O fundo de investimentos Havengate, ligado ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, ofereceu empreendimento imobiliário de luxo, que nunca saiu do papel, no estado do Texas. Leia mais em TVT News.
A informação é de reportagem publicada pelo Intercept Brasil.
O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, e prometeu green card para atrair investidores brasileiros que colocassem pelo menos US$ 1,8 milhão no empreendimento em Melissa, no Texas.
De acordo com a apuração do Intercept, o empreendimento, no entanto, nunca foi construído. O terreno também nunca esteve em nome do fundo Havengate: não há registros do terreno em nome do fundo Havengate, sua gestora ou advogado responsável.
A prefeitura da cidade de Melissa também afirmou ao veículo que nunca emitiu alvará de construção do empreendimento.

O projeto era o Havengate Community, empreendimento que previa investimentos de US$ 21 milhões para a construção de cerca de 300 residências e quase 30 mil metros quadrados de área comercial na cidade de Melissa texana.
O Havengate Fund recebeu em 2025 mais de US$ 10 milhões enviados do Brasil para custear a produção do longa-metragem que retrata a vida de Jair Bolsonaro. Os fundos vieram do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Material publicitário de fundo prometia retorno de 13% e green card para investidores
O material publicitário prometia retorno anual de 13% e informava que investidores brasileiros poderiam pleitear residência permanente nos Estados Unidos por meio do programa EB-5.
A divulgação do projeto era feita pela Calixsan Capital Management LLC, empresa sediada na Flórida e que tem entre seus sócios Paulo Calixto e o corretor de imóveis Altieris Santana.
Em visita ao endereço informado nos materiais de divulgação, jornalistas do Intercept encontraram obras de outro condomínio, o Meadow Park, sem qualquer relação com a Havengate. Segundo o veículo, o projeto executado possui traçado distinto daquele apresentado nas peças publicitárias.
Mesmo sem o desenvolvimento do projeto imobiliário, o fundo permaneceu ativo como pessoa jurídica no Texas. Os registros consultados pelo veículo mostram que a administradora continua cadastrada junto ao Texas Comptroller e tem como agente legal o escritório de Paulo Calixto.
O Intercept também afirma que a Calixsan Capital Management deixou de figurar como consultora de investimentos registrada em 2021, período em que o cronograma do empreendimento previa o avanço das obras.
Também não foi localizado na base de dados EDGAR, da Securities and Exchange Commission (SEC), o Form D, documento normalmente exigido para ofertas privadas de participação em fundos. Essa ausência pode indicar que as cotas não chegaram a ser ofertadas ou que eventuais operações ocorreram fora das regras federais aplicáveis.
Relembre o financiamento de Dark Horse pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro
A cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulada Dark Horse, teve um custo declarado de pouco mais de R$ 75 milhões, segundo documentos anexados a uma investigação que apura suspeitas de desvio de recursos públicos. A informação foi revelada pelo portal Metrópoles e consta em uma perícia privada contratada pela própria produtora responsável pelo longa-metragem. Leia em TVT News.
O documento amplia as discussões em torno do financiamento da produção e lança novos questionamentos sobre a participação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e sobre a atuação de integrantes da família Bolsonaro nas negociações relacionadas ao projeto.
Segundo a documentação, a produtora Go Up Entertainment declarou gastos totais de US$ 13,3 milhões, valor equivalente a pouco mais de R$ 75 milhões. A empresa é comandada por Karina Ferreira da Gama, também representante do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade investigada em um inquérito que apura supostos desvios de recursos de um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo.
A perícia foi anexada ao processo em que o ICB é alvo de investigação. Karina Ferreira da Gama também foi alvo de uma operação da Polícia Civil realizada em 1º de junho.

