uma transformação na política externa dos EUA ao tentar influenciar pleitos pelo mundo, sobretudo na América Latina.

O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o STF e o TSE para investigar possíveis ações de agentes estrangeiros destinadas a influenciar as eleições brasileiras de 2026. As representações citam a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) e levantam suspeitas sobre eventual financiamento, publicidade e articulações políticas realizadas a partir dos Estados Unidos. Entre os pontos apresentados pelo PT está a atuação da Rockbridge Network, organização norte-americana que, segundo a representação, poderia ter estabelecido conexões com pessoas ligadas à campanha.
ABIN informa sobre possível interferência nas eleições
A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) elevou para um “nível de criticidade” o risco de influência e interferência externa dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. Em relatório reservado enviado à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça, o órgão aponta uma escalada das pressões do governo de Donald Trump sobre o Brasil e relaciona a atuação de Washington a uma estratégia mais ampla para reorientar politicamente a América Latina.
O documento, intitulado “Ameaças ao processo eleitoral de 2026”, foi encaminhado às autoridades no fim de agosto e teve seu conteúdo revelado pelo jornal Folha de S.Paulo. Segundo o relatório, há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”.
A avaliação não aponta manipulação das urnas ou alteração do resultado eleitoral, mas trata da possibilidade de pressões políticas, econômicas e diplomáticas interferirem no ambiente institucional e no debate público durante o processo eleitoral.

A ABIN identificou o secretário de Estado Marco Rubio como uma figura de especial atenção, apontando que sua atuação inclui o respaldo a governos conservadores na região. O relatório também relaciona a pressão americana às sanções contra cidadãos e empresas brasileiras e às medidas comerciais adotadas por Trump, que podem gerar efeitos sobre o sistema financeiro, as operações internacionais e as cadeias produtivas brasileiras.
O que é o jornal The Guardian?
O The Guardian é um jornal britânico fundado em 1821, com sede em Londres, no Reino Unido. O veículo publica notícias sobre política, economia, direitos humanos, meio ambiente, cultura e assuntos internacionais, com cobertura voltada ao público britânico e internacional.
É conhecido por reportagens investigativas e por uma linha editorial de orientação liberal
O jornal é publicado pelo Guardian Media Group, empresa controlada pelo Scott Trust, uma estrutura criada para preservar a independência editorial e financeira do veículo. O Guardian também mantém operações digitais voltadas a leitores de diferentes países.
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