Flávio Bolsonaro teria usado imóvel ligado a antigo operador de Vorcaro durante campanha em São Paulo

Imóvel na Vila Nova Conceição foi comprado por empresa de Willer Tomaz após ter pertencido a Fabiano Zettel, citado pela PF nas investigações do caso Master
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Imóvel de luxo usado por Flávio Bolsonaro em Angra dos Reis é gerido pela Prime You, que teve Daniel Vorcaro como sócio e ainda administra parte do patrimônio do ex-banqueiro. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado/Polícia Federal.

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) teria utilizado, durante a campanha eleitoral em São Paulo, um apartamento que anteriormente pertenceu a Fabiano Zettel, apontado em investigações como cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, do Banco Master. As informações foram divulgadas pela revista Piauí. Leia em TVT News.

O imóvel fica no edifício l’Adresse, na Vila Nova Conceição, bairro de alto padrão da capital paulista. Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro permaneceu no apartamento durante alguns dias da primeira quinzena de agosto, período em que participou de atividades relacionadas à campanha presidencial.

Durante a estadia, o candidato teria realizado reuniões com integrantes de sua equipe para definir estratégias eleitorais, gravado vídeos para o horário eleitoral, participado de podcasts e mantido encontros na região da Faria Lima. O comitê de campanha de Flávio ficava na Avenida República do Líbano, a poucos minutos do edifício.

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O apartamento tem 158,87 metros quadrados, três vagas de garagem e uma sala integrada a uma varanda gourmet. A presença do candidato também teria provocado movimentação incomum no condomínio. Policiais legislativos à paisana realizaram varreduras nas áreas comuns e circularam pelo prédio durante os dias em que Flávio teria permanecido no local.

Moradores relataram à Piauí que a movimentação dos agentes chamou atenção. Alguns chegaram a solicitar ao síndico acesso às imagens das câmeras de segurança para verificar o que havia ocorrido nas áreas comuns. Segundo a reportagem, os moradores foram informados de que as gravações haviam sido apagadas acidentalmente.

A revista procurou a administração do condomínio para questionar como as imagens foram apagadas e se a presença dos agentes e a hospedagem de Flávio Bolsonaro haviam sido comunicadas previamente. O síndico não respondeu aos contatos.

Apartamento foi vendido por R$ 3,5 milhões

Antes de passar para a empresa do advogado Willer Tomaz, o apartamento pertencia a Fabiano Zettel. Conforme os textos de apoio, Zettel comprou o imóvel em 17 de abril de 2025 por R$ 5,5 milhões.

Menos de dez meses depois, em 10 de fevereiro de 2026, o apartamento foi vendido por R$ 3,5 milhões à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Tomaz. A operação representou uma diferença nominal de R$ 2 milhões em relação ao valor pago por Zettel, cerca de 36% do montante desembolsado na aquisição.

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A transferência foi registrada em cartório em 4 de março, depois de uma determinação do Supremo Tribunal Federal para o bloqueio dos bens de Zettel. A data também coincidiu com a prisão do empresário durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, segundo os textos utilizados nesta reportagem.

A Piauí informou ter confirmado a presença de Flávio no imóvel após conversar com moradores do edifício e com uma funcionária de uma escola onde eram estacionados veículos utilizados pela Polícia Legislativa. Uma influenciadora que havia morado no apartamento quando ele ainda pertencia a Zettel também confirmou à revista que o empresário frequentava o imóvel quando estava em São Paulo.

Flávio diz que ficou em hotéis

Procurado pela Piauí, Willer Tomaz inicialmente negou que Flávio Bolsonaro tivesse utilizado o apartamento. Posteriormente, enviou uma nota na qual afirmou não conhecer Fabiano Zettel nem Daniel Vorcaro e disse jamais ter mantido relação pessoal, comercial ou societária com os dois.

A reportagem questionou especificamente o advogado sobre a presença de Flávio Bolsonaro no imóvel, mas, segundo o texto publicado pela revista, a nota não fez menção ao candidato.

A assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou à piauí que o senador havia se hospedado apenas em hotéis da região. A revista questionou qual teria sido o uso feito pelo candidato do apartamento, mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem.

Relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz

Os textos de apoio também descrevem uma relação de longa data entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. A aproximação teria começado durante o governo de Jair Bolsonaro, quando Flávio era investigado no caso das chamadas rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Tomaz chegou a ser consultado sobre a possibilidade de defender o senador, mas não aceitou, alegando estar envolvido em outros casos. Posteriormente, segundo os relatos apresentados, a relação se ampliou para outras áreas.

O advogado teria auxiliado Flávio em articulações envolvendo indicações para tribunais superiores e órgãos do Judiciário. Interlocutores de Tomaz afirmam que Flávio e o ministro Kassio Nunes Marques teriam se conhecido na casa do advogado.

A proximidade também aparece em viagens e no uso de propriedades. Em fevereiro deste ano, Flávio comemorou o aniversário da filha caçula em uma casa em Angra dos Reis pertencente a uma empresa da qual Tomaz possui participação. Segundo o ICL Notícias, o próprio advogado confirmou que disponibilizou o imóvel ao senador sem cobrança, atribuindo o empréstimo à amizade entre os dois.

A propriedade tem sete suítes, piscina aquecida, sauna, academia, heliponto e píer, além de um iate colocado à disposição dos proprietários.

Os textos também citam viagens realizadas por Flávio e sua família em aeronaves privadas relacionadas a empresas de Tomaz. Em uma delas, um avião ligado a uma empresa do advogado saiu de Brasília em direção ao Rio de Janeiro. Em outra, Flávio e sua mulher viajaram para a Flórida acompanhados de Tomaz e da esposa.

Flávio afirmou que os deslocamentos tinham caráter pessoal e familiar. O advogado, por sua vez, negou ter recebido benefícios do poder público em razão da amizade com o senador.

Ligações empresariais e o caso Master

Fabiano Zettel é descrito nos textos como figura próxima de Daniel Vorcaro. Segundo um relatório da Polícia Federal citado pela Piauí, teria ficado constatado que Zettel atuava como interposta pessoa, ou “laranja”, do banqueiro.

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal também são mencionadas como parte das investigações envolvendo tratativas financeiras relacionadas a personagens políticos e negócios que estão sob investigação.

Willer Tomaz, proprietário do imóvel desde fevereiro de 2026, não é apontado nos textos como investigado no caso Master. Ele é citado como investigado em outro inquérito, relacionado a suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Os textos ressaltam, portanto, que a ligação apresentada na reportagem entre Flávio e o imóvel ocorre por meio da sequência de proprietários: o apartamento pertenceu a Fabiano Zettel, associado a Vorcaro nas investigações, e posteriormente passou para a empresa de Willer Tomaz, advogado que mantém relação pessoal e política com Flávio Bolsonaro.

A utilização do imóvel durante a campanha presidencial, conforme relatado pela piauí, acrescenta um novo episódio à relação entre o candidato e o advogado.

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