Segundo publicação do The Intercept, que teve acesso aos contratos de publicidade de Bets, influenciadores digitais recebem por lucro sobre perdas de apostadores que se cadastravam por meio de seus links de divulgação em plataformas de apostas. Leia em TVT News.
A prática foi revelada em investigação do The Intercept Brasil e voltou ao debate após o influenciador Felipe Prior se tornar réu por publicidade enganosa em 2026.
Segundo documentos obtidos pelo portal, Felipe Prior assinou contrato com a BetSite que previa remuneração fixa de R$ 20 mil por mês, além de R$ 20 por cada novo cadastro realizado.
Pior participou da edição de 2020 do reality Big Brother Brasil e, mesmo condenado a 8 anos em regime semiaberto por estupro, continuou ativo e influente nas redes sociais.
Contrato de Prior previa o recebimento de 15% sobre o valor perdido pelos apostadores indicados por ele
O principal diferencial do acordo, porém, era uma cláusula que garantia ao influenciador o recebimento de 15% sobre o valor perdido pelos apostadores indicados por ele. Caso atingisse mil novos usuários, o pagamento fixo subiria para R$ 35 mil mensais.
>> Governo endurece regras para publicidade de bet e exige alertas semelhantes aos de cigarros
De acordo com a investigação, esse modelo cria um incentivo financeiro para que influenciadores obtenham ganhos maiores justamente quando seus seguidores acumulam prejuízos nas apostas. A reportagem do Intercept afirma que esse tipo de contrato não era um caso isolado e fazia parte de uma estratégia comercial utilizada por empresas do setor.
A divulgação dos documentos levou Felipe Prior a ser convocado, em 2024, para prestar esclarecimentos à CPI das Bets, que investigava a atuação das plataformas de apostas e a publicidade feita por influenciadores.
Prior réu novamente
Dois anos depois, a Justiça do Distrito Federal aceitou denúncia do Ministério Público e tornou Prior réu por publicidade enganosa. Segundo a acusação, o influenciador, que reúne mais de 100 mil inscritos em seu canal no Telegram e mantém forte presença nas redes sociais, teria induzido seguidores a uma percepção equivocada sobre o funcionamento das plataformas de apostas e as possibilidades de lucro.
O avanço da regulamentação do setor também atingiu a publicidade das casas de apostas. Desde 2025, uma portaria do Ministério da Fazenda proíbe que celebridades e influenciadores associem apostas à obtenção de lucro fácil, enriquecimento ou sucesso pessoal. A norma também determina que toda publicidade desse segmento nas redes sociais seja identificada de forma clara como conteúdo patrocinado.
Leia também:
>> Operação mira grupo suspeito de planejar explosão em prédio de debate presidencial
>> Nunes Marques defende urna eletrônica após pressão de ministros do STF