O primeiro debate televisionado entre candidatos ao Senado por São Paulo foi marcado por ataques entre representantes da direita, confronto sobre a segurança pública e uma atuação coordenada das candidatas apoiadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Leia em TVT News.
Promovido pela Band na noite desta quarta-feira (9), o encontro reuniu André do Prado (PL), Geraldo Rufino (Podemos), Guilherme Derrite (PP), Marina Silva (Rede), Ricardo Salles (Novo), Simone Tebet (PSB) e Soninha Francine (Cidadania). Em 2026, os paulistas escolherão dois senadores.
A disputa interna no campo bolsonarista apareceu logo no início. Salles questionou as credenciais de direita de André do Prado e acusou o candidato do PL de tentar se apresentar como bolsonarista apesar de alianças políticas anteriores.
“Qual credencial de direita você tem?”, perguntou Salles. Mais tarde, o ex-ministro do Meio Ambiente acusou Prado de tentar “enganar o eleitor da direita”.
André do Prado negou ter apoiado o PT e reagiu lembrando que Salles teve como padrinho político Geraldo Alckmin (PSB), atual vice-presidente da República no governo Lula.
Os ataques expuseram a disputa por espaço entre três candidaturas ligadas à direita. Prado e Derrite contam com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), enquanto Salles tenta se consolidar como uma alternativa bolsonarista independente.
Derrite e Salles atacam candidatas de Lula
Em outro momento, Derrite escolheu Salles para responder a uma pergunta e aproveitou o espaço para criticar Marina e Tebet. O ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo afirmou que as duas tentavam esconder as imagens de Lula e de Fernando Haddad em suas campanhas.
Salles respondeu em tom amistoso ao candidato do PP e reforçou as críticas à esquerda. Os dois também nacionalizaram o debate ao associarem a disputa estadual à campanha presidencial.
Derrite voltou a afirmar que Lula teria dividido um palanque com uma traficante durante uma visita à Favela do Moinho, no centro de São Paulo. A acusação já havia sido usada por Tarcísio no debate para o governo paulista.
Lula participou de uma atividade na comunidade em junho de 2025 ao lado de Alessandra Moja, irmã de um homem apontado como liderança do tráfico na região. Na época do evento, porém, ela ainda não havia sido apontada publicamente como integrante do crime organizado. Alessandra foi presa meses depois.
Tebet confronta Derrite sobre segurança

Simone Tebet rebateu os adversários e direcionou críticas à atuação de Derrite à frente da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. A candidata afirmou que o estado registrou aumento e expansão da presença de organizações criminosas durante a gestão do ex-secretário.
O confronto teve como pano de fundo o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV). Derrite e Salles atribuíram o crescimento da criminalidade às políticas defendidas pela esquerda, enquanto Tebet questionou os resultados da administração estadual na área.
O debate também foi marcado por críticas dirigidas a Marina e Tebet por terem construído parte das carreiras políticas fora de São Paulo. As duas transferiram o domicílio eleitoral para o estado para disputar as vagas no Senado.
André do Prado atacou Marina por ter deixado o mandato de deputada federal para assumir o Ministério do Meio Ambiente. A candidata classificou a abordagem como misógina e defendeu sua trajetória política e profissional.
Marina e Tebet defendem fim da escala 6×1
Diferentemente dos candidatos da direita, Marina e Tebet adotaram um tom de parceria ao longo do debate. As duas trocaram elogios e procuraram apresentar suas candidaturas como uma composição política.
Ao responder a uma pergunta de Marina, Tebet afirmou que as duas votarão pelo fim da escala de trabalho 6×1 sem redução salarial. A proposta tornou-se uma das principais bandeiras trabalhistas da campanha apoiada por Lula.
Geraldo Rufino, por sua vez, destacou sua trajetória como empreendedor ao discutir alternativas para impedir o recrutamento de adolescentes pelo crime organizado. O candidato defendeu oportunidades de trabalho formal para jovens de 14 e 15 anos.
Crise no STF entra no debate
A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal também dividiu os candidatos. André do Prado defendeu que o Senado exerça sua atribuição de analisar pedidos de impeachment contra ministros da Corte.
Marina afirmou que o país precisa discutir uma reforma do Judiciário, com medidas para ampliar a transparência e estabelecer controles sobre a atuação dos magistrados.
A composição do Senado ganhou ainda mais importância diante da ofensiva de partidos de direita para ampliar suas bancadas e avançar com pedidos de afastamento de integrantes do STF. A abertura de um processo de impeachment contra ministro da Corte depende da presidência do Senado, e a condenação exige o apoio de dois terços dos senadores.
Disputa segue indefinida
A corrida pelas duas vagas paulistas permanece aberta. Na pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (8), Marina e Derrite apareceram numericamente à frente, com 14% das intenções de voto cada. Tebet registrou 12%, configurando empate técnico entre os três.
André do Prado apareceu com 7%, seguido por Salles, com 3%. Rufino e Soninha marcaram 1% cada.
O levantamento apontou ainda 26% de indecisos e 19% de votos brancos e nulos. Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, 88% dos eleitores não souberam indicar em quem pretendem votar.
A pesquisa ouviu presencialmente 1.800 eleitores entre 4 e 7 de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código SP-00959/2026.