IR muda em 2026: veja quem é beneficiado e quem terá tributação maior

Mudanças no IR, tributação de fundos exclusivos e offshores, Bolsa Família, crédito e emprego integram conjunto de medidas econômicas adotadas pelo governo Lula
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A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda passou a beneficiar trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês em janeiro deste ano. Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

A política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva tem reunido medidas voltadas à renda, ao emprego, ao crédito e à tributação. Entre as principais mudanças está a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), acompanhada pela criação de uma tributação mínima para contribuintes de alta renda. Leia em TVT News.

Conforme os dados apresentados pelo governo, a combinação dessas políticas busca ampliar o consumo e a atividade econômica, ao mesmo tempo em que modifica a distribuição da carga tributária. A estratégia inclui ainda programas de transferência de renda, renegociação de dívidas, financiamento para pequenos negócios e expansão do crédito para diferentes setores.

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Mais renda e emprego

O mercado de trabalho brasileiro registrou, em junho de 2026, 62,89 milhões de vínculos formais, de acordo com os dados apresentados pelo governo. Desde 2023, foram criadas 10,1 milhões de vagas formais, considerando trabalhadores com carteira assinada e agentes públicos nas três esferas.

A taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho, enquanto o número de brasileiros ocupados ultrapassou a marca de 100 milhões. O número de Microempreendedores Individuais (MEIs) chegou a 17,1 milhões.

O governo atribui os resultados a um conjunto de fatores, como a valorização real do salário mínimo, investimentos públicos, ampliação do crédito e manutenção de programas de transferência de renda. A lógica apresentada é que o aumento da renda amplia o consumo, estimulando produção, investimentos e contratação de trabalhadores.

Na área tributária, uma das principais medidas foi a Lei nº 15.270/2025, sancionada em novembro do ano passado. A legislação ampliou a isenção do IRPF para quem recebe até R$ 5 mil mensais e estabeleceu redução parcial do imposto para rendimentos de até R$ 7.350.

Segundo os dados divulgados pelo governo, mais de 15 milhões de brasileiros são beneficiados diretamente pela nova regra. Considerando também as mudanças realizadas desde 2023 na tabela do Imposto de Renda, o número chega a 25 milhões de pessoas.

A mesma legislação estabeleceu uma tributação mínima de até 10% para pessoas com renda anual superior a R$ 600 mil. O governo estima que cerca de 140 mil contribuintes estejam nessa faixa.

A mudança faz parte de um movimento iniciado com a Lei nº 14.754/2023, que passou a estabelecer regras de tributação para fundos de investimento exclusivos e rendimentos mantidos no exterior por meio de offshores. A legislação alterou o momento de cobrança dos impostos sobre esses investimentos, incluindo a tributação periódica conhecida como “come-cotas”.

Transferência de renda e acesso ao crédito

Outra frente da política econômica envolve programas destinados a ampliar a renda disponível e facilitar o acesso ao crédito. O Bolsa Família mantém benefício mínimo de R$ 600, com adicionais de R$ 150 para crianças de até seis anos e de R$ 50 para gestantes, nutrizes, crianças e adolescentes.

O governo também cita estudo da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal segundo o qual houve redução de 91,7% na proporção de crianças na primeira infância vivendo em famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza.

O Desenrola Brasil, por sua vez, foi criado para renegociar dívidas bancárias e não bancárias. Segundo os dados apresentados, os descontos médios ultrapassaram 80%, permitindo que milhões de consumidores regularizassem o CPF e recuperassem acesso ao crédito.

Para pequenos empreendedores, programas como Acredita, Pronampe e Procred 360 oferecem linhas de financiamento e mecanismos de renegociação. O governo também destaca condições diferenciadas para empresas lideradas por mulheres.

No crédito consignado, o Crédito do Trabalhador alcançou, até julho de 2026, mais de 10 milhões de profissionais, com 25 milhões de contratos ativos e R$ 140 bilhões em valores contratados, conforme os números divulgados.

Produção, reforma tributária e cesta básica

A política econômica também inclui medidas voltadas à produção. O Plano Safra 2026/2027 prevê mais de R$ 610 bilhões em crédito rural, segundo o governo. Desde 2023, o volume concedido supera R$ 1,2 trilhão, incluindo recursos destinados ao agronegócio e à agricultura familiar.

No comércio exterior, as exportações brasileiras atingiram US$ 348,7 bilhões em 2025, recorde da série histórica iniciada em 1989, conforme os dados oficiais citados pelo governo.

Outra mudança de longo prazo é a reforma tributária sobre o consumo, cuja implementação ocorrerá gradualmente até 2033. Entre as medidas está a criação da Cesta Básica Nacional, com alíquota zero para 22 produtos essenciais e redução de 60% para outros 14 itens. A previsão é que essas regras entrem em vigor a partir de 2027.

A reforma também criou o chamado “cashback do povo”, mecanismo que prevê a devolução de parte dos impostos pagos sobre itens como energia, gás e alimentos para famílias inscritas no CadÚnico.

O conjunto de medidas representa uma tentativa do governo de combinar estímulos à atividade econômica com mudanças na estrutura de arrecadação. No caso do Imposto de Renda, a principal alteração é a ampliação da isenção para faixas de menor rendimento, acompanhada da cobrança adicional sobre contribuintes de renda mais elevada.

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