Cai o sigilo da operação sobre financiamento de Dark Horse

Conheça a íntegra da autorização do ministro Flávio Dino para investigar o deputado Mario Frias e a produtora Karina da Gama
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PF e CGU investigam possível desvio de recursos públicos e miram deputado que destinou emendas ao Instituto Conhecer Brasil, de Karina Gama - Reprodução/Instagram

O Ministro Flávio Dino, do STF, derrubou o sigilo da operação Make Up, da Polícia Federal, que investiga o suposto desvio de de recursos públicos para financiar o filme Dark Horse. Veja a íntegra da decisão de Flávio Dino com a TVT News.

Leia a íntegra da decisão de Flávio Dino

Medidas cautelares e conexão com o PCC

O ministro Flávio Dino determinou que 29 investigados se abstenham de estabelecer qualquer comunicação entre si e não se ausentem do território nacional sem autorização, entregando seus passaportes à Polícia Federal. A decisão também autoriza a apreensão de dinheiro em espécie em valores superiores a R$ 10 mil, obras de arte, joias e veículos de luxo.

A decisão menciona ainda a possível ligação com a facção criminosa PCC, o que pode indicar uma dimensão interestadual e recomendar a atuação da Polícia Federal.

“Friso que há indícios de que se cuida de um só sistema delitivo, alimentado inclusive por emendas parlamentares federais, além da menção a atos interligados até com a facção criminosa PCC, o que pode significar uma dimensão interestadual, a recomendar a atuação da Polícia Federal, consoante artigo 144, § 1º, I, da Constituição”, afirma o ministro.

A decisão reconhece a conexão entre os fatos investigados na PET 16.070/DF e no inquérito da Polícia Civil de São Paulo, afirmando que se trata de uma mesma estrutura criminosa.

“Tomados em conjunto, esses elementos conduzem à relevante conclusão de que não há dois esquemas distintos, um relacionado ao desvio de recursos públicos no âmbito das emendas parlamentares e outro referente às movimentações financeiras de pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao núcleo investigado, esteadas, na maior parte, em valores repassados ao ICB em decorrência do contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo, objeto da investigação no âmbito da polícia judiciária estadual. Em verdade, há fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas, na qual o Deputado Federal Mário Frias figura como agente central.”

A página 96 da decisão do ministro Flávio Dino detalha uma das empresas que aparece no caminho financeiro investigado: a Urban Connect Serviços e Tecnologia, antiga Favela Conectada.

O trecho é baseado em uma informação produzida pela Polícia Federal a partir de comunicação de instituição financeira.

Quem era o dono da empresa Urban Connect Serviços e Tecnologia

A decisão de Flávio Dino informa que a empresa foi fundada em 2020 e que Alex Leandro Bispo dos Santos permaneceu como seu único sócio até janeiro de 2026. Em 14 de janeiro, ele deixou a sociedade e transferiu a integralidade do capital para sua companheira, Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes.

“o único sócio da mencionada empresa, desde a sua fundação em 24 de agosto de 2020, era Alex Leandro Bispo dos Santos, que em 14 de janeiro de 2026 se retirou da sociedade, passando a integralidade do Capital para sua companheira Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, CPF 373.064.678-83.”

A informação sobre uma suposta ligação com o PCC

A decisão não afirma por conta própria que Alex Leandro Bispo dos Santos seja integrante do PCC. O texto reproduz uma informação atribuída a “órgãos de inteligência da polícia” e diz que ela havia sido divulgada por notícias.

“segundo órgãos de inteligência da polícia, o empresário é membro relevante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no estado”

A mesma passagem informa que ele estava preso desde fevereiro de 2026 sob acusação de feminicídio e que teria sido solto em agosto.

O que foi a operação Make Up

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que investiga a suspeita de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares que teriam sido direcionados para atividades relacionadas ao filme Dark Horse, produção ainda não lançada sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.  

A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL) e Karina Ferreira da Gama, produtora do filme e presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB).

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PF investiga suposto desvio de emendas parlamentares

A principal frente da Operação Make Up é a apuração sobre o destino de recursos públicos enviados por meio de emendas parlamentares. Segundo a PF, uma organização formada por agentes públicos e privados teria direcionado os valores recebidos por uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas de maneira irregular.

Os investigadores afirmam que não há comprovação de que os serviços contratados tenham sido efetivamente prestados. Levantamentos financeiros também identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao esquema investigado.

Entre os recursos analisados está uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Mario Frias para entidades ligadas a Karina Gama. Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou suspeitas de desvio e gastos sem comprovação.

Frias já havia negado ao STF que a emenda tivesse sido destinada a qualquer produção cinematográfica. Em manifestação apresentada em maio, o deputado afirmou que a acusação de que os recursos teriam sido direcionados para o filme era falsa.

A PF investiga possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. A presença de Frias entre os alvos das buscas, por si só, não representa conclusão sobre eventual responsabilidade criminal.

PF apreende armas em endereço ligado a Mario Frias

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu sete armas de fogo em um endereço relacionado ao deputado Mario Frias. Segundo as informações divulgadas sobre a operação, foram encontradas cinco pistolas, uma espingarda e um fuzil.

O celular do parlamentar também foi apreendido durante as buscas. A medida faz parte da coleta de documentos, equipamentos e outros elementos que possam contribuir para a investigação sobre a destinação dos recursos públicos.

A operação não tem mandados de prisão. Além de Frias, as buscas atingiram duas organizações ligadas a Karina Gama: o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura. A empresa Go Up Entertainment, responsável pela produção de Dark Horse, não está entre os alvos dos mandados.

Caso envolve duas investigações no STF

As suspeitas envolvendo Dark Horse são analisadas em duas investigações diferentes no STF. O inquérito relatado por Flávio Dino trata do possível uso irregular de emendas parlamentares e dinheiro público.

Outra investigação, sob relatoria do ministro André Mendonça, acompanha os repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o financiamento do filme.

Na quarta-feira (9), Mendonça homologou a delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. O empresário afirmou ter realizado sete repasses para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, em operações que somaram US$ 12,333 milhões entre janeiro e setembro de 2025.

Além da investigação sobre as emendas, o Instituto Conhecer Brasil também é investigado em São Paulo por causa de um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura da capital para instalação de pontos de Wi-Fi gratuitos na periferia. A Polícia Civil paulista apura possíveis irregularidades no acordo, e Flávio Dino autorizou a PF a acessar os dados dessa investigação.

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