Selic em 13,75%: crédito pode baratear, mas alívio no bolso não chega tão cedo

Copom reduz juros pela quinta vez seguida; entenda os efeitos da Selic no seu bolso
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Cenário de inflação e juros mais baixos fez mercado reduzir a selic em 0,25. - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano. A decisão foi tomada por unanimidade nesta quarta-feira (16) e representa o quinto corte consecutivo desde março. Mais informações em TVT News.

Para a população, essa queda pode representar empréstimos e financiamentos mais baratos. No entato, o efeito não será imediato nem igual para todos. O corte foi de apenas 0,25 ponto percentual e a Selic permanece em patamar elevado, o que significa que o crédito vai continuar caro no país.

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Prédio do Banco Central. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Desde o início do atual ciclo de redução, a taxa já recuou 1,25 ponto percentual. O Banco Central, no entanto, não garantiu novos cortes e informou que as próximas decisões dependerão principalmente do comportamento da inflação e da atividade econômica. A inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,22% até agosto, ainda acima do centro da meta de 3%.

Empréstimos podem ficar mais baratos

A Selic serve como referência para as demais taxas de juros do país. Quando ela cai, os bancos passam a ter mais espaço para reduzir o custo de empréstimos pessoais, crédito consignado e algumas modalidades de financiamento.

Essa redução, contudo, não chega de imediato aos consumidores. Os bancos costumam ser mais cautelosos, considerando fatores de risco como inadimplência, renda, histórico de pagamento, impostos, despesas operacionais e margem de lucro.

Na prática, o impacto deverá aparecer primeiro nas novas contratações. Quem pretende fazer um empréstimo deve comparar as propostas de diferentes instituições e observar o Custo Efetivo Total, o CET, que reúne juros, tarifas, seguros, impostos e outros encargos.

Uma taxa nominal mais baixa nem sempre significa um empréstimo mais barato. O consumidor precisa comparar o valor total que será pago até o fim do contrato.

Para quem já possui um empréstimo ou financiamento com juros prefixados, nada muda. Nesses contratos, a taxa foi definida no momento da assinatura e não muda quando a Selic sobe ou desce.

A redução dos juros também pode abrir uma oportunidade para renegociar dívidas ou fazer a portabilidade do crédito para outra instituição. Antes de trocar uma dívida antiga por uma nova, no entanto, é necessário verificar se o custo realmente ficou menor e se o prazo mais longo não aumenta o valor final.

Financiamento para carros novos

Os financiamentos de veículos estão entre as modalidades de crédito que podem responder mais rapidamente à redução da Selic. A mudança deve beneficiar novos contratos, mas ainda depende das condições de cada banco e do perfil do comprador.

Mesmo uma pequena redução nos juros pode fazer diferença em financiamentos a longo prazo. Quanto maior o valor e o número de parcelas, maior é o impacto acumulado da taxa, mas o consumidor precisa considerar, além da prestação, os gastos com entrada, seguro, impostos, combustível e manutenção.

Crédito imobiliário não sofrerá grandes mudanças

A queda da Selic pode ajudar a reduzir o custo do financiamento da casa própria, mas esse efeito tende a demorar mais. As taxas do crédito imobiliário não acompanham automaticamente a Selic. Parte dos financiamentos utiliza recursos da poupança e segue regras específicas. Por isso, um corte isolado de 0,25 ponto percentual deve provocar uma mudança limitada.

O impacto pode se tornar mais perceptível se o Banco Central seguir a tendência de redução dos juros nos próximos meses. Nesse cenário, os bancos podem oferecer taxas menores para novos contratos e melhorar as condições de financiamento.

Quem pretende comprar um imóvel deve comparar a taxa de juros, o CET, o valor da entrada, o prazo e o sistema de amortização. O mais importante é observar o valor total pago, e não apenas se a prestação cabe no orçamento. O programa Minha Casa Minha Vida ainda oferece juros bem abaixo da Selic.

Cartão de crédito e cheque especial não são boas opções

A redução da Selic não afeta os juros do cartão de crédito rotativo ou o cheque especial. Essas modalidades cobram juros muito superiores à taxa básica da economia.

O corte pode influenciar essas cobranças ao longo do tempo, mas o impacto direto tende a ser pequeno. Quem não consegue pagar a fatura integral deve procurar uma linha de crédito mais barata, para evitar a permanência no rotativo.

O mesmo vale para o cheque especial, que deve ser usado apenas em emergências e por períodos curtos. A orientação é verificar se existe a possibilidade de substituir essas dívidas por crédito consignado, empréstimo pessoal com juros menores ou renegociação direta com a instituição.

Compras parceladas não ficam mais baratas de um dia para o outro

A redução da Selic também pode ajudar a diminuir os juros embutidos nas compras parceladas, especialmente de automóveis, eletrodomésticos, móveis e materiais de construção, entretanto, os preços não vão cair automaticamente, já que os custos de consumo dependem de uma série de fatores, como transporte, que atualmente é altamente afetado pela alta do preço dos combustíveis, influenciada pela guerra no Oriente Médio.

Antes de parcelar, o consumidor deve perguntar qual é o valor à vista, quanto pagará no total e se existe desconto para pagamento imediato. Ofertas anunciadas como “sem juros” podem levar consumidores a erro, já que o custo do financiamento é incorporado ao preço do produto.

Poupança continua a render pouco

A remuneração da poupança não muda com a Selic em 13,75%. Como a taxa básica permanece acima de 8,5% ao ano, a caderneta continua rendendo 0,5% ao mês, mais a Taxa Referencial, a TR.

Outras aplicações vinculadas à Selic ou ao CDI, além de contas remuneradas, podem passar a render um pouco menos. Para pequenos poupadores, porém, a redução de 0,25 ponto não terá tanto impacto.

A poupança continua tendo liquidez e isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, mas pode oferecer rendimento inferior ao de outras opções.

E o que muda no orçamento familiar?

A redução da Selic é positiva para quem depende de crédito, mas não representa uma queda imediata e generalizada. Com os juros ainda em 13,75% ao ano, empréstimos, financiamentos e compras parceladas devem continuar a pesar no orçamento. O efeito mais relevante pode surgir caso o ciclo de cortes prossiga e os bancos repassem a redução aos clientes.

No curto prazo, a principal mudança é o início de um ambiente um pouco mais favorável à renegociação e à contratação de novos créditos. O consumidor, porém, ainda precisa pesquisar taxas, comparar custos e desconfiar de ofertas que prometam crédito muito barato.

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