Professores, estudantes e ex-alunos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) lançaram uma carta aberta para pedir que a TV Globo adote mecanismos de checagem de fatos em tempo real no debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para sexta-feira (23). Leia em TVT News.
O documento já reúne mais de 12,5 mil assinaturas e será apresentado em uma leitura pública nesta quarta-feira (21), às 19h30, na sede do Departamento de Jornalismo da ECA-USP.
A proposta prevê que candidatos que divulguem informações falsas sejam advertidos durante a transmissão. Em caso de reincidência, os participantes poderiam perder parte do tempo de fala, como forma de responsabilização por declarações incorretas.
Carta defende fiscalização dos fatos além do controle do tempo
Os signatários avaliam que o formato tradicional dos debates eleitorais, centrado na organização das falas e no controle do tempo, não é suficiente para garantir que o público tenha acesso a informações confiáveis.
Na avaliação do grupo, esses encontros têm sido marcados por ataques pessoais, ofensas, discursos de ódio e dados distorcidos, que prejudicam a compreensão dos eleitores sobre os temas em disputa.
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Para mudar esse cenário, a carta propõe a inclusão de uma terceira figura de arbitragem, além do mediador, com a responsabilidade de acompanhar as declarações dos candidatos e verificar a veracidade das informações apresentadas.
O grupo também aponta que ferramentas tecnológicas podem contribuir para identificar e contestar informações falsas durante o próprio programa.
A iniciativa busca dar mais espaço à discussão de propostas e reduzir a circulação de afirmações enganosas em um momento de grande relevância para a escolha dos rumos políticos do país.
Direitos humanos e Constituição também devem ser respeitados
A carta defende que candidatos sejam advertidos e responsabilizados não apenas pela divulgação de informações falsas, mas também por declarações, projetos ou propostas que violem direitos humanos previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas ou afrontem cláusulas pétreas da Constituição Federal de 1988.
Essas cláusulas protegem princípios fundamentais da ordem constitucional brasileira contra mudanças que busquem abolir seu conteúdo. Para os autores do documento, os debates devem contar com mecanismos capazes de coibir manifestações que ameacem esses direitos e garantias democráticas.
Jornalistas, professores e estudantes de Jornalismo da USP farão checagem do debate em live no YouTube
Professores do curso de Jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da USP (ECA-USP) farão a checagem das informações durante o debate da Globo. A checagem, em tempo real, será transmitida em live no canal oficial do YouTube do curso de Jornalismo.
“A equipe de checadores será composta por estudantes voluntários do curso de Jornalismo e por 3 professores do departamento”, informa o professor doutor Rodrigo Ratier. Nos intervalos de debate, professores também farão comentários sobre as informações passadas pelos candidatos.
Intercom, Fenaj e SBPJOR também farão checagens
A Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação @intercom_oficial , em parceria com a RNCD – Rede Nacional de Combate à Desinformação, com a FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas @fenajoficial, com a SBPJOR – Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo @sbpjor e demais Associações do campo da Comunicação, como Alcar @alcar_historiadamidia@socicomorg e parceiros da RNCD como @aletheiafact e @coarnoticias , dentre vários outros, está organizando uma rede de checagem para atuar durante o debate com os candidatos à presidência Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, nesta sexta-feira (23.10) às 21h20 e que será realizada pela TV Globo.
As checagens serão transmitidas em tempo real pelos canais da RNCD e FENAJ no YouTube.
FENAJ – https://www.youtube.com/@FENAJoficial
RNCD – https://www.youtube.com/@RNCDBRASIL
Medidas podem valer para outros debates eleitorais

Os organizadores querem que a Globo implemente as mudanças já no confronto desta sexta-feira, que ocorrerá dois dias antes da votação presidencial.
A emissora terá o último debate entre os candidatos antes do segundo turno, após o encontro realizado pela Band no domingo (18).
A reivindicação, porém, vai além da disputa atual. Os signatários defendem que a checagem simultânea e os mecanismos de responsabilização sejam incorporados permanentemente aos debates promovidos por emissoras de televisão e rádio.
A carta coloca em discussão o papel dos veículos de comunicação na garantia de condições para que o eleitor avalie as propostas e as declarações dos candidatos com base em informações verificáveis.