A primeira etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 será aplicada no dia 8 de novembro, e a segunda está marcada para 15 de novembro. Com a proximidade das provas, os candidatos precisam organizar as últimas revisões e desenvolver estratégias para administrar o tempo, interpretar questões e manter a concentração. Leia em TVT News.
Além do domínio das disciplinas, a preparação envolve habilidades que podem fazer diferença no desempenho, como leitura crítica, interpretação de gráficos e tabelas e construção de argumentos.
Na redação, o treinamento também merece atenção. O exame mantém neste ano o formato dissertativo-argumentativo, com avaliação baseada em cinco competências.
Embora o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) discuta possíveis mudanças para 2028, as propostas ainda estão em debate e não alteram a estrutura da prova de 2026.
Para enfrentar a reta final, professores e especialistas recomendam combinar revisão de conteúdos, resolução de questões anteriores, simulados e análise dos erros. A orientação é evitar concentrar os estudos apenas na memorização e dedicar parte do tempo a compreender como os conhecimentos são cobrados.
Como organizar a preparação para a redação
A redação tem peso importante na nota do Enem e exige mais do que escrever corretamente. O candidato precisa compreender a proposta, apresentar uma tese, desenvolver argumentos consistentes e elaborar uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. A organização das ideias, a coesão entre os parágrafos e o domínio da norma-padrão também fazem parte dos critérios avaliados.
Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico do Brazilian International School (BIS), recomenda que os estudantes conheçam a matriz de correção do exame e analisem redações que alcançaram nota mil. A leitura desses textos pode ajudar a reconhecer formas de estruturar a argumentação, utilizar conectivos e desenvolver propostas de intervenção.
O professor ressalta que a avaliação considera cinco competências: domínio da escrita formal, compreensão do tema, capacidade de argumentação, organização textual e elaboração de uma proposta de intervenção detalhada. Conhecer esses critérios permite identificar pontos que precisam ser aprimorados antes da prova.
Outra recomendação é ampliar o repertório sociocultural. Francisco Meneses, professor de Redação do Ensino Médio do Progresso Bilíngue, sugere acompanhar o noticiário, ler artigos de opinião e consumir conteúdos analíticos. O estudante também pode organizar referências por eixos temáticos, como direitos humanos, meio ambiente, tecnologia e desigualdade social.
Dados, acontecimentos históricos, conceitos filosóficos e obras literárias podem contribuir para contextualizar os argumentos. Mais do que acumular referências, porém, é necessário compreender como relacioná-las ao assunto proposto e utilizá-las para sustentar o ponto de vista apresentado.
Treinar a escrita e aprender com os erros

A produção de redações deve fazer parte do cronograma de estudos. Peter Rifaat, coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville, recomenda um método que reúna estudo da estrutura dissertativo-argumentativa, escrita com controle de tempo e correção criteriosa.
A análise dos textos produzidos ajuda a identificar dificuldades recorrentes, como falta de clareza na tese, argumentos pouco desenvolvidos, problemas de coesão ou propostas de intervenção incompletas.
Por isso, o estudante deve solicitar a leitura de um professor ou de outra pessoa que possa apontar aspectos a corrigir. Ferramentas de inteligência artificial também podem ser utilizadas como apoio nesse processo.
Na proposta de intervenção, é importante observar cinco elementos: quem será responsável pela ação, o que será feito, de que maneira, com qual finalidade e com quais detalhes. A presença desses componentes contribui para que a solução apresentada seja mais clara e consistente.
Para quem ainda está treinando, uma referência é reservar cerca de uma hora para a leitura da proposta, o planejamento dos argumentos, a escrita e a revisão.
Thiago Braga, gestor da Área de Linguagens e Convivência Ética do pH, recomenda concluir a redação em até uma hora e meia, preservando tempo para as questões objetivas. O treino cronometrado permite ajustar o ritmo e evitar que uma parte da prova comprometa a resolução das demais.
Quatro habilidades para além da revisão das matérias
Na reta final, também vale dedicar atenção à maneira como as questões são apresentadas.
Segundo Julia Konofal, autora de conteúdos educacionais da Kultivi, conhecer um assunto não significa necessariamente conseguir identificar como ele aparece no exame. Enunciados extensos, textos de apoio, gráficos e tabelas exigem interpretação antes mesmo da aplicação de um conceito ou fórmula.
Confira quatro habilidades que podem ser trabalhadas:
1. Interpretar gráficos e tabelas
Antes de fazer cálculos, observe o título, os eixos, as legendas, as unidades de medida e o período representado. Esses elementos ajudam a compreender o que está sendo comparado e quais informações respondem ao comando da questão. Nem sempre é necessário aplicar uma fórmula: em alguns casos, a resposta depende principalmente da leitura dos dados.
2. Identificar o que o enunciado está pedindo
Em Ciências da Natureza, uma questão pode apresentar textos, imagens e informações sobre determinado fenômeno. Uma estratégia é localizar primeiro o comando e, em seguida, separar os dados necessários para resolver o problema. Isso evita gastar tempo com informações que não contribuem diretamente para a resposta.
3. Relacionar conceitos ao contexto em Ciências Humanas
História, Geografia, Filosofia e Sociologia exigem mais do que decorar datas e definições. Textos, documentos e imagens precisam ser compreendidos dentro de um contexto. Identificar a ideia central e relacioná-la aos conhecimentos da disciplina ajuda a reconhecer o conceito mobilizado pela questão.
4. Estruturar a redação com método
Em vez de tentar adivinhar o tema, o candidato pode treinar competências que serão exigidas independentemente do assunto: organização da tese, desenvolvimento dos argumentos, repertório, coesão e proposta de intervenção. A prática e a correção dos textos permitem perceber quais pontos ainda precisam de atenção.
A Kultivi oferece gratuitamente cursos online de Interpretação de Gráficos e Tabelas para o Enem, Como Resolver Questões de Ciências da Natureza, Como Resolver Questões de Ciências Humanas no Enem e Redação para Enem. Os conteúdos podem complementar a revisão das disciplinas e ajudar a trabalhar dificuldades específicas.
Controle da ansiedade e administração do tempo
A preparação também envolve cuidados com o equilíbrio emocional. Paulo Rogerio Rodrigues, coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick, explica que níveis elevados de ansiedade podem prejudicar a memória, a organização das ideias e a clareza do raciocínio.
Sono adequado, pausas durante os estudos e exercícios de respiração são algumas das estratégias recomendadas. Práticas de atenção plena podem ajudar a reconhecer pensamentos acelerados e direcionar novamente a concentração para a tarefa.
O autoconhecimento também permite identificar situações que provocam tensão, como a comparação com outros candidatos, o medo de não conseguir responder a uma questão ou a preocupação excessiva com o relógio.
Outra orientação é realizar simulados em condições variadas, inclusive em ambientes com algum ruído ou desconforto. A proposta é desenvolver a capacidade de manter o foco mesmo diante de situações diferentes das condições ideais de estudo.
Durante a prova, se uma questão provocar dúvida, Thiago Braga recomenda avançar para as seguintes e retornar a ela depois. Insistir por muito tempo em um mesmo problema pode comprometer o tempo disponível para as demais respostas.
O estudante Yago de França, do último ano do Ensino Médio na unidade Tijuca do pH, relata que combina simulados com atividades fora dos estudos para lidar com a ansiedade. A prática de exercícios físicos, como academia e basquete, e a música, por meio do violão, fazem parte de sua rotina de descanso.
Temas para praticar a redação do Enem
As propostas de redação dos últimos anos abordaram questões sociais brasileiras, como envelhecimento, herança africana, trabalho de cuidado realizado pelas mulheres, povos tradicionais, acesso à cidadania, saúde mental, democratização da cultura, tecnologia, educação de pessoas surdas e intolerância religiosa.
A partir desse histórico, professores indicam assuntos contemporâneos que podem servir de exercício para desenvolver repertório e argumentação. A lista reúne 20 possibilidades:
- Desafios para o combate à desinformação na era da inteligência artificial;
- Caminhos para reduzir a evasão escolar no Ensino Médio brasileiro;
- Impactos das mudanças climáticas na vida urbana;
- A cultura do cancelamento e seus efeitos no debate público;
- Inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho;
- O papel da mídia na formação da opinião pública;
- Desafios para a promoção da saúde mental entre jovens;
- O envelhecimento da população brasileira e seus impactos sociais;
- Violência nas escolas: causas e estratégias de prevenção;
- A importância da educação midiática no combate às fake news;
- Mobilidade urbana e direito à cidade;
- Desigualdade digital e acesso à tecnologia no Brasil;
- Segurança alimentar e combate à fome;
- Racismo estrutural e seus reflexos na sociedade brasileira;
- A valorização da ciência no enfrentamento de crises sanitárias;
- Trabalho informal e precarização das relações trabalhistas;
- Preservação ambiental e desenvolvimento econômico;
- O impacto das redes sociais na construção da identidade juvenil;
- A participação política dos jovens na democracia brasileira;
- Desafios para a garantia dos direitos das populações tradicionais.
O pH também destaca outros cinco eixos para a preparação: violência no ambiente escolar contra estudantes e professores; inclusão de pessoas neurodivergentes; desinformação, inteligência artificial e manipulação algorítmica; padrões de beleza, gordofobia e transtornos alimentares; e apostas esportivas e seus impactos sociais, especialmente em relação ao endividamento e à dependência.
Os temas não devem ser tratados como previsões do que será cobrado. A proposta é utilizá-los para exercitar a leitura crítica, relacionar diferentes áreas do conhecimento e construir argumentos sustentados por referências pertinentes.
Mudanças no Enem: o que está em discussão para 2028
O Inep discute possíveis alterações no exame a partir de 2028. Entre os pontos considerados estão a possibilidade de incluir outros gêneros textuais na redação, ampliar a avaliação da competência de escrita, revisar os critérios de correção e atualizar as matrizes de referência.
Atualmente, a redação exige um texto dissertativo-argumentativo e é avaliada por pelo menos dois corretores independentes, com base em cinco competências. A eventual adoção de outros formatos exigiria critérios claros para garantir uma correção objetiva em escala nacional.
As discussões também envolvem a integração do Enem ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em 2026, com atualização das matrizes e dos padrões de desempenho. Para Filipe Couto, diretor pedagógico geral do pH, mudanças em uma avaliação desse porte precisam ser graduais, acompanhadas de comunicação clara e regras transparentes.
Por enquanto, as propostas não modificam a prova de 2026. Para os candidatos que farão o exame nos dias 8 e 15 de novembro, a orientação é concentrar os esforços na estrutura atualmente exigida, revisar os conteúdos, praticar com questões anteriores e observar os próprios erros. A combinação entre conhecimento, estratégia e cuidado com o bem-estar pode ajudar a aproveitar melhor o tempo disponível até as provas.